Há 20 anos, a casa onde o cronista Rubem Braga passou a infância e morou até os 14 anos, foi transformada em uma casa de cultura: A casa dos Braga. A casa é verde, em estilo eclético português e parece guardar saudades do tempo em que o menino Rubem morou nela. Em todas as partes da casa - no porão, na varanda, na sala, etc.- há fragmentos de uma crônica, "Receita da casa", em painéis em acrílico na parede. Assim, é impossível não reviver a vida e a obra do autor.
Chamou-me a atenção, no porão, o seguinte fragmento da crônica, exposto em tamanho considerável:
"... a primeira coisa a respeito de uma casa é que ela deve ter um porão, um bom porão com saída pela frente e entrada pelos fundos. [...] Convém que as crianças sintam um certo medo do porão; [...] O único perigo é que o porão faça da criança, no futuro, um romancista introvertido"
Nos fundos da casa, à sombra de um centenário pé de fruta-pão (citado em crônicas do autor), há um espaço jardinado, com bancos e plantas, que é a "Praça da Poesia", onde se pode ler tranqüilamente uma crônica de Braga, possivelmente imaginada bem ali naquele quintal, ou no "assustador" porão. Andei pelo quintal à procura do famoso cajueiro, mas como me contaram: em uma tempestade, há muitos anos, o vento derrubou o já debilitado personagem de tantas crônicas do autor.
Na grande casa verde, de 16 cômodos, funciona a Biblioteca Pública Municipal, que não leva o nome do escritor, mas do major "Walter dos Santos Paiva" - provavelmente porque a Biblioteca já recebera o nome do major antes de se instalar na Casa dos Braga - eis apenas uma observação, não uma crítica.
No porão da casa, funciona a parte de empréstimo dos livros. Na parte superiror, no segundo piso, fica a secção de pesquisa. E, quem nos recebe nesse espaço de empréstimos, é ninguém menos que a prima do autor, Leonor Maria Teixeira, funcionária da prefeitura, e há 15 anos trabalhando na Casa do ilustre parente. Ela nos conta que Rubem visitou a Casa uma vez. "Ele entrou, olhou, caminhou pelos cômodos, não disse nada e saiu. Era bem o estilo dele".
É também no segundo piso que fica o míni-museu dos Braga. Nele pode-se ter acesso a publicações antigas, objetos, pinturas, desenhos, fotos de Rubem e da família e a manuscritos de Newton Braga, poeta e irmão de Rubem. Há no míni-museu um relógio centenário, que foi de um antigo morador, antes da família Braga residir na casa. Como nos conta Neuza Maria dos Santos, coordenadora do espaço, na época, não era de bom tom sair do imóvel sem deixar pelo menos um objeto para os novos moradores. Foi assim que a família Braga "ganhou" o relógio, que hoje integra os objetos do museu.
Rubem Braga nasceu em 12 de janeiro de 1913, numa outra casa, próxima a esta, em Cachoeiro de Itapemirim. Da família de Rubem, apenas sua irmã, Gracinha, é viva e mora em Vitória. Sobre a vida com o irmão, Gracinha concedeu uma entrevista para a revista Vida Simples que pode ser lida neste link.
A Casa - onde chegou a funcionar um restaurante -foi desapropiada, revitalizada, quando da sua inauguração em 1987, e é mantida pela Prefeitura Municipal.
Ériton, que lugar mágico. Me senti criança entrando por esse porão, passando pela praça de leitura, em busca de aventura. E a arquitetura é maravilhosa, principalmente a varanda toda bordada.
Valeu conhecer um pouco esse mundo de Rubens Braga. Parabéns! Um forte abraço.
Olá Ana, querida!
O lugar tem toda essa atmosfera da leitura e do fazer literário, já que cada canto lembra a escrita de Rubem.
Bjo grande!
Gente, queria corrigir uma agramaticalidade cometida por mim neste texto:
No prineiro parágrafo, não há vírgula após a expressão "14 anos". O texto correto é:
"Há 20 anos, a casa onde o cronista Rubem Braga passou a infância e morou até os 14 anos foi transformada em uma casa de cultura: A casa dos Braga."
Obrigado
Ériton, maravilhoso...É Cachoeiro tem "O Braga"...Grande jornalista, escritor Rubem Braga...
Merece votos múltiplos tua colaboração. Muito rico e ótimo texto...Adorei ver a foto da casa...bjus e votei.
Ériton, muito bom saber que o governo local investe na preservação desse espaço e dessa história de Cachoeiro. Infelizmente, nem todos fazem isso...
Gostei muito do texto e das fotos!
Abraço.
Me surpreendi ao ver que em Cachoeiro existe um lugar como esse. Me desculpe a franqueza, mas o pouco que conheci daí pensei ser um dos piores lugares do mundo. Passei de passagem mesmo, desculpa a ignorância. Estava indo para Santa Cruz.... e fiquei triste com a arquitetura. Mas amei seu texto, amei a iniciativa em mostrar a cidade. Faça isso mais vezes!!!!!!!!!
Bruna Célia · Goiânia, GO 16/10/2007 20:27
Cachoeiro a Capital Secreta...
não é assim?
vc. vai desvendando esses tesouros para os Overmanos, traga mais Tesouros Eriton!!!
puget
Bruna, Tetê, Cintia e Claudia,
a capital secreta do mundo, Cachoeiro de Itapemirim, é uma cidade fortemente marcada pela industrialização: mármore e o granito. Mas, é também uma cidade que deu ao Brasil boas contribuições culturais como Rubem Braga, Sergio Sampaio e Roberto Carlos e a fantástica Luz Del Fuego (sem discutir gosto artístico ou postura social, claro), só para citar alguns mais famosos. E o governo municipal parece privilegiar essas riquezas. Talvez Sergio Sampaio seja o menos notado e um dos mais provocantes artistas da música brasileira. Mas, qto à casa dos Braga, trata-se de um belo lugar. É preicso visitar, ler e brigar pelo acesso à cultura e à arte!!!
Bjos
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