Cultura que vem do Porto

Ériton Berçaco
Do Porto de água doce, vê-se o casario
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Ériton Berçaco · Muqui, ES
7/4/2009 · 94 · 13
 

"Ele assim como veio, partiu, não se sabe p'ra onde/ E deixou minha mãe com um olhar cada dia mais longe/ Esperando parada, pregada na pedra do porto/ Com o seu único velho vestido cada dia mais curto."

(Chico Buarque - "Minha História")

Esse poema, mais precisamente o verso "Esperando parada, pregada na pedra do porto", ricamente aliterado por Chico Buarque, faz-me lembrar de um lugar ao norte do Espírito Santo, em que a mulher parada esperando no porto parece ganhar ainda mais sentido: o Porto de São Mateus, que compõe o sítio histórico da cidade, às margens do rio Cricaré (Kiri-Kerê, em tupi, que significa dorminhoco). Um belo lugar, rodeado de construções antigas, datadas do final do século XVI, quando os portugueses chegavam por essas bandas, fazendo sujeiras, corrompendo índios e garimpando riquezas; e culturas, que a miscigenação (inevitável) não perdoa.

Visitar São Mateus é conhecer a riqueza desta cultura secular, que vem desde os primeiros moradores, os índios, e que foi miscigenada - com dignidade ou covardia - ao longo do tempo pelos colonizadores europeus e os negros vindos da África. As marcas culturais desses povos podem ser percebidas até hoje nos rostos, carisma, culinária e outros encantos locais.

A cidade teve origem com a chegada dos portugueses, por volta de 1544. A região era habitada pelos índios Aymorés, posteriormente catequizados pelo padre José de Anchieta, que também passou por aqui.

Além da arquitetura ribeirinha, o sítio histórico também inclui outras edificações, como as ruínas da igreja velha, outras duas igrejas ainda em funcionamento e a sede do museu da cidade. Nas casas preservadas, na região do Porto, funcionam a Biblioteca Municipal, a Secretaria de Cultura, uma escola e um museu de objetos usados na escravidão.

Mercado Municipal
Outra dica é o Mercado Municipal, no Centro. Lá, os produtores vendem desde canela, farinha de mandioca - a granel, como no tempo da colonização - até peças do artesanato mateense. É uma mistura de cheiros e cores que transbordam os sentidos.

Paneleiras
O artesanatao em barro, como os feitos pelas paneleiras, é uma marca local. A panela de barro, símbolo do artesanato capixaba, também é produzida no município. Dona Antônia, uma paneleira centenária, está entre os cinco artesãos do Espírito Santo que integram o livro Em nome do autor - artistas artesãos do Brasil, de Beth Lima e Valfrido Lima.

Vale a pena visitar este lugar e sentir a cultura que parte do Porto!

onde fica
São Mateus, norte do Espírito Santo, a 200 km de Vitória, pela BR 101.

O MERCADO MUNICIPAL fica na Av. Jones dos Santos Neves, no Centro.
por que ir
Para conhecer as belezas arquitetônicas e culturais da cidade.

Para ir ao Mercado Municipal e comprar produtos frescos, vindos da roça, do mangue ou do mar. Também para se tomar um ótimo banho de mar e comer uma moqueca capixaba nas praias de GURIRI, a 12km.
quando ir
Em qualquer época, mas durante o mês de agosto acontece o FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO (www.fenatesaomateus.com) e a cidade recebe grupos de teatro e turistas de todo o país.
quem vai
Todos que gostam de cultura, viajantes da arte e da BR 101.
quanto custa
Se for só para visitar, não custa nada. Mas, é impossível resistir aos produtos do Mercado Municipal - baratinhos- e a uma moqueca capixaba em Guriri - em torno de 40 reais (para duas ou três pessoas, dependendo da fome).
website
http://www.saomateus.es.gov.br/web2007/home.asp
contato
Secretaria de Cultura
27 - 3767-1020

comentários feed

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graça grauna
 

Imagens e texto pra se guardar na memória. Parabens.

graça grauna · Recife, PE 4/4/2009 19:46
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Helena Aragão
 

Que beleza, Ériton. O casario é lindo e posso imaginar a variedade do mercado. Adorei ler sobre a cidade, valeu!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 6/4/2009 12:51
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graça grauna
 

bjos e votos

graça grauna · Recife, PE 6/4/2009 19:27
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Ériton Berçaco
 

Graça e Helena,
há alguns lugares no ES, pouco divulgados, como o próprio Espírito Santo (o que é uma pena), que guardam belezas culturais preciosas. O casario de períodos que compreendem os chamados ciclos econômicos, como os do ouro e do café, ainda resiste ao tempo e tem sido (poucos, na verdade, porque a maioria foi destruída com o tempo, dando lugar a novas construções) preservado. É o caso de Muqui (ao sul), registrado neste Guia, feito pela Helena, e Santa Leopoldina (na região serrana), neste outro Guia, revelado pela Claudia - IlhaAndarilha.

Ériton Berçaco · Muqui, ES 7/4/2009 12:31
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Ilhandarilha
 

Ériton, esse seu post me deu uma tremenda saudade do cricaré correndo manso sob as pedras do porto e do verde flutuando rumo ao mar. Abrir o guia com a poesia de Chico foi demais.
Vc tem razão quanto ao fato de nosso estado ter belezas e riquezas tão pouco divulgadas. Temo que elas se apaguem antes de serem conhecidas pelos brasileiros (e principalmente os capixabas).
bjos

Ilhandarilha · Vitória, ES 7/4/2009 13:05
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Ériton Berçaco
 

Verdade, Claudia, mas penso que iniciativas como a do Overmundo, abrem espaço para que muitas coisas desconhecidas sejam vistas e visitadas. Algo está sendo feito, felizmente.
Bjos!

Ériton Berçaco · Muqui, ES 7/4/2009 13:26
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Beto Mathos
 

Assim como a mãe do "Jesus" de Chico, o porto espera que, pelo menos os seus filhos mais próximos, possam descobrir sua beleza e se encantar com a sutileza de sua arte histórica.
Tenho viajado à trabalho por várias cidades do interior do Espírito Santo e cada uma delas é uma grata surpresa esperando descobertas.
O post é encantador e a foto "Cheiro para os olhos" me fez voltar no tempo.
Sempre um prazer lê-lo.
Abraço enorme

Beto Mathos · Vitória, ES 7/4/2009 16:38
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Ériton Berçaco
 

Obrigado Beto!
Adoro esta foto também, cujo cheiro pode ser sentido com o olhar, rs. E isso não é mera sinestesia!
Abçs

Ériton Berçaco · Muqui, ES 7/4/2009 19:24
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Ériton Berçaco
 

"Ériton:
A cidade de fato é bem antiga, começou a ser povoada apenas 44 anos depois do "descobrimento". As fotos estão em nível de postal (até fiquei curioso pra saber que câmera vc usou), e as fachadas tão bem cuidadas que parece que foram pintadas para recepcioná-lo.
Só achei que faltou alguma foto que permitisse um olhar mais panorâmico sobre a cidade, mas apenas um detalhe que não tirou o brilho da matéria.
Cada vez me surpreendo mais com a beleza deste estado, e aumenta minha curiosidade por conhecê-lo.
Um abraço."
Levi Orlando · Porto Alegre (RS) · 16/9/2007 10:43

Ériton Berçaco · Muqui, ES 8/4/2009 10:13
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Ériton Berçaco
 

"Votei pra valer! Bela matéria. Fotos lindas. Nem que seja através de você estou conhecendo as belas cidades do ES. Você conhece Pancas? Fiquei sabendo sobre a cidade através de uma comunidade no orkut, achei linda. Abraços."
anamineira · Alvinópolis (MG) · 15/9/2007 17:18

Ériton Berçaco · Muqui, ES 8/4/2009 10:15
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Ilhandarilha
 

Anamineira, vc pode saber um pouco mais de Pancas aqui no guia do overmundo. abraços

Ilhandarilha · Vitória, ES 8/4/2009 20:18
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Gunga Costa
 

Meu caro Ériton,

E os fins de tarde?!? Que ninguém se furte ao prazer de ver a noite chegar à beira das águas do Porto!

Gunga Costa · Vitória, ES 9/4/2009 18:16
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opoertadabaixada
 

Voto, lindo como sempre o casario ,opoetadabaixada

opoertadabaixada · Belford Roxo, RJ 24/4/2009 13:19
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Parte do casario e o rio Cricaré ao fundo zoom
Parte do casario e o rio Cricaré ao fundo
As cores contrastam com o cinza da praça, em pedra zoom
As cores contrastam com o cinza da praça, em pedra
A região do porto, cenário do período áureo da colonização, foi preservada zoom
A região do porto, cenário do período áureo da colonização, foi preservada
Ruínas da Igreja Velha zoom
Ruínas da Igreja Velha
Cheiro para os olhos: especiarias do Mercado Municipal zoom
Cheiro para os olhos: especiarias do Mercado Municipal
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Dona Antônia - paneleita centenária

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