A civilização do açúcar deixou em Pernambuco profundas marcas gastronômicas: o que seria de nós sem as rapaduras, os licores e doces de frutas da terra e os sensacionais bolos de noiva, de rolo e pé-de-moleque? EntrarÃamos em coma, mas não morrerÃamos, porque isso só iria acontecer se não existisse o aristocrático Bolo Souza Leão!
Como disse Maria LectÃcia Cavalcanti, estudiosa da nossa gastronomia, se houve um momento de independência da culinária brasileira, pode-se dizer que isso se deu quando foi criado, lá no Engenho São Bartolomeu, na Muribeca, essa jóia da coroa da cozinha pernambucana. Até então, se usavam ingredientes importados da Europa para a confecção dos acepipes que faziam a festa dos senhores de engenho e fidalgos da época. Era farinha de trigo pra lá, azeite de oliva pra cá, manteiga francesa, mel, amêndoas, nozes e por aà vai.
Mas eis que no dito engenho, nos idos do império, D. Rita de Cássia Souza Leão Bezerra Cavalcanti, de tradicionalÃssima famÃlia pernambucana de senhores de engenho, junto com suas quituteiras capitanearam essa revolução gastronômica e resolveram juntar ingredientes da terra numa única receita: massa de mandioca peneirada oito vezes (!!!), açúcar (coisa de 1 kg sem dó nem piedade!), leite de seis cocos (!!!), manteiga e, pasmem, 18 gemas de ovo (!!!!), resultando num dos mais famosos bolos brasileiros, sÃmbolo da opulência da era açucareira. Essas quantidades podem até variar, mas o sabor doce acentuado e a consistência que lembra um pudim não mudam.
Até o imperador D. Pedro II e sua esposa D.Tereza Cristina não resistiram a essa lenda da nossa doçaria, quando de sua passagem pelas terras dos Souza Leão, em 1859. A receita dessa iguaria de milhões de calorias ocupa lugar de destaque no setor relacionado ao ciclo do açúcar do Museu do Homem do Nordeste, no Recife. E mais: acho que merecia uma campanha para se transformá-lo em patrimônio cultural imaterial do Brasil.
Será que você consegue tirar uma foto do magnÃfico pra mostrar pra gente, Josué? Não é fundamental não, mas ajudaria a dar água na boca... :)
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2007 19:05ô Helena, vou ficar devendo, porque só chego em Recife na próxima semana. Sei q tem umas fotos na web, mas não seria legal copiá-las, né? Acho que isso vai atiçar ainda mais a sua curiosidade. Abraço.
Josué · Recife, PE 27/3/2007 08:05
Ó ignorância... ainda não tinha ouvido falar desse bolo! Fiquei com MUITA água na boca...
Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 29/3/2007 09:07
Que prazer, Jô!
Venha nos visitar aqui em Cruz e traga um Souza Leão para um café na casa de Graça. Tá, já que você insiste, eu chamo Rocque para ir também...
Valeu a dica nesta minha intromissão no Overmundo.
Ósculos leoninos.
Edisandro
esse bolo parece ser muito bom mesmo, mas para mim nao se compara ao bolo de tapioca da São Braz.
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