Tomar banho com botos sempre foi uma cena inimaginável para muitos, que até hoje pode causar medo e estranhamento até para amazonenses, principalmente para os habitantes da neura urbanóide de Manaus. Mas há cerca de 150km da capital, a cidade de Novo Airão reserva para seus visitantes este raro e mágico contato aproveitando a aura mística que envolve tudo o que se refere ao Amazonas, fruto das explicações de mundo transmitidas por lendas e a vasta carta mitológica das etnias indígenas e populações locais ribeirinhas.
O flutuante de Marilda Medeiros, ou a “Marilda dos Botos” como é conhecida na cidade, fica na parte mais freqüentada da orla tanto por moradores quanto turistas. Sua fama já preencheu revistas e programas nacionais de TV apresentando a novidade, e, desde a superexposição, é cada vez mais freqüente a vinda de turistas de Manaus para viver a experiência. “Não explicar como isso começou, ficava deitada na beira do flutuante desde a época de colégio e eles começaram a ‘boiar’ cada vez mais próximos, passei a dar peixe para eles e até hoje eles vêm comer quando são chamados”, afirma Marilda.
Para os visitantes é cobrado um valor de R$ 20 reais por uma porção com cerca de 8 metades de peixe, geralmente é sardinha. O turista segue então aos fundos do flutuante onde, de uma plataforma, chama os botos batendo a mão na água para o momento maior de fascínio, quando os primeiros animais surgem como num balé aquático de reconhecimento. Com parte da cabeça fora d’água, os botos se aproximam calmamente e apresentam o bico aberto para pegar o pedaço do peixe da mão do turista e, caso seu nível de confiança permita, o visitante pode até mergulhar na companhia dos animais e alimentar os botos na água.
Mistificações à parte, alguns aspectos da experiência podem passar despercebidos graças à natural euforia que carrega qualquer pessoa de volta aos dez anos de idade, mas vale perceber que todos os botos que circulam pelo local pertencem a um grupo específico, logo, não são botos em sua condição natural, selvagem, que simplesmente estariam transitando pelo local e que resolveram fazer um lanche nas mãos de humanos. Do grupo de cerca de seis botos, todos têm algum tipo de cicatriz (perceba na foto), o que pode indicar uma eventual captura em redes, acidental ou não, ou algum incidente que, no processo de reabilitação tirou sua capacidade de caçar o próprio alimento, fator agravado pelo condicionamento pela comida fácil na área do flutuante. De qualquer forma, fica para o visitante a admirável habilidade, inteligência e cordialidade marcantes destes animais.
A LENDA
Conta a lenda entre a população ribeirinha que, nas noites de festa, o boto se transforma em homem, vestido de branco e de chapéu, seduz a mulher mais bonita do lugar com quem conversa e dança durante toda a noite. Em determinada hora, ambos se afastam do local para uma noite de romance, mas logo depois, o rapaz volta a se transformar em boto e desaparece, para meses depois a mulher se descobrir grávida.
Já vi na televisão, mas lá se disse que eram silvestres.
Jairo Oliveira Ramos · Aracaju, SE 11/1/2008 22:06
Entendo, Jairo.
The sun always shines on tv.
Grande abraço e obrigado por comentar.
Nossa terra é mesmo linda... E você conseguiu captar essa beleza com muita naturalidade, a foto ficou ótima! Eu até consegui sentir o calorzinho da água...
Samantha Monteiro · Manaus, AM 15/1/2008 16:16
Bela matéria. Deu vontade de visitar.
Abraços.
Oi Yussef. Belo texto.
Veja só, tanto tempo aqui em Manaus e não sabia dos botos de Novo Airão. É gratificante divulgar as belezas da nossa região ( digo nossa, mas não sou nativa), pois aqui temos uma verdadeira gama de encantos e magias que não acaba mais.
Bjsssss e parabéns pelo texto
muito linda a foto e o texto!
parabéns!
ooi Yussef, belo texto, o Boto é realmente algo de mágico um dia ainda irei visitar esse teu paraiso... parabéns...
beijos no coração.,..
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