Joana, olhando a fotografia de Joaquim Correia Lima, mais conhecido como Mestre Quincas, desconfia da historiografia oficial. “Eu vejo aquela foto e penso: Rapaz, 40 anos e já daquele jeito...”.
Nas convergências históricas, é possível saber que Joaquim freqüentou a Escola de Belas Artes de Salvador, foi fotógrafo profissional e chefe de pintura da Leste Brasileira. Aos 40 anos, morreu afogado nas águas do Rio São Francisco.
O que as fontes oficiais ainda não conseguiram definir é uma data precisa para o nascimento do patrono da Oficina do Artesão. Segundo a “biografia” disponível no banco de dados da Oficina, Mestre Quincas nasceu na fazenda Poço de Pedra, em Juazeiro-BA, no dia 4 de setembro de 1900. Já a placa de inauguração do prédio indica o ano de 1995 como centenário do artesão.
Por sinal, indefinição é uma palavra que acompanha diariamente o suor derramado pelos cerca de 20 artesãos e artesãs que compõem as alas do prédio. Antes uma passagem obrigatória no roteiro turístico da região, a Oficina tem mergulhado num esquecimento incômodo. “Entra dia, sai dia, e não aparece ninguém...”, afirma Joana, a recepcionista do local. Como conseqüência, as vendas foram reduzidas consideravelmente: de seis mil reais para mil e quinhentos por mês.
Se o salão de vendas e exposição dos produtos está sempre vazio, o mesmo não se pode dizer do espaço de produção do artesanato. O ritmo intenso dos artesãos reflete a proximidade de um dos eventos mais esperados do ano: a Fenneart - Feira Nacional de Negócios do Artesanato, que acontece em Julho, no Recife-PE. Os artesãos se programam o ano inteiro para garantir a presença nesta Feira.
Só não dá para programar a falta de matéria-prima. A Umburana, árvore mais utilizada para a produção das esculturas, está escassa. No mesmo dia em que estive na Oficina do Artesão, uma equipe de TV local produziu uma matéria sobre a perda de qualidade dos produtos pela utilização de uma madeira menos modelável.
Os artesãos aproveitaram para fazer um apelo aos órgãos públicos: A possibilidade de utilizar os troncos de Umburana que vêm sendo extraídos para a abertura dos canais de Transposição das águas do Rio São Francisco, em Cabrobó-PE. A precisão é tanta que eles mesmos se dispuseram a buscar.
Eis que mais uma vez as águas controversas do Rio São Francisco se interpõem no caminho dos artesãos. A esperança agora é que, nesta correnteza, ninguém morra afogado.
MUITO OPORTUNO O OLHAR SOBRE A OFICINA DO ARTESÃO EM PETROLINA, LUIS TERCE UM PANORAMA DE PARTE DESTE ESPAÇO EM QUE A PRODUÇÃO DO ARTESANATO É FEITO DE FORMA CONSTANTE. PRECISAMOS NOS APROFUNDARMOS MAIS NESTE FAZER E EM QUE CONDIÇÕES. ACHO MUITO POSITIVO AS CONTRIBUIÇÕES, AS ANÁLISE E O CARINHO COM QUE SÃO VISTOS ESTES ARTISTAS DA NOSSA CULTURA POPULAR.
AGOSTO TEM O MERCADO CULTURAL RAIZ E REMIX.
ABS.
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