Cinemateca Brasileira, o matadouro que virou cinema

Traed Mawr - http://www.flickr.com/photos/traedmawr/
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Aninha Freitas · São Paulo, SP
1/5/2008 · 91 · 1
 

No final do século XIX, trens chegavam aos galpões do Matadouro Municipal de São Paulo para buscar peças de carne que abasteciam toda a cidade. O prédio de tijolos foi inaugurado em 1887 e até 1927 foi cenário de sanguinários abates de gado, daqueles com carcaças penduradas em ganchos. O que lembra cenas de filme, como Amarelo Manga, virou na verdade cinema, mais precisamente a Cinemateca Brasileira.

O maior arquivo de imagens em movimento da América Latina está ali, nos mesmos galpões da Vila Clementino, zona sul de São Paulo. Entre a década de 20 e 1992, o complexo teve várias utilizações, até ser finalmente destinado a abrigar os mais de 200 mil rolos de filmes de 30 mil títulos da Cinemateca.

A coleção de imagens começou em 1940, com a criação do Clube de Cinema por alunos do curso de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), entre eles, Décio de Almeida Prado e Antonio Candido de Mello e Souza. Mais tarde o clube foi fechado pelo Estado Novo e reinaugurado em 46. Em 84, rebatizado como Cinemateca Brasileira, o acervo foi incorporado pelo governo federal e atualmente é administrado pela Secretaria de Audiovisual.

Por um tempo, as projeções e eventos organizados pela Cinemateca ocorreram no Cine Fiametta, em Pinheiros, até que, em 1992, a prefeitura cedeu o complexo tombado do Matadouro Municipal para abrigar tamanha coleção de filmes. De lá para cá, o espaço passou por diversas reformas e recebeu até uma edição da CasaCor, em 2002, que deixou de herança instalações no mínimo curiosas.

Mas vamos ao que importa. A Cinemateca Brasileira se tornou um dos espaços mais ricos e tranqüilos da cidade para quem aprecia a sétima arte, sua história e curiosidades. Ver um filme nas salas Cinemateca Petrobras ou BNDES, ambas no complexo, custa pouco (R$ 8) ou nada – estudantes do ensino fundamental ou médio de escolas públicas não pagam em algumas sessões.

Engana-se, porém, quem acha que o baixo valor do ingresso significará péssima projeção e falta de conforto. As salas, com capacidades para 100 e 250 pessoas, têm equipamentos modernos de exibição e som e ótimas poltronas. A programação gira em torno do que há disponível no próprio acervo e, não raro, de títulos emprestados de outras coleções.

Quem vai à Cinemateca pode ainda refletir sobre o filme que viu na lanchonete ou no espaço de convivência do prédio. No mesmo local, à disposição dos cinéfilos há também a Biblioteca Paulo Emilio Salles Gomes, com revistas brasileiras e estrangeiras, livros, estudos acadêmicos, cartazes de filmes e tudo mais o que se possa imaginar para uma pesquisa completa sobre a história do cinema no Brasil e no mundo. O lugar é realmente incrível.

onde fica
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, próximo ao metrô Vila Mariana.
por que ir
Porque o maior acervo da América Latina de imagens em movimento está ali à disposição e quase de graça.
quando ir
Toda terça-feira tem sessão de curta-metragem brasileiro às 18h, com reapresentação aos sábados, às 16h;
A biblioteca funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 14h, mas recomenda-se o agendamento de pesquisa antecipado, através do telefone (11) 3512-6111, ramal 209;
O prédio fica aberto de segunda a sexta, das 9h às 18h e nos finais de semana de acordo com a programação.
quem vai
Quem gosta de cinema, de história e de arquitetura.
quanto custa
As sessões custam R$ 8, com direito a meia entrada para estudante.
Alunos de ensino fundamental e médio da rede pública não pagam.
website
http://www.cinemateca.com.br/
contato
(11) 3512-6111

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 Profeta  Teatro
 

Gostei e votei !!!!

Abraços

Profeta Teatro · Campo Grande, MS 30/4/2008 22:00
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Prédio da Cinemateca já abrigou matadouro e hoje é tombado zoom
Prédio da Cinemateca já abrigou matadouro e hoje é tombado
Reformas mantiveram tijolos das paredes e teto de vidro zoom
Reformas mantiveram tijolos das paredes e teto de vidro
Em 2006, Lula e seus ministros visitaram o setor de restauro da Cinemateca zoom
Em 2006, Lula e seus ministros visitaram o setor de restauro da Cinemateca

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