O Coral Entre Libras, do Núcleo de Educação Especial da Escola Municipal Professor Marcos Gil, em Mesquita, reúne atualmente 60 pessoas - alunos com diferentes graus de deficiência auditiva, pais, professores e funcionários da escola. Criado em julho de 2006, o coral já tem um currículo expressivo de apresentações dentro e fora de Mesquita, na Baixada Fluminense. Ele participou, por exemplo, da pré-abertura dos Jogos Parapan-americanos do Rio, no estádio Engenhão, e de uma mostra cultural nos festejos de aniversário da cidade.
O grupo surgiu a partir da idéia das professoras Daiane Ribeiro e Nadjane Brandão e, inicialmente, deveria incluir apenas os alunos da escola. “Começamos o coral com nossos alunos especiais e, para nossa surpresa, alguns pais, pessoas da comunidade e funcionários do Pólo se interessaram e hoje também fazem parte do projeto”, diz Daiane.
No seu repertório, o coral já tem seis músicas, entre as quais Mais uma vez, de Renato Russo, Tempo de ser feliz, de Jamily, e Imagine, de John Lennon. A professora Daiane explica que a escolha das músicas privilegia letras que tenham uma mensagem positiva, que permitam um aumento na auto-estima e na confiança em seu potencial pelos alunos.
Nas apresentações, os integrantes do Entre Libras fazem uma interpretação simultânea da música, que está sendo tocada, através da linguagem dos sinais.
A criação do coral foi uma forma de estimular o aprendizado dos jovens pela Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). Mais uma vez, o interesse dos pais fez com que o projeto crescesse. Hoje alguns pais aprendem Libras, uma vez por semana, num curso oferecido na própria escola.
“Antes, a maioria dos pais e alunos só se comunicava, através de uma ‘linguagem doméstica’. Mímica mesmo. E essa comunicação precária dificultava o relacionamento familiar. O aprendizado de Libras também facilita as relações interpessoais da pessoa surda com a sociedade”, explica a diretora da escola, Dora Cardoso. “Os próprios pais relatam que o convívio em casa ficou melhor porque há um fácil entendimento entre eles”, reforça Daiane.
O ensino de Libras não exclui o estímulo à fala dos jovens. Inclusive o pólo é beneficiado pelo Programa de Atenção à Saúde Auditiva do Ministério da Saúde, através de uma parceria com o Instituto de Audiologia Santa Catarina, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense). Com isso, os alunos têm direito a exames, acompanhamento médico especializado e oferta de aparelhos auditivos gratuitamente, com supervisão periódica para adaptação. Vinte e um alunos já foram beneficiados e outros 12 estão aguardando o aparelho ou exames mais sofisticados.
“A percepção do som (com o uso dos aparelhos auditivos) pelos alunos é um estímulo maior à oralidade deles. Queremos que eles tenham acesso a todos os tipos de linguagem”, afirma Dora, acrescentando que a escola também oferece atendimento terapêutico-pedagógico - fonoaudiologia, psicologia e fisioterapia - a todos os alunos.
Onde aprender Libras: na Baixada, uma das alternativas é o Centro Cultural de Japeri. No Rio, um dos centros de referência é o INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos.
Pessoal, recebi postar novamente esse texto. Da primeira vez, ele não foi publicado porque faltou só um pontinho. E agora me animei mais ao ler o texto do Adroaldo Bauer: A cultura que a diferença faz.
Abraços a todos!
Que lindo, Tetê! Um belíssimo trabalho de inclusão artística e social. Inspirador!
Labes, Marcelo · Blumenau, SC 2/10/2007 13:07
Concordo com você, Labes. E eu nem sabia que existiam corais assim... Muito legal!
Abraços.
Olá amigos do Overmundo... Só agora eu soube que a E. M. Prof. Marcos Gil foi citada aqui! Bem, o que dizer? Sou funcionário da escola e participo do coral, e é um prazer ter o nosso esforço e trabalho com as crianças, jovens e adultos deficientes reconhecido! Um grande abraço para todos vocês, amigos do Overmundo, adorei a matéria!
Luiz Brasil · Rio de Janeiro, RJ 25/7/2008 17:51
Olá, Luiz,
eu também fiquei feliz ao ler seu comentário. Muito obrigada e, mais uma vez, parabéns pelo trabalho de vocês aí.
Abraço.
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