Celestino Gomes foi o mais notável artista plástico que a cidade de Petrolina, sertão de Pernambuco, teve o privilégio de abrigar.
“Corvo das idéias primordiais”, “poeta dos pincéis celestiais” e “Hemingway do sertão” foram algumas alcunhas utilizadas pela população local numa tentativa de apalpar a ave solitária que vivia numa kombi branca retratando a paisagem sertaneja na genialidade de um traço inesquecível, que hoje pode ser visto em locais públicos, como a biblioteca municipal e o aeroporto.
No dia 21 de abril de 2004, a ave foi em busca de outras solidões e a cidade ficou órfã de uma espécie rara de artista, ainda que incompreendido por algumas pessoas e desconhecido por muitas outras.
Assim é o Centro de Artesanato Celestino Gomes. Inaugurado no dia 14 de setembro de 2006, o espaço foi uma conquista da Associação dos Artesãos do Vale do São Francisco (ARTEVALE), que possui cerca de 150 artesãos associados.
A prefeitura doou o terreno que antes acolhia algumas barracas de lona e cada artesão construiu seu próprio quiosque. Um investimento que segundo Waldemir Brito, vendedor de frutas cristalizadas, geléias e compotas, pode chegar a R$ 2.300,00.
Com a simplicidade irradiante de um “corvo das idéias primordiais”, Waldemir sai definhando palavras sobre os desassossegos de sua solitária existência. Inquieto, busca no dicionário a definição de seu labor:
“Meu trabalho é arte. Se você pegar um dicionário, verá que ‘arte é a execução prática de uma idéia, profissão ou habilidade’. Então, se eu pego uma fruta e transformo em geléia, frutas cristalizadas, bom-bom, eu estou fazendo arte...”.
Sem dúvida: a diversidade de artesanato que pode ser visto no espaço reflete muito da alma sertaneja retratada pelo “poeta dos pincéis celestiais”. Nos 64 quiosques do Centro de Artesanato Celestino Gomes podem ser encontrados: arte em madeira, em retalhos, trabalhos de reciclagem (jornal, tecido), crochê, bordados, fuxico, arte em flores, vidros, couro, pintura em tela, origami, doces caseiros, licores, chocolates com recheios regionais...
Além, é claro, das luzes celestes de uma cidade que serve de inspiração primordial aos seus eternos inventores: Hemingways do sertão.
Muito bom! Conheço esse Centro de Artesanato e já fiz compras lá... até onde o "dinheiro deu"! Votado.
JACK CORREIA · Crato, CE 17/6/2008 11:44Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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