PORTO DE BABAÇULÂNDIA
O porto fluvial de Babaçulândia, como os de muitas outras cidades ribeirinhas do baixo e do médio Tocantins, foi muito movimentado nas décadas de 1940 a 1960.
Quem pôs fim ao grande rebuliço que tomava conta de suas margens e do leito para a navegação foi a rodovia Belém-Brasília, construída a partir de 1958. Ela tornou mais rápido e seguro o transporte de passageiros e cargas a partir de então, substituindo o meio fluvial aqui na região. Por muito tempo o rio era a única alternativa, desde a entrada dos colonizadores paulistas pelo Sul nas minas dos goyazes(nome dos índios da região, daí a origem do topônimo Goiás), a partir das duas primeiras décadas do século XVIII.
No porto de Babaçulândia milhares de toneladas de babaçu foram embarcadas para o parque industrial de Belém-PA, onde eram processadas para utilização como óleo comestível e na indústria de cosméticos. Daqui da região saíam anualmente cerca de 1.100 toneladas do produto. Grandes fortunas foram feitas à época, sumindo com a mesma rapidez com que foram erguidas tão logo a atividade perdeu o status econômico.
Outra atividade também muito explorada na região, que o rio Tocantins cuidava de fazer aportar em Belém era a agroextração da malva, para a utilização de sua fibra no processamento de sacos de aniagem. Naquela época não havia preocupação com o meio ambiente. Como a qualidade da fibra da malva estava diretamente ligada ao período da colheita - início da floração da planta- ela foi quase erradicada da região pela impossibilidade de reprodução. No Pará e Amazonas hoje a Urena Lobata L.(malva) é plantada regularmente, o que não aconteceu nem acontece na região de Babaçulândia, onde foi quase extinta.
As duas atividades econômicas de então, molas propulsoras do desenvolvimento da cidade, foram substituídas - não por culpa da criação da Belém-Brasília, como crêem seus moradores - mas principalmente pelo avanço tecnológico.
Ficou para a população, que hoje olha saudosa para o leito magnífico do rio Tocantins e o sente reclamar a presença dos grandes barcos de carga e passageiros para até 60 toneladas, a certeza que a rodovia foi a grande culpada.
Na realidade, se as duas atividades não tivessem exaurido o seu potencial de gerar riqueza, com certeza a Belém-Brasília seria apenas a nova forma de transporte dos produtos, mais rápida e segura. O desenvolvimento do município permaneceria apesar da substituição do meio de escoamento de suas riquezas.
Mas a parcela mais velha da população que conviveu com o fausto e o fascínio do rio não perdoa a intrusão da rodovia em suas vidas. Reclama apenas: "Ela é a responsável por tudo isso".
Mudei de local, do banco para o Guia, por sugestão do Viktor Chagas:
Oi, jj. Muito legais as informações! Acho que você devia postar no Guia, num formatinho de nota mesmo, pra deixar a leitura ainda mais agradável. Mas muito bacana!
Viktor Chagas · Rio de Janeiro (RJ) · 13/8/2007 16:32
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Valeu, Rangel. É um mundão de água que você, morando no Pantanal, bem sabe como é.
abcs
jj Deveria publicar um livro, Babaçulândia, você tem muitas informações úteis sobre o Tocantins.
Abraço
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