No início, a freqüência era pequena. Mas, em pouco tempo, a propaganda boca-a-boca e a curiosidade provocada pelo entra-e-sai cada vez maior do imóvel tornaram o empreendimento um sucesso. O movimento começa cedinho, às 4h da manhã. Pouco depois, o lugar já está lotado. Quem chega mais tarde, fica do lado de fora mesmo. Por dia, umas 300 magrelas circulam por lá – ou melhor, pelo bicicletário mantido pela SuperVia (concessionária dos serviços de transporte ferroviário no Rio e Grande Rio) ao lado da estação de trem de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
A idéia do espaço surgiu através de dois funcionários da SuperVia, que perceberam a carência de um serviço que atendesse à comunidade e sugeriram a sua criação à empresa. As bicicletas são meios de transporte muito populares na Baixada Fluminense – e, acredito, na periferia das grandes capitais e no interior em geral – não só pela economia com passagens, mas também pela pouca oferta de transporte público nessas regiões.
Desde julho de 2002, quem mora fora do centro de Belford Roxo, viaja de trem e é fã de umas pedaladas, pode fazer o trajeto de casa até a estação – e vice-versa – de bicicleta. O serviço é totalmente gratuito e não requer nenhuma burocracia: basta chegar, estacionar a magrela (para os mais íntimos!) num cantinho do imóvel e embarcar no trem. O espaço é da SuperVia, mas quem administra o bicicletário é o proprietário de uma lanchonete que funciona no interior da estação. O horário de funcionamento vai das 4h às 22h.
Morador do Jardim Dimas Filho, que fica a 15 minutos de bicicleta da estação de trem, Flávio Lisboa diz que economiza R$ 3 por dia na ida para o trabalho na UERJ. “Deixo minha bicicleta aqui há 4 anos. Nunca tive problemas. Mas também só venho com essa Monark, que é mais velha que eu. Se vier com a minha Alfameq, não vou encontrar nem o quadro na volta do trabalho”, ri, enquanto tira o cadeado usado para segurança de sua bike.
Com o sucesso do projeto, a concessionária decidiu ampliar o serviço. Hoje existem mais dois bicicletários sob sua responsabilidade, em Saracuruna e em Japeri, também na Baixada. Já há também um projeto para instalação de novas unidades na região de Duque de Caxias, numa parceria com a prefeitura local. Somente na Baixada Fluminense cerca de 140 mil pessoas embarcam nas estações da SuperVia diariamente.
Bárbaro. Genial a empresa ter percebido essa demanda e não cobrar nada por isso. É um modo de garantir a fidelidade dos clientes de trem. Pela fala do personagem deu para ver que não é 100% seguro, mas neste ponto os estacionamentos de carro caríssimos também não garantem proteção total. Só de ter um lugar coberto para colocar a bicicleta, já é um diferencial muito bacana, que não se vê muito na capital...
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 15/8/2007 14:09
Já tinha ouvido falar de bicicletários na zona Oeste, Helena, mas particulares e pagos. Por isso, achei interessante a iniciativa em Belford Roxo.
Em relação à segurança, pelo que percebi, não há um controle maior no entra-e-sai das magrelas, embora o espaço conte com funcionários (acho que dois, divididos por turnos). A galera usa cadeado, como para estacionar nas ruas.
Com a demanda maior, o espaço coberto ficou pequeno e eles permitiram que se deixasse as bicicletas no "quintal" tb. Aí, tem quem cubra o selim com plástico e coisas assim pra proteger em caso de chuva.
Beijo.
Nova Iguaçu é o máximo , Tetê!
BJK
CRIS
Oi Cris, nessas últimas contribuições tenho tentado ultrapassar as "fronteiras" de New Iguaçu e passeado mais pela Baixada. Esse point é em Belford Roxo, que já foi distrito de Nova iguaçu, mas se emancipou há uns anos.
Beijos.
Muito interessante!
O Brasil precisa de pessoas (como os dois funcionários da SuperVia) com essas idéias inovadoras que ajudem as classes menos favorecidas.
Valeu Tetê!!!
Tetê!
Maravilha esse point "das magrelas". Parei pra ler por curiosidade mesmo. Depois que me toquei que bicicleta é chamada de "magrela".... RSRSRSRS! Muito bom!
A iniciativa também é pra lá de boa.
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