Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville

Urda A. Klueger
Sambaquiano não é índio, sabia?
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Labes, Marcelo · Blumenau, SC
13/10/2007 · 163 · 11
 

A escritora e historiadora Urda Alice Klueger confessou, numa crônica lá de 1998, que sentia inveja dos povos pré-colombianos que habitavam as regiões norte noroeste da América Latina (onde viveram, entre outros, os incas, os maias e os astecas) pela herança cultural que haviam deixado para seus descendentes e para a História. Mas na mesma crônica a escritora se retrata, diz que não sente mais inveja coisa nenhuma. E deu-se conta disso depois de ter visitar o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville.

Talvez os sambaquis sejam as maiores amostras de que havia moradores pré-históricos, mas proporciona muito mais do que isso: estudos arqueológicos que garimpam este tipo de formação artificial encontram pedaços de ferramentas, partes ósseas de seres humanos e até (quem diria!) arte.

A microrregião de Joinville, que compreende também os municípios de Araquari, São Francisco do Sul, Barra do Sul, Itapoá, Garuva, Schroeder, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Corupá e Barra Velha possui cadastrados cerca de 150 sítios arqueológicos. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a Polícia Militar Ambietal e os técnicos do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville – MASJ, têm catalogados e vistoriados os sambaquis existentes, mas muitas vezes os sítios não foram identificados e acabam sendo destruídos pela indústria imobiliária, que cada vez mais avança contra os mangues e pelo litoral norte do estado.

Mas falemos do que devemos falar. Quando Urda disse que sentia inveja dos povos andinos por seus Museus de História, não imaginava que tão perto encontraria tanto acerca da história do que um dia viria a ser o Brasil. Descobriu, por exemplo, que quem fez os sambaquis não foram os índios, mas o sambaquianos, que viveram em território brasileiro muito antes da chegada dos índios e que, talvez, os dois povos talvez até tenham mantido algum contato.

Joinville, por ser a maior cidade do Norte do Estado então sedia o Museu Arqueológico que sintetiza — e guarda com muito cuidado — algumas peças que ajudam a montar o quebra-cabeças que é tentar compreender o modo de vida de um povo que viveu por aqui desde 6.000 a.C. O MASJ é, hoje, referência internacional em povos pré-coloniais e mantém um acervo certamente interessante.

O MASJ surgiu depois de, em 1963, ser comprado o acervo de um colecionador amador. Inaugurado em 1969, o Museu tem o poder de requerer e guardar qualquer tipo de amostra arqueológica encontrada na região. Uma vez que este tipo de material pertence à União, cabe a um órgão competente guardar e preservar. Mas, felizmente, como tem acontecido por todo o Brasil nos últimos anos, o MASJ não se atém a ser um arquivo de peças pré-históricas.

Preservar a História é uma tarefa um tanto difícil quando se trata de sítios arqueológicos espalhados por toda uma região. Por isso, o MASJ, em parceria com o Iphan mantém um importante projeto de educação da população, sobretudo de estudantes, a fim conseguir entre a população parceiros que ajudem a preservar os sambaquis já conhecidos e procurem as autoridades competentes quando da descoberta de um novo sítio arqueológico.

Se conhecer o passado do Brasil de 1.500 para cá já é uma tarefa e tanto, o que dizer então de investigar o passado remoto das terras brasileiras. Que tal voltar a 6.000 antes de Cristo e começar uma aventura na História. O primeiro passo pode ser em direção ao Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. E então?

onde fica
Joiville fica na região Norte de Santa Catarina. Chega-se facilmente à cidade pela BR 101.

Dentro do município, é preciso rumar para o centro da cidade e depois para o Centreventos. O endereço do MASJ é Rua Dona Francisca, 600.
por que ir
Além das duas exposições itinerantes do MASJ - Ossos para Ofício e Afinal, o que é Arqueologia? - e da provável super aula de história, vale a pena tentar compreender como se pode resgatar nosso passado mais remoto e como isso pode nos ajudar a compreender o próprio presente.
quando ir
O MASJ fica aberto nos seguintes dias e horários:
Terça a Sexta - 9h as 17h
Sábado, Domingo e Feriado - 11h as 17h
quem vai
Estudantes, turistas, curiosos, arqueólogos, pesquisadores...
quanto custa
Entrada Franca
website
http://www.joinvillecultural.sc.gov.br/
contato
Fone/Fax: 47 3433-0114
Fone/Fax: 47 3433-1162

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Tetê Oliveira
 

Interessante, Labes. Mas por que os pesquisadores afirmam, com tanta certeza, que os sambaquianos não eram indígenas?
Abraços.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 10/10/2007 21:07
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Labes, Marcelo
 

Tetê, as certezas teóricas eu não tenho, mas por cima posso te dizer que os indígenas chegaram à região sul somente 2.000 a.C. e os sambaquianos, se tem registro de vivência aqui em 6.000 a.C. Os dois povos devem ter convivido uns mil, dois mil anos e o motivo crucial dos sambaquianos ainda é desconhecido.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 10/10/2007 21:15
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Lobodomar
 

Interessante e educativo. Um excelente trabalho de pesquisa. Marcado para o voto. Grande abraço, Labes! Parabéns por esse belíssimo e importante trabalho!

Lobodomar · Guarapari, ES 10/10/2007 23:11
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Labes, Marcelo
 

Muito obrigado, Lobo. Imagino que ter escrito a respeito do MASJ não chegue nem perto de uma visita, não? Pois qunando vieres ao Sul, experimente dar uma passada por Joinville.

Grande abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 11/10/2007 00:14
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Lobodomar
 

Labes, voltei para votar. Quando eu for ao Sul novamente, Joinville será parada certa. Grande abraço!

Lobodomar · Guarapari, ES 12/10/2007 15:42
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Marcos Paulo Carlito
 

Pronto, tá eleito.

Legal isso viu Labes, de valorizar e divulgar locais que são patrimônio da humanidade. Pena que pouco foco se dê ao assunto em nosso país. Só destemidos como você para levar o assunto adiante.

Valeu cara!

Marcos Paulo Carlito · , MS 13/10/2007 10:22
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Labes, Marcelo
 

Marcos, eu acho que o melhor ensinamento de que o país merece e precisa ser valorizado quanto a seus patrimônios históricos está no texto e na pessoa da escritora Urda A. Klueger, que tem link ali em cima. Depois de visitar o MASJ, a curiosidade foi tanta que ela cursou história, concluiu o mestrado e precisou também escrever sobre os sambaquianos. Mas é naquelas (sem querer parecer nacionalista): temos muito o que aprender - porque temos muito o que estudar - sobre terras brasileiras.
E o mais interessante é buscar respostas em antes de Cabral.

Muito obrigado pela leitura e pelo comentário elogioso.

Grande abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 13/10/2007 11:25
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Ériton Berçaco
 

Votado, Labes!

Ériton Berçaco · Muqui, ES 13/10/2007 16:50
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Candice Gonçalves
 

Adorei a matéria, Labes! Me deu até vontade de escrever sobre Santana do Cariri, aqui pertinho do Crato, onde temos uma riqueza enorme de fósseis, um verdadeiro Sítio Arqueológico! Mais uma riqueza desse nosso gigante Brasil! Abraços. Votadíssimo!

Candice Gonçalves · Crato, CE 25/10/2007 01:52
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djalma amaral
 

Muito interessante! Ainda vou conhecer.. Tenho amigos la.
Ah da uma espiada no filas de edição ,Guia, ( Feira de artesanato da Fip em Brusque, e por favor de sua opiniao.
Um abraço!

djalma amaral · Itapema, SC 11/2/2008 17:42
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Labes, Marcelo
 

Djalma, é um grande prazer encontrar um quase conterrâneo por estas bandas. Sabes que não temos muitos catarinenses neste espaço? Eu mesmo tenho andado distante, mas é bom saber que mais catarinenses têm aqui vindo, mostrando que nosso estado não é somente rural, como se pensa, ou de espírito, como quase se vê.

Visite o museu!

Grande abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 12/2/2008 00:56
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