Museu Nacional de Imigração e Colonização

Divulgação / Museu Nacional de Imigração e Colonização
A entrada do Palácio dos Príncipes que os príncipes não chegaram a conhecer.
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Labes, Marcelo · Blumenau, SC
26/10/2007 · 81 · 2
 

Santa Catarina, enquanto estado colonizado por europeus, oferece ao turista várias formas de se encontrar com este passado. Os municípios, se não têm um museu contando a história de seus primeiros moradores, pode ele mesmo ser um museu a céu aberto, como muito vemos neste estado: são construções, são as pessoas dessas cidades que trazem em suas características fisionômicas um pouco — e às vezes muito — das características de seus antepassados.

Joinville, o maior município catarinense, tem uma história, por assim dizer, charmosa. Tendo sido um presente ao casal François Ferdinand Phillipe de Orleâns e Francisca Carolina (ele, príncipe, filho do imperador francês Louis Phillipe; ela, princesa, filha do imperador Dom Pedro I), as terras da atual Joinville foram cedidas, no século XIX, à Sociedade Colonizadora de Hamburgo, agência encarregada de trazer ao Brasil imigrantes alemães. Daí em diante, a cidade toma forma, organiza-se, cresce e se torna uma potência econômica. E uma potência cultural.

Referência nacional em resgate histórico do período de imigração européia, o Museu Nacional de Imigração e Colonização foi criado pelo governo federal em sociedade com a prefeitura municipal no ano de 1957. O complexo histórico procura resgatar tanto a história inicial e remota dos primeiros donos da terra (os príncipes) como a conseqüente imigração alemã ocorrida a partir da venda das terras para a Sociedade Colonizadora Hamburgo. É aqui que reside uma grande questão: o charme da história da cidade não poderia ser contada se não fosse também de uma forma charmosa.

Palácio dos Príncipes

As terras de Joinville foram um presente de casamento a François e Francisca. Isso em 1843. No entanto, somente oito das 25 léguas de terra haviam sido vendidas; o restante ainda pertencia ao casal de príncipes. Pois que em sua homenagem — e para recebê-los com muito conforto nos veraneios — foi ordenada a construção de um palácio, com a entrada delimitada por duas filas de palmeiras imperiais. Ricamente mobiliada, a construção nunca recebeu seus verdadeiros donos. É. Os príncipes nunca chegaram a conhecer seu lote de terras. E é nesse prédio que hoje se conta a história do município.

Além de riquezas, o Museu oferece um passeio (de mão única, atenção) pelos hábitos culturais e pela história da colonização européia no Brasil do século XIX. Ali podem ser vistas coleções de artigos históricos, como mobílias e aparatos caseiros. Mais do que objetos, pode se ter idéia de em que contexto viviam os imigrantes não somente de Joinville, mas de mais algumas dezenas de municípios do sul do Brasil quando estes ainda eram colônias.

No jardim do Palácio foi reconstruída, em 1980, uma casa em estilo enxaimel datada de 1905. Reconstruída em sua estrutura externa e decorada como se fosse uma autêntica moradia colona, a Casa Enxaimel oferece ao visitante a possibilidade de perceber de que forma estavam distribuídas, em suas épocas, as casas coloniais que hoje são soterradas por prédios na região sul — e que acabaram por se tornar pontos turísticos isolados. No século XIX, a noção de urbanização era muito diferente da que temos hoje, já que não havia a real distinção entre urbano e rural. É assim que a Casa Enxaimel expõe seu acervo histórico: com um pé no sítio e o outro na cidade.

Esse encontro entre urbano e rural pode ser apreciado no Galpão de Tecnologia Patrimonial. A construção, montada nos moldes dos galpões coloniais, tem em seu acervo maquinários e ferramentas, em linha evolutiva, usados pelos imigrantes desde sua chegada, em 1851.

Joinville tem muita história pra contar!

onde fica
Joinville fica ao norte de Santa Catarina e chega-se à cidade facilmente pela BR 101. Para chegar ao Museu, que fica no centro, pode ser interessante visitar seu site e verificar, por lá, o mapa que mostra o melhor caminho e os pontos de referência.
por que ir
Pela importância que tem este Museu. Apesar de vários municípios possuirem museus (germânicos, italianos, poloneses) poucos conseguem sintetizar tão bem a vida colonial e a evolução das colônias européias em terras brasileiras.
quando ir
O Museu Nacional de Imigração e Colonização está baerto de terça a sexta-feira, das 9h às 17h.

Mas atenção: sábados, domingos e feriados fica aberto das 11h às 17h.
quem vai
Estudantes, turistas, pesquisadores, gente interessada em compreender a história da colonização européia, de como ela se deu e de que forma influencia a contemporaneidade.
website
www.museunacional.com.br
contato
Telefones: (47) 3433-3736 e (47) 3453-3499

comentrios feed

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Candice Gonçalves
 

Um verdadeiro passeio pela história. Parabéns, overmano Labes! Gosto da sua forma de escrever. E adorei as fotos, retratam bastante o museu. Senti falta de fotografia dos jardins, que nesses casarões, são sempre lindos e bem cuidados. Abraços e votos!

Candice Gonçalves · Crato, CE 26/10/2007 08:45
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Labes, Marcelo
 

...e cheios de raridades. Muitas das plantas do jardim, Candice, vieram de outras regiões do Brasil, a fim de enfeitar a casa dos príncipes. Obrigado pela leitura e por elogiar meu jeito de escrever. Sempre penso que escrevo demais.

:)

Grande abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 26/10/2007 09:40
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Ambiente interno do Palácio, com móveis importados da Bahia. zoom
Ambiente interno do Palácio, com móveis importados da Bahia.
Área de serviço da Casa Enxaimel, montada à maneira antiga. zoom
Área de serviço da Casa Enxaimel, montada à maneira antiga.
Carro fúnebre utilizado na cidade e que agora repousa no Galpão. zoom
Carro fúnebre utilizado na cidade e que agora repousa no Galpão.

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