Cercada de água e mistérios por todos os lados, a Ilha do Fogo é a maior testemunha do que Caetano Veloso, numa célebre passagem pela região, identificou como a “sombra do ciúme” que paira sobre Juazeiro-BA e Petrolina-PE.
Divisa natural entre os estados de Pernambuco e Bahia, a ilha possui uma área praiana de terreno acidentado, formado por uma rocha única, elevando-se ao poente em morro de aproximadamente 20 metros de altura, onde fica um cruzeiro que durante muito tempo serviu de orientação aos navegantes.
No limiar da correnteza que trouxe os intrépidos navegantes, o "oculto do mistério", vindo de Minas, se escondeu no terreno acidentado da ilha. Uma antiga lenda assegura que existe na ponta da Ilha do Fogo uma grande serpente amarrada em três fios de cabelos de Nossa Senhora das Grotas (Padroeira de Juazeiro). No dia em que a serpente se libertar, diz a lenda, as cidades de Juazeiro e Petrolina serão inundadas.
Nos livros sobre lendas do Velho Chico não faltam depoimentos de pessoas que afirmam piamente terem se deparado com a tal Serpente D’água. Com relação à origem do nome da ilha, Lúcio Emanuel, profundo conhecedor das tradições ribeirinhas, afirmou que nas noites de trevas densas um brilhante foco iluminava o pico da ilha formada de uma gigantesca saliência de granito, daí o nome Ilha do Fogo.
Com o passar dos anos e das águas, as lendas em torno da ilha foram se estreitando com uma intensidade similar ao próprio estreitamento físico. Na ausência de serviços de proteção aos efeitos da erosão fluvial, a Ilha do Fogo, que tinha por volta de 54 mil metros quadrados, hoje tem no máximo 32 mil.
Francisco de Assis Bernardino, popularmente conhecido como Assis da Ilha do Fogo, foi testemunha deste processo. Desde que chegou à região, no final do ano de 1992, ele vive na ilha com a família. “No início de 1993, teve uma grande enchente por aqui, houve remoção de areia e erosão. Do lado de Juazeiro, o pessoal colocou sacos de areia para a água não invadir a cidade”, afirma Assis, que investiu o dinheiro que trouxe na construção do Terminal Turístico da Ilha do Fogo.
Com o início da duplicação da ponte Presidente Dutra, o movimento no Terminal Turístico diminui bastante. Um lugar que antes recebia por volta de 2500 pessoas por semana, hoje tem recebido no máximo 500 pessoas. “Atualmente, a gente divide a ilha com os consórcios que estão duplicando a ponte”, explica Assis, desolado. E, em seguida, complementa: “Eu estou aqui guardando a posse de todo o patrimônio, que não é só material. Eu amo a Ilha do Fogo!”.
“Sim, mas e quanto à serpente: existe mesmo?”, pergunto. Assis, sorrindo, aponta para o Casarão, onde 32 funcionários edificaram um restaurante com pista de dança e camarote: “Se a serpente estiver lá dentro está meio difícil de se soltar. Tem mil metros quadrados de concreto em cima dela”.
Vendo tanta beleza custo a acreditar que a seca impere em outros lugares do sertão.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 13/4/2008 13:57
Clara,
A seca também faz parte da paisagem de Juazeiro, em boa parte do ano. E, assim como em Juazeiro, existem outros lugares no sertão que são lindos...
Só tem uma coisa: dificilmente são veiculados.
Abraços...
Diante deste magnifico texto so posso dizer...votadissimo!!!lindo mesmo parabéns...passe no meu cantinho e comente sobre a MULHER BANDIDA... beijos no core...
Nadir Vilela Poetisa · Itatiaia, RJ 14/4/2008 01:09Não, poderia deixar de votar, só lendo o texto, me senti como se estivesse la. Muito lindo!!! um GRANDE BJ.
bruno brito · Cardeal da Silva, BA 14/4/2008 09:28Parabéns,voce é realmente notavel, seu texto, nos transporta para uma verdadeira viagem na história, de uma forma encantadora!!! surpreendente, maravilhoso!!!
Rita Reis · Cardeal da Silva, BA 14/4/2008 09:45
Osete,
Que belo texto! Breve visitarei esse pedacinho do paraíso.
Parabéns !!!
Um forte abraço!
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