A música tem o dom de despertar paixões e ocupar a vida das pessoas desde os primórdios, quando a única forma de ouvir música era ao vivo, até as discografias completas em HDs do nosso século.
Para ouvir uma música, o público tinha de ir aonde o artista estava. Ir aos espetáculos era a única forma de colecionar as canções e os artistas. Com a chegada das gravações, a música ficou mais palpável. Um produto físico passou a existir e, com ele, seus derivados: fotografias, entrevistas, a vida pessoal... E inúmeros fãs, espalhados pelo mundo, passaram a guardar suas paixões em coleções que contém as mais variadas exposições de um determinado artista. E um desses fãs é o engenheiro e matemático baiano Paulo Brandão, que uniu a ciência exata e racional do seu ofício com a ciência humana e emocional da sua paixão, montando o Museu da Música Brasileira.
Apaixonado por música, durante a sua vida Paulo adquiriu discos e tudo o mais de artistas como Carmem Miranda, Pixiguinha, Caetano, Orlando Silva, João Gilberto, Tom Jobim, Chico Buarque, Caymmi, entre outros. Com o passar do tempo, sua coleção atingiu tal tamanho que chegou ao ponto de sua casa virar uma espécie de “clube de mostrar coisas”, onde pessoas desconhecidas iam lá só pra conhecer o seu acervo. Achou então que era hora de expor (profissionalmente) o que tinha e, aproveitando o espaço físico de sua loja, uma loja de CDs, DVD’s e livros, montou o seu museu. “O Brasil não foi cinema, nem teatro, nem livro; foi música. Se alguém quiser conhecer a história do Brasil, tem que conhecer sua música”, justifica ele. Discos raríssimos, filmes com música brasileira, cartazes desses filmes, partituras, autógrafos e até uma tela pintada por Caymmi (a última aquisição do museu, por um valor que ele não revela) estão lá, juntos com outros artefatos como o programa do último show de Caetano e Gil, no TCA, antes de irem pro exílio em Londres, em 1969. Na noite que o homem pisava na lua pela primeira vez, tendo a humanidade toda voltada pra esse acontecimento, Caetano e Gil pisavam no palco do teatro mais emblemático da Bahia, sem saber quando voltariam a pisar ali. O programa em si é uma relíquia que, além das informações do show, tem também autógrafos de todos os envolvidos nele.
Outra raridade é o disco Arena Canta Bahia, que é a primeira montagem dos baianos no Rio: Bethânia, Tom Zé, Gilberto Gil e Piti. “Piti?”, perguntei. Ele explicou: “Piti é um cara que hoje assina como Piti Costa por causa da cantora, também da Bahia, Pitty. É um tropicalista completamente desconhecido”. Com as aquisições, Paulo passou a também colecionar, naturalmente, dados sobre as músicas e os artistas. Informações e comparações que ele percebeu que tinha armazenado em seu cérebro de matemático e que agora estão em textos, ao lado dos objetos expostos, em português, inglês, francês, alemão e italiano. “Os estrangeiros conhecem muito mais a nossa música do que a gente. Pelo menos demonstram mais interesse”, diz ele, que critica o fato de o brasileiro não ter a curiosidade em saber como esse cenário foi montado. “Como é que não sabemos como Caetano virou Caetano, como que Tom Zé virou Tom Zé?”, questiona.
O museu está dividido em salas com os temas Bossa Nova e Tropicália; Samba e Música Instrumental; Música Nordestina; e em breve ele quer colocar, quando adquirir mais relíquias, os temas Rock Nacional e Jovem Guarda.
No Museu, há uma televisão e uma poltrona pra assistir aos diversos filmes onde a música brasileira está inserida, como o "Você já foi à Bahia?", desenho em que Zé Carioca apresenta, junto com Aurora Miranda, irmã de Carmem, a Bahia ao Pato Donald. Tudo no traço de Walt Disney.
– Você já foi à Bahia, Donald? – pergunta Zé Carioca.
– No – responde o pato, cantando alegremente.
Parabens pela iniciativa. Na minha proxima visita a Salvador, visitarei o museu. Bjos.
graça grauna · Recife, PE 3/12/2008 07:54Uma dica maravilhosa... uma "viagem sonora" no tempo! Valeu! Abraços.
JACK CORREIA · Crato, CE 6/12/2008 18:39
Muito legal a dica.
Irei conhecer logo logo.
=)
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!