Já são quase 100 anos de uma das mais charmosas áreas de lazer do subúrbio carioca. Quem circula pelo Méier há algum tempo pôde observar o bairro crescer em volta do Jardim. Os batalhões do Corpo de Bombeiro e da Polícia Militar, grande parte do comércio e mesmo o Hospital Salgado Filho surgiram depois da construção do Jardim (1916). Naquela época as estações de trem eram os principais pontos de referência dos bairros, local por onde se desenvolvia a dinâmica social de cada área.
Nos anos 60/70 a rede de educação pública de São João de Meriti, minha cidade natal, já sofria grande carência de colégios secundaristas. Esse quadro acabou empurrando minha mãe, Dona Vera Lúcia, para uma escola no Méier, que fica a mais ou menos uma hora de São João. “Naquela época o Jardim ficava cheio de estudantes. O pessoal jogava carta, namorava, tinha um clima de inocência”, relatou Dona Vera. Apesar do grande fluxo de pessoas utilizando o espaço do Jardim, o mesmo só foi reconhecido como área pública em 75.
Desde sua inauguração a praça sofreu intervenções paisagísticas significativas: a instalação da fonte, o parque de brinquedos infantis, as mesas para jogos, a cabine da Guarda Municipal. Porém, entre todas essas mudanças a mais sentida pelos moradores foi a instalação de grades e portões que permitem a administração, literalmente, fechar o Jardim. A argumentação da prefeitura, obviamente, passou pela questão da violência. Mas mesmo com as restrições de horário, o charme do Jardim do Méier continua atraindo não só estudantes, mas também aposentados, crianças e toda sorte de transeuntes.
Ao passo que o acesso ao Jardim sofreu restrições, outras possibilidades foram sendo criadas. Hoje o espaço é utilizado por diferentes projetos que oferecem para a comunidade atividades como: aula de ginástica, alongamento, yoga e capoeira. Seja para quem está só dando uma passadinha, seja para quem “bate ponto” com freqüência, o Jardim do Méier continua sendo uma bela uma alternativa para quem ainda se permite perder parte do seu dia ganhando o prazer de sentar no bom e velho banquinho de praça.
Uma boa agenda.se bem que o méier já não é tão tranquilo,como todos os lugares do Rj
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 23/3/2008 19:10
ai que tá.
não sei até que ponto algumas partes da cidade são inseguras porque as pessoas tem medo de ocupar o espaço público. ou se esse esvaziamento do espaço publico que provoca a insegurança.
Taí meu voto...arredondei ai os 70 votos...
Walesson Gomes · Belo Horizonte, MG 24/3/2008 18:34
Pô, João,
Você leu meus pensamentos e me roubou uma pauta! :)
Eu tinha colocado essa nota aqui sobre a Igreja Coração de Maria e o próximo passo seria o Jardim do Méier. Tirei as fotos ontem, sem perceber que você já tinha colocado a dica no Guia.
E concordo em absoluto com o que você fala sobre o medo de se ocupar os espaços públicos. Acho que você tocou num ponto realmente importante. Tanto que o estreito corredor acima do Jardim do Méier, entre o gradeado do jardim e a emergência do Salgado Filho, tornou-se muito mais perigoso após o cercamento, já que obviamente perdeu circulação.
Espero que você também não esteja pensando em conversar com o lambe-lambe que vive por ali... :)
e ai viktor, beleza?
méier é o bicho, ando por lá desde os meus 14, 15 anos
já andei de skate, já toquei, já namorei, fiz de tudo pelo méier
sobre o lambe-lambe, ele, curiosamente, não estava por lá no dia que fiz as fotos.
abração!
Bacana esse olhar sobre o Jardim do Méier. O Rio tem tantos espaços públicos bacanas. Aqui temos alguns parque e jardins que tiveram o mesmo "cercamento", com horário de funcionamento e tudo. É uma pena que isso aconteça. As praças e jardins são espaços que deveriam ser de livre circulação. Concordo sobre não saber se a violência vem da cerca ou a cerca vem da violência. Acho que o que a cerca e as grades representam pode ser causa de mais violência que o espaço aberto e democrático.
Ilhandarilha · Vitória, ES 14/3/2009 18:01Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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