Minha dica é mais uma da série “minha cidade desconhecida” e, para mim, um dos caminhos mais bonitos já construídos em uma zona urbana. De ônibus ou de carro nunca deixei de olhar pela janela ao passar pelo Aterro do Flamengo. A profusão de verde, os vários campos de futebol, as árvores floridas na primavera, o Pão de Açúcar ao fundo, além da grama bem cortada e da ausência de lixo, sempre chamam minha atenção. Não à toa cineastas e novelistas colocam seus personagens indo ao aeroporto via Aterro – como se mesmo vôos internacionais pudessem sair do Aeroporto Santos Dumont...
Mas assim como na novela ou no filme, o Aterro para mim, carioca, que sempre passei por ele em direção ao Centro da Cidade, era paisagem. Isso mudou há cerca de um mês, quando me mudei para Botafogo e tive que pensar onde iria andar de bicicleta. Pois bem próximo à minha nova casa estavam os 1.200m² do Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, o famoso Aterro do Flamengo, construído, conforme o nome, sobre aterros sucessivos ao longo da Baía de Guanabara e inaugurado em 1965.
Estavam a algumas pedaladas, mas como no Rio nos acostumamos a temer o espaço público, demorei a tomar coragem. Mal sabia o que estava perdendo. Uma ciclovia bem cuidada, um parque limpo e impressionantemente policiado. Da última vez que andei, por volta das 11h de uma terça-feira, pude ver policiais a pé, de bicicleta, em carrinhos e ainda um carro da Defesa Civil. É verdade que faltam policiais na praia de Botafogo, mas em compensação há movimento de sobra. Ciclistas, pessoas correndo e caminhando, inclusive mulheres sozinhas, como eu.
Uma das partes mais bonitas fica logo depois do restaurante Porção Rio’s, no comecinho da praia do Flamengo. Há ali uma pista de madeira e um grande banco, perfeito para dar uma descansada e admirar a vista. No “calçadão” da praia, gente de todas as idades. Alguns andam de skate, outros passeiam com o cachorro, tomam água de coco. No gramado, pessoas fazem ioga, tomam sol, aproveitam a sombra, fazem piquenique.
Eu resolvi fazer uma pausa para hidratação na barraca do Gil, uma das que ficam no começo da faixa de areia, coladas à pista. Enquanto eu pagava a pechincha de R$1,50 pelo coco, um senhor estacionava minha bicicleta junto ao gramado e preparava uma cadeira na sombra. Um luxo.
Ainda não me atrevi a ir até o Aeroporto Santos Dumont, onde começa (ou termina) o Parque, mas é questão de tempo. Na volta para casa, enquanto aviões cruzavam o céu, ainda pude ver o vôo quase rasante de duas ararinhas de uma árvore para a outra. Cena que eu nunca presenciei na Lagoa, em Copacabana, na Barra ou em Ipanema.
Nos domingos e feriados as pistas destinadas aos carros são fechadas, aumentando a área de lazer de pedestres. Um incentivo a mais a cariocas medrosos e turistas espertos ;)
Tenho saudades de trabalhar no Centro por várias coisas e uma delas é a vista que tinha da janela do ônibus... Nunca entendi como pode ter gente que ignora aquela vista, olha para o outro lado... Mesmo que esteja lendo alguma coisa, paro tudo pra ver a paisagem que considero a mais bonita do Rio.
Também descobri o Aterro como programa há pouco tempo, o que é lamentável. É bom demais. Trate de ir até o aeroporto sim, parece muita coisa mas nem é.
Só uma observação: se já é lindo assim, imagina como era antes do Aterro... As fotos que já vi são deslumbrantes.
Beijo!
Pois é, conversamos sobre isso uma vez, lembra? Existem pelo menos dois trajetos sagrados pra mim, que me fazem deixar a leitura de lado: Aterro e Alto do Joá.
Vou frequentar mais o Aterro, quem sabe fazer um piquenique?
Também já vi essas fotos, são incríveis mesmo.
Beijo!
Elisa, esse passeio é nota 10, especialmente para começar o dia, antes do trabalho. Alguns acham que não, mas ainda considero um privilégio morar no Rio.
Rosane Serro · Rio de Janeiro, RJ 29/6/2008 01:08Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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