A expressão do “Oiapoque ao Chuí” é bem conhecida, indica os extremos norte e sul do Brasil e tenta abranger este país imenso. Conhecer um país de tamanho continental como o nosso não é pouca coisa, mas quem sabe começamos pelos extremos? Não sei nada sobre Oiapoque (acho que fica no Amapá...) mas sobre o Chuí sei bastante. Já passei muitos verões na Barra do Chuí, aproveitando o mar gelado e a proximidade com o Uruguai (as melhores festas da fronteira sempre são do lado uruguaio). Para quem quiser se arriscar por aquelas terras distantes, vale a pena. De Porto Alegre ao Chuí são cerca de 525 kms. Na metade do caminho vale a pena passar em Pelotas e saborear um dos seus famosos doces e talvez com um pouquinho mais de tempo um cafezinho no Aquário ou um croquete no Cruz de Malta, além de apreciar a bela arquitetura da cidade (mas isso fica para outra dica do guia).
De Pelotas ao Chuí são em torno de 266 km, em uma estrada reta e entediante, com raríssimas curvas, uma paisagem demasiadamente plana e pouquíssimo povoada. Toda a região depois do município de Rio Grande até o Chuí era chamada de Campos Neutrais, por ser um território considerado “neutro” entre os países do Brasil e Uruguai, “uma terra de ninguém”. Os chamados Campos Neutrais (denominado dessa forma pelo Tratado de Ildefonso em 1777) ficaram por muito tempo fora da disputa entre Portugal e Espanha, com o acesso e povoamento dificultado pela sua posição geográfica, até o Barão do Rio Branco entrar nessa história e fincar a bandeira brasileira definitivamente (com certeza, com meios não tão pacíficos...).
No caminho, passa-se por dentro da Reserva Ecológica do Taim, com direito a ver várias espécies animais preservadas tais como jacarés, capivaras e uma variedade enorme de pássaros. Há que se ter cuidado e passar sem pressa. Muitos animais não sobrevivem a travessia dos carros.
Em Santa Vitória do Palmar vale a pena parar para ver a Lagoa Mirim, principalmente no entardecer, quando o sol se põe lindamente já no lado uruguaio. Na cidade do Chuí a grande atração são os free shops no Chuy uruguaio, com preços convidativos em tempos de dólar com câmbio baixo: perfumes, eletrônicos, bebidas, cosméticos e roupas importadas com valores inacreditáveis. Para ir até os free shops basta atravessar a avenida que fica bem no centro dividindo a cidade e os dois países. O limite de compras é 300 dólares. Depois ou antes das compras, não deixe de ir a Barra do Chuí, uma praia com mar aberto e frio, mas bastante acolhedora. Os molhes que contornam o arroio Chuí fazem a divisa entre Brasil e Uruguai, e um farol (O último? O primeiro?) indica o caminho aos navios distantes. Um pouco antes da ponte que divide Brasil e o Uruguai há o ateliê de Hamilton Coelho, artista que faz maravilhosas esculturas com o material trazido pelo mar: ossos de baleia, madeiras, cordas, bóias de rede (o trabalho desse artista ainda vai ser assunto de uma outra postagem).
Com mais tempo, e com todos os documentos em ordem (carteira de identidade, carta verde para o veículo) vale a pena seguir um pouco mais a viagem até o Uruguai e conhecer algumas praias do distrito de Rocha, as Fortalezas de Santa Teresa e São Miguel, a praia de Punta del Diablo, Cabo Polônio... Com certeza, é uma viagem inesquecível.
Veja fotos desse passeio aqui.
Beleza de trabalho amiga, gostei demais, beijos mineiros proce uai!
victorvapf · Belo Horizonte, MG 4/2/2008 15:01
Que maravilha de colaboração...devia estar com mais destaque no Overmundo.
Muito bom o texto.
Bárbaro, Lu&Arte! Sensacional trazer notícias do extremo Brasil, com todas as suas particularidades! Adorei as fotos e os detalhes! Abraço
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 6/2/2008 15:34Oiapoque não é o extremo norte co Brasil
Cristiano Navarro · Dourados, MS 7/2/2008 19:09Não conheço os extremos, Lu. Ainda. Sua dica "atiça".
Antonio Rezende · Palmas, TO 17/2/2008 21:07
Luciana,
vi a tua indicação no Antártica do Azuir, e vir dar uma olhada. E quase fiquei, se pudesse teria ficado mesmo.
estou arquivando pra reler,
um abraço, andre.
Lu&Arte · Porto Alegre (RS)
Uma Viagem Lindíssima.
Também ví a indicação e segui igual ao Mestre André Pessego.
Maior orgulho vir ver seu trabalho táo bem feito.
Do Oiapoque ao Chui é o mínimo do nosso compromisso de honra e de amor pela terra e pela gente. Agora também a Antártica,
sem que isso interfira num compromisso Humano e Cristáo de sermos Cidadóes do Mundo em igual amor por todo mundo.
Estamos Inaugurando Uma grande amizade.
Companheirismo, Camaradagem muito sonho e Utopia.
A Vida vale a Pena e Jesus se Deu pra nos Salvar.
Voto no seu Trabalho por Merecimento
Abração e Parabéns.
André e Azuir,
Obrigada pelos comentários. A viagem ao Chuí vale mesmo a pena.
Lindo Chuí que eu não fui, mas a Lu me mostrou. Tinha um indio velho pelas bandas de Livramento que dizia mais ou menos assim:
em terra bonita, só dá moça que é flor. Texto que me dá vontade de botar a mala de garupa e sair pela estrada.
Com Carinho,
Sander
MUITO BOM TRABALHO DE PESSOAS ASSIM QUE O MUNDO PRECISA.
Sou Natural de Santa Vitória do Palmar,
Vou fazer uma correção, do que a maioria das pessoas não sabem, o Balneario da Barra do Chui fica em Santa Vitoria do Palmar e não no Chui, sendo o o Municipio do Chui fica Abraçado Pelo Municipio mãe SVP, onde este faz fronteira com Uruguai pela beira do Oceano ao Leste e Lagoa Mirim ao Oesta.
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