Caraíva

Maria Fonseca
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Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ
13/1/2008 · 165 · 4
 

São privilegiados os lugares que abrigam o encontro de rio e mar. Em comum, todos eles têm o equilíbrio entre água doce e salgada graças àquela incrível harmonia que, dependendo da maré, permite que o conteúdo de um derrame sobre o outro pacificamente, por algumas horas do dia. Caraíva, pequeno distrito de Porto Seguro, no sul da Bahia, é um desses pontos fantásticos de natureza exuberante (o outro que conheço é a Guarda do Embaú, em SC). De resto, são ruas – todas de areia - repletas de pousadinhas, restaurantes, campings, casas e gente buscando alguma paz. Em se tratando de Bahia, uma paz sem pressa.

E essa paz sem pressa vale até mesmo para aqueles períodos de pico, como os dias próximos ao réveillon. Mesmo que a população da vila aumente estratosfericamente a cada ano nesta época (e outras datas festivas, como carnaval, férias etc.), o ritmo continua lento. A chegada da luz na área, há cerca de três meses, tirou de cena o barulhão dos geradores, mas ainda dá para ver o céu e suas estrelas muito bem.

Bem, esta dica só tem condições de tratar de Caraíva e seus prós e contras nestas datas festivas. Porque foi neste período que estive lá e porque imagino que, fora de temporada, a coisa mude totalmente de figura. Então, se sua idéia é ir conhecer a vila num feriado, considere:

- Para quem gosta de algum movimento, pero no mucho, é a oportunidade de ter companhia de uma pequena e saudável “multidinha” na praia, no forró e nos restaurantes. Nada absurdo, mas suficiente para lotar as pousadas e campings e gerar mais atraso (que o habitual baiano) nos restaurantes.

- Tudo bem, é claro que a população local quer fazer seu pé-de-meia em épocas de lotação esgotada. Mas rolou um certo consenso entre todos os viajantes com quem conversei: tudo fica caro demais para uma vila que mal tem luz e praticamente nenhuma possibilidade de banco, linha para cartão de débito crédito ou mesmo celular (em boa parte das ruas, eles não pegam). Sem contar certos absurdos sem noção: uma salada de fruta que custava X passava a custar X + 5 dependendo da proximidade do réveillon (e imagino que seja assim em todos os feriados longos). Os passeios de barco estavam funcionando num esquema-cartel caríssimo, cobrando por pessoa, sem possibilidade de desconto para grupos grandes.

- Para o dia, os bares na beira do rio são ótimos (menção especial do Boteco do Pará, que vai ganhar dica por aqui). Para a noite, recomendo o impressionante restaurante italiano da pousada Mangue Sereno.

- Vale a pena atravessar o rio e ficar do outro lado da praia, lá pros lados do Satu (uma simpática barraca vendendo água de coco e cerveja no meio do nada). É mais tranqüilo e a água é ainda mais clara. Para quem tem disposição, vale também encarar os 9 km até a Praia dos Espelhos (eu fiz e foi ótimo). Mas só para conhecer, porque lá tudo é muito, muito mais caro! Para se ter noção, um dos bares da praia tem consumação mínima! Nunca vi disso na minha vida, nem no Rio de Janeiro, que adora essas malandragens! A esta altura, você vê que tudo é relativo e que Caraíva não estava tão caro assim. :)

Apesar deste porém dos preços (e vamos combinar que feriado é assim mesmo em quase todo lugar turístico), Caraíva vale muito a pena!!

onde fica
Está a cerca de 70 km de Porto Seguro. Tem táxis que fazem o trajeto direto do aeroporto. É preciso atravessar de balsa até Arraial d'Ajuda e seguir viagem. A estrada é de terra mas é boa. Fica a 805 Km de Salvador, 1.195 Km do Rio de Janeiro e 1.451 Km de São Paulo. Indo de ônibus da região Sudeste, recomenda-se saltar em Itabela e pegar o ônibus que faz o trajeto de terra uma vez por dia.
por que ir
Porque é tranqüilo, é a oportunidade de não ver asfalto, não ouvir musiquinha de celular, não se estressar. Também é oportunidade de tomar sucos e caipirinhas de cajá, mangaba e graviola (desconsidere se você é um privilegiado que mora em alguma cidade que tem essas frutas!) vendo o pôr-do-sol no rio. Porque é perto de Porto Seguro, de Arraial d'Ajuda, de Corumbau e de Trancoso.
quando ir
Fora de temporada deve ser mais legal, se você só quer descansar. Se quer algum agito (não espere muito), verão e feriados.
quem vai
Muitos paulistas e mineiros, alguns cariocas e soteropolitanos.
quanto custa
Os preços devem mudar drásticamente fora de temporada. Os passeios de barco, por exemplo: um de duas horas, até Corumbau, era uns R$ 40 por cabeça.
website
www.caraiva.com.br

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crispinga
 

Estive nesta praia quando fui para Trancoso. O sul da Bahia é lindo, o mar morno e as praias cheias de coqueiros...Ideal para caminhadas!
Tomara que você nos traga uma matéria sobre o Arraial D'Ajuda,Santa Cruz de Cabrália e Porto Seguro, a Costa do Descobrimento do Brasil !
Beijos

crispinga · Nova Friburgo, RJ 10/1/2008 20:00
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Cintia Thome
 

Maravilhoso, nos anos 80, isto era o Paraíso, estou vendo que ainda é. Belas imagens.
Parabens Helena. bj Voto

Cintia Thome · São Paulo, SP 12/1/2008 08:51
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crispinga
 

Cíntia,
Nós já nos cruzamos nessa vida... :)!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 12/1/2008 14:00
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Cintia Thome
 

Voltei aqui para matar uma saudade e vejo o teu comentário, rs
Pois é menina, andei,andei...agora to aqui viajando na carona...monitor e teclado...fácil, né? Mas ainda vou de "mochilão" dar umas rodadas, rs
Cris...vivi anos maravilhosos, todos eles, mas anos70/80 foram explosivos, todo dia desvendava mistérios da vida ...os lugares, os acontecimentos, o avanço. Olha só esse avanço? Fui a Troncoso, era ainda como Buzios de Brigite Bardot...nada...povoado...esse Brasil cresceu em cultura, em turismo...Será? Esta colaboração é muito bacana...

Cintia Thome · São Paulo, SP 12/1/2008 22:06
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