A estação de trem de Japeri (antiga Belém), que integra a Estrada de Ferro D. Pedro II (administrada pela concessionária SuperVia), foi inaugurada em 1858. Quase 150 anos depois, a preservação desse patrimônio histórico da Baixada Fluminense corre sério risco.
Localizado na plataforma em uso para embarque e desembarque de passageiros (a outra está desativada), entre uma área coberta e o acesso a uma passarela, o prédio original da estação ainda resiste ao tempo – e aos cupins.
No livro “Pelos Caminhos de Belém”, publicado pela Prefeitura Municipal de Japeri, em 2003, o prédio – que teria sido construído com material importado da Inglaterra – aparece como tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac). Não é verdade.
Segundo o diretor do Departamento de Pesquisa e Documentação do Inepac, professor Sergio Linhares Miguel de Souza, técnicos do instituto já fizeram uma análise do prédio, mas o processo para o tombamento ainda não existe. O estudo inclui uma descrição detalhada da arquitetura do prédio:
“O edifício é de alvenaria de tijolos, com estrutura de madeira. Está dividido em três módulos, sendo os das extremidades de dois pavimentos e o central, térreo. Em toda volta há uma cobertura de telha vã, apoiada em mãos-francesas de madeira. (...) A fachada apresenta a estrutura de madeira em enxaimel (o overmano Labes já escreveu sobre esse estilo arquitetônico), estando os tijolos emboçados (fotos antigas mostram a estrutura de tijolo maciço aparente). Há apliques de madeira recortada, formando padrões regulares. Os telhados são em quatro águas nos segundos pavimentos, com quatro mansardas cada um, e duas águas no pavimento térreo, sempre em telha de barro francesa.”
Na parte de conservação, a situação é preocupante. “Precisa de grandes reparos. A estrutura de madeira e o forro estão atacados por cupins. (...) A cobertura da plataforma, que circunda o prédio, também está atacada pelos cupins, e encontra-se escorada em dois pontos.”
Apesar do quadro nada animador, ainda dá tempo de se resgatar e preservar esse marco da história de Japeri.
Não é verdade o tombamento ou não é verdade a construção com material inglês?
Sobre as fotos antigas, não conseguiu alguma para mostrar-nos?
Tetê, que legal.
Gostei do link para o texto do Labes... interação total.
Bjs
Oi GSousa, não é verdade o tombamento. Como explico, o Inepac só se antecipou ao processo e fez uma análise preliminar do prédio. Quanto às fotos, nem sei onde encontrá-las. A SuperVia não tem esse material mais antigo. Em Japeri, só consegui o livro citado graças à boa vontade de um professor - infelizmente não lembro o nome agora! -, que dirige uma biblioteca pública no centro da cidade. E só tive essas informações detalhadas sobre o prédio, porque o professor Sergio Linhares as repassou para mim sem criar entraves burocráticos, tão comuns em órgãos públicos. Infelizmente, a história não é muito valorizada no nosso país.
Cíntia, pois descobri o texto do Labes quando procurei no Google por mais informações sobre o enxaimel. Caiu como uma luva, não?
Abraços.
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