Hoje reina um abismo entre a máquina-mundo e o mero florescer de uma vida digna. Preparam-se homens gerais e abstratos, seres performáticos para o serviço da sociedade, mas se esmaga o homem singular, o homem cuja lápide, um dia, contivesse as marcas de um acontecimento único; a sua experiência irrepetível. Leitura e pensamento se movem essencialmente no espaço amoroso onde o homem está recolhido e onde pode indagar seus pontos nevrálgicos. Hoje faltam tais espaços: ativismo, produtivismo e indústria do ensino fecham o acesso ao lugar, ao espaço-tempo onde uma leitura auto-implicada possa acontecer. A idéia de competência, idéia-guia do sistema universitário, é o próprio massacre de qualquer auto-implicação e de sua temporalidade específica.
A obra de Nietzsche é ainda hoje um antídoto contra a hegemonia da dissociação intelectual. Através da leitura e comentário de seus textos, pretendo contar um pouco do percurso de Nietzsche e ajudar os alunos a assumirem alguma pergunta que porventura carreguem.
Juliano Garcia Pessanha estudou filosofia na Universidade de São Paulo e publicou a trilogia “Sabedoria do nunca”, “Ignorância do sempre” e “Certeza do agora” pela Ateliê Editorial. Atualmente dirige grupos de estudo e oficinas de escrita.
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