Plantas catalogadas e descritas por Euclides da Cunha no livro “Os Sertões”. Pilar, tijolos e pedras do alicerce da Igreja Velha de Bom Jesus. Armas pederneiras em sílex usadas pelos conselheiristas. Crânios humanos de possíveis combatentes e objetos de utensílios domésticos do ano da graça de 1897. Essas são algumas relíquias possíveis de serem observadas numa visita ao Memorial Antônio Conselheiro.
Museu, biblioteca, salão de vídeo, auditório, painéis, mostruários, expositores e um belo Jardim compõem o Memorial, inaugurado em homenagem aos 100 anos do Massacre, Guerra, Movimento, Revolução, Insurreição ou como vocês queiram chamar a história da maior Epopéia Nacional.
Na exposição Arqueológica, objetos encontrados nos Sítios Arqueológicos trazem o relato mais completo do cotidiano de batalha, identificando locais de acampamento, hospitais de sangue, zonas de combate, trincheiras etc.
Fragmentos de granadas, garrafas, frascos, botões, numeração indicativa de batalhão, fivelas, estojos e projéteis de fuzis Manlicher e Comblain são reflexos de estratégias de sobrevivência no momento em que ocorreram os embates entre o exército brasileiro e os defensores de Canudos.
Uma urna com o protótipo de um soldado morto no campo de batalha traz o emblema de uma lira inscrito na farda, algo que, para um observador cuidadoso, é um indicativo de que se trata de um músico da cavalaria. E assim os vestígios espalhados pelo Memorial vão sendo preenchidos de significados.
Para quem chega ao Memorial munido de um bom conhecimento da História do Brasil, o crânio de uma pessoa negra pode ser indicativo de que o Movimento de Canudos estava abrigando negros ex-escravos que continuavam sendo perseguidos ou explorados por grandes fazendeiros ou coronéis da região.
Na ala reservada para o Museu Arqueológico estão expostas máscaras da réplica da cabeça de Antônio Conselheiro e uniforme militar, objetos estes usados no filme “Guerra de Canudos” (1997), de Sérgio Rezende.
Além disto, fotos de pessoas como João de Régis, o descendente de conselheiristas que mais contribuiu para a divulgação dos fatos referentes ao conflito, estão espalhadas pelas paredes e em locais de fácil acesso, bem visíveis e em bom estado de conservação.
Na área externa que ladeia o Memorial é possível nos defrontarmos com descendentes dos maiores adversários enfrentados pelo exército brasileiro. Umbuzeiro, umburana, xiquexique, catingueira, mandacaru, bromélia, angico, favela, quipá (espécie de cacto que tem espinhos extremamente agressivos ao corpo humano) são só alguns exemplares das armadilhas que a própria natureza criou no teatro de operações.
Entre as mais de 50 espécies de plantas da flora sertaneja que se encontram no “Jardim Euclidiano João de Régis”, uma se destaca pela simplicidade e importância simbólica: O Canudo-de-pito, uma planta cujos galhos têm forma de canudo, muito utilizada na confecção de cachimbo. Está nela a origem do nome do lugar. Como está na clarividência da inscrição de uma placa junto ao monumento de homenagem aos conselheiristas a origem do Memorial: “Os vencidos também merecem um lugar na História. Não devem ficar no anonimato.” (José Calazans).
Aqui tivemos uma história muito parecida com "Canudos". Foi o "Caldeirão de Santa Cruz", liderado pelo Beato Zé Lourenço. Milhares de pessoas foram assassinadas lá, e por incrível que possa parecer, aqui muitos não conhecem a história. Por isso também, acho importantíssimo um Memorial assim, é bom que as autoridades competentes vejam a importância da preservação de uma história para conhecimento da população, ainda mais quando essa história tem por trás todo um contexto social e político, capaz de servir de exemplo pra muitas pessoas por aí que vivem com os braços-cruzados diante da miséria e das injustiças sociais. Parebéns pela matéria trazida ao Overmundo, e obrigada pela informação do lugar.
JACK CORREIA · Crato, CE 7/6/2008 17:19
Luís,
Ótima matéria trazida para nós.
Enquanto não posso o lugar, vou votando...
Abs,
CORRIGINDO...
Enquanto não posso conhecer o lugar, vou votando...
Luis, fantastico. Estou guardando para ler com mais calma. Reler. Aprender.
Este tipo de inserção deve ser conduzido, repisado.......O Brasil
precisa tomar sua linha partindo de Palmares, demorando em CANUDOS.
abraço
andre.
pessoal,
valeu pelos comentários.
conversando ontem com um pesquisador sobre a rota da cultura sertaneja descobri que, em canudos, existe um outro memorial. isto porque há um certo ciúme dos movimentos populares de canudos com a universidade do estado da bahia, havendo portanto uma divisão dos acervos referentes a canudos em dois memorias.
infelizmente, não visitei o outro, que, segundo o pesquisador, é mais rico em reminiscências da canudos de antônio conselheiro. assim que puder voltar a canudos, trago o relato deste outro memorial para o overmundo...
abraços,
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