Elas levam aproximadamente 60 dias para serem produzidas, numa colcha de retalhos de solda com 20 metros de comprimento por 4,2 metros de largura e um metro de profundidade. Terminado o empreendimento, são batizadas por seu proprietário e entregues ao sabor das marés.
Até hoje não se sabe se as cidades acordam com o ronco do motor das barcas ou se as barcas acordam com os passos apressados de seus primeiros passageiros.
O que se sabe é que às seis horas da manhã a primeira embarcação parte da margem direita do rio São Francisco, na cidade de Juazeiro (BA), em direção à cidade vizinha, Petrolina (PE), inaugurando o dia entre os primeiros raios de sol. E, até as 11 horas da noite, tudo é poesia no balanço gostoso sobre as águas do Velho Chico.
Entre 1958 e 1972, as barcas eram o principal meio de circulação da riqueza ribeirinha. A construção da barragem de Sobradinho, em 1973, esvaziou-as de gêneros de primeira necessidade e deslocou os barqueiros para o transporte diário de pessoas. Ainda na década de 70, com os constantes engarrafamentos na ponte Presidente Dutra, as barcas se apresentaram como um transporte alternativo e barato.
Um dos barqueiros que tiveram de se adaptar à nova travessia foi seu José dos Santos, marinheiro mais experiente destas bandas do São Francisco. Ele mostra orgulhoso o registro da data em que fez a Carteira de Marinheiro Fluvial de Máquinas: “30/11/1953”. “Este não é o regulamento não. É só a carteira. O regulamento é mais de 20 páginas sobre os direitos e deveres do patrão e do marinheiro”, explica seu José.
Conversa vai, conversa vem e ele sai de sua posição de timoneiro na embarcação para me apontar sua pupila: uma barca de 13 metros de comprimento por três de largura. O nome da barca não poderia ser mais emblemático: “Almirante Tamandaré”, homenagem ao patrono da Marinha do Brasil. E com a pose de um almirante, seu José sai definhando os nomes das vilas que margeiam o São Francisco.
O certo é que histórias (e estórias) de travessias não faltam, no vai-e-vem sincronizado que une as cidades em torno de uma magia colorida pela paisagem multicor do Rio São Francisco. “Olha, meu nome é José dos Santos, mas também me chamam de radiola, porque dizem que eu falo como uma radiola. E eu falo mesmo”, afirma sorrindo.
lembrei da música:
"Petrolina, Juazeiro, Juazeiro, Petrolina
Todas as duas eu acho uma coisa linda
Eu gosto de Juazeiro, e adoro Petrolina"
tá um passeio que inda num fiz, mas farei!
valeu pelo registro.
lindo guia! ótimo relato!!! dps dá uma olhada ali nos links que tem um texto meu tb sobre barcas!
Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 8/3/2008 11:06Nossa,além de informativo tem uma poesia impar!valeu
ca_co · Juazeiro, BA 6/6/2008 15:03
valeu ca_co...
me lembro de você: antes de iniciar minha escrita no overmundo já tinha lido um texto seu no banco de cultura. muito bem articulado (e cômico), diga-se de passagem...
abraços,
Osete,
De uma coisa é certa: quem viaja nas barquinhas... não esquece jamais e... volta!!!!
Bom! Muito bom! Bom demais!
Abraços,
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