A Pousada Aldeia dos Lagos, em Silves (AM), é um bom exemplo da riqueza socioambiental da Amazônia, região de belezas naturais e de gente que conhece como ninguém os mistérios e segredos da floresta. Não só conhece, como protege: lá, o eco-turismo não é mero marketing para atrair turistas estrangeiros. O hotel, um empreendimento comunitário sem fins lucrativos, sustenta a conservação do sistema de lagos de pesca da região.
A história da pousada remonta à década de 80, quando missionários progressistas da Igreja Católica incentivaram a organização dos moradores de Silves em torno da defesa dos lagos do município, então ameaçados pela pesca descontrolada. Em 1993, o movimento se institucionalizou: foi criada a Associação de Silves para Preservação Ambiental e Cultural (Aspac).
Com a formalização, veio a possibilidade de receber financiamento do governo da Áustria e da organização não-governamental WWF-Brasil. Assim, no ano seguinte (1994), a pousada foi construída. Atualmente, já funcionando sem apoio externo, o eco-turismo comunitário tem um faturamento médio anual bruto de R$ 160 mil. Descontados os custos de funcionamento e manutenção, a verba gera renda para os 36 associados da Aspac que trabalham no hotel (e, coletivamente, o gerenciam). Além disso, financia atividades de proteção de quatro lagos, inclusive com a remuneração de quatro vigilantes que se revezam na fiscalização contínua do maior deles (o Purema).
"Nosso objetivo maior é garantir o peixe no prato dos ribeirinhos. A pousada deveria ser apenas uma complementação da renda familiar, embora alguns vivam exclusivamente dela, porque a gente garante um pagamento de pelo menos 20% a mais que o salário mínimo”. A declaração de Vicente Neves, um dos responsáveis pela Pousada, foi retirada de uma matéria que escrevi para a Agência Brasil. Ela me foi dada em setembro de 2005, quando eu era repórter da Radiobrás, na primeira vez em que estive em Silves. Hospedei-me na Aldeia dos Lagos a passeio, mas me encantei tanto pelo projeto que não resisti à tentação de trabalhar um pouco. Desde então, tenho mantido contato com a equipe da Aspac: não só já retornei à Silves, levando namorado, mãe, padrasto e amigos, como tenho garantido, com a propaganda boca-a-boca, a visita de outros tantos brasileiros (como a divulgação da pousada é maior no exterior, 90% dos hóspedes são estrangeiros).
Um dia vou conhecer! Sensacional a dica dos preços, só quem é da terra sabe desses detalhes... Abraço!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 13/2/2008 16:25Oi, Helena! Venha mesmo: vale muita à pena!
Thaís Brianezi · Manaus, AM 15/2/2008 16:13
Minha Prezada Repórter, Poetiza e Simpática Thaís,
Li sua reportagem sobre a Pousada Aldeia dos Lagos, mas não consegui conectar-me com eles pelos e-mail e site colocados na matéria. Você poderia me ajudar?
Gostaria de passar uma ou duas semanas lá. Tenho sérias complicações visuais e, diante disso, gostaria de ir sozinho, pois não estou suportando a dependência, principalmente da família. Seria o início de uma vida nova...
Conto com sua ajuda para os contatos.
Um forte abraço e, desde já, muito obrigado.
ET: também tenho um filho jornalista, e me orgulho muito dele.
Renato.
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