O Rala-rala e a saudade

Yusseff Abrahim
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Yusseff Abrahim · Manaus, AM
23/5/2006 · 63 · 2
 

“Me dê aí um de groselha com menta pra eu lembrar do colégio”. Assim o comerciário Robson Matias, 32, pedia ao vendedor Paulo Rengifo, 19, uma das mais simples e populares iguarias típicas da cidade. O rala-rala surgiu em Manaus a partir dos anos 1970 com a chegada dos seus carrinhos trazidos do oriente, caiu no gosto da população ao ser vendido em frente às escolas e em algumas praças de Manaus sedimentando-se como um hábito que sobrevive até os dias de hoje.
O fascínio infantil pode ser explicado pela máquina que raspa o gelo, totalmente colorida, funciona ao girar uma manivela que pressiona o bloco contra uma lâmina, o resultado visual fica semelhante aquele gelo que se forma nas paredes de congeladores onde o cliente escolhe o sabor do suco que é colocado posteriormente. “Sempre trabalho com oito sabores, hoje trouxe maracujá, groselha, cupuaçu, coco, laranja, buriti, genipapo, menta e limão”, conta o jovem vendedor.
Tendo o gosto da nostalgia para os adultos, o giro da manivela desafia uma era de sorvetes industrializados encantando as novas gerações com sua simplicidade. Voltando à conversa entre cliente e vendedor, bastaram duas perguntas para Paulo descobrir que Robson, em seu tempo de estudante, comprava religiosamente o rala-rala de todo dia com o seu avô.

onde fica
Esquina da rua José Paranaguá com Marcílio Dias.
por que ir
Conhecer uma iguaria que atravessou o mundo desde o oriente para se consolidar no gosto e no imaginário manauara.
Para ver uma máquina de rala-rala em funcionamento por meio do cinema, no filme ambientado no Japão pré-segunda guerra, Memórias de uma Gueixa (Memoirs of a geisha, 2005), um episódio envolvendo um rala-rala torna-se o momento mais importante da vida da protagonista Sayuri, passando a determinar toda sua trajetória e destino. A máquina utilizada é identica às ainda encontradas em alguns pontos de Manaus.
quando ir
De segunda à sexta no horário comercial.
quanto custa
R$ 1.
contato
Contato: (92) 3675-2268.

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+ comentar
Tati Magalhães
 

Hehehe
Rala-rala em Maceió chama-se raspadinha, e também me lembra os tempos de colégio...

Tati Magalhães · Maceió, AL 24/5/2006 12:21
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Yusseff Abrahim
 

Que legal Tati!
Me contaram que em Fortaleza tambem tem umas maquinas assim...
Acho que nao preciso dizer que foi uma nota muito especial, gosto de infancia e porta de colegio.

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 25/5/2006 20:42
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