Pracinha da Palato

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Daniel Duende · Brasília, DF
27/9/2006 · 88 · 13
 

Para quem passa pela praça, e não conhece, e nunca ouviu falar (será que não cresceu na Asa Norte, ou não teve nem tem adolescência?), é apenas uma praça. Ela tem bancos e mesas de concreto, uma escultura abstrata que não chama muita atenção (mas há quem diga que é bem divertida de escalar), uma sorveteria, um restaurante e uma lan-house. Fora isso, e o cadáver de um coqueiro*, a praça não parecer ter mais nada se valha mencionar... Mas ela tem...

Não é nos bancos, ou nas mesas, ou na escultura, ou no chão de pedras pequenas e quadradas, que reside o glamour da Pracinha da Palato. É nas pessoas que passam e passaram por lá, e nas histórias que lá se desenrolaram. Quantos amores começaram e acabaram por lá, quantos porres felizes ou tristes foram celebrados, quantas brincadeiras sagazes ou estúpidas... quanta pose foi feita ou desfeita, e quanta vida se viveu por alí...

Nos idos anos 90, a praça tinha outro nome. Chamava-se "Pracinha do Rock and Roll", assim nomeada por ser próxima ao famoso bar (hoje extinto) que, entre os outros nomes que teve em sua existência, chamou-se também Rock and Roll. Naqueles tempos a pracinha era freqüentada pelos fregueses do bar (e alguns habitués mais descolados do Schlobb) para tomar suas últimas cervejas (compradas no Pão de Açúcar vizinho) depois do encerramento dos serviços do Rock and Roll (o bar, lembre-se sempre). Isso geralmente acontecia pouco antes do amanhecer. Destes tempos a praça guarda algumas de suas histórias mais bizarras, e é lembrada como um dos lugares mais sem noção em que se podia estar na asa norte. Bons tempos... saudosa maloca querica... :)

Com o fechamento do Rock and Roll, e a reciclagem dos freqüentadores, a Pracinha hoje é quase um lar para diversos "bandos" de várias idades, cores de cabelo, preferências musicais, opiniões sobre o governo e, acreditem, preferências de sabor de sorvete. A convivência nem sempre pacífica destes grupos em sua xangrilázinha asanortina também trouxe algumas histórias à praça. Mais histórias ainda advieram de alguns lendários degustadores de bebidas que fizeram da praça seu "último ponto" antes de tomar o rumo bêbado de casa. Das libações destes inomeáveis senhores e senhoras, muitas outras histórias até hoje lembradas ecoam por aí.

Mas a praça tem mais do que histórias. Ela tem gente. É um bom lugar para se ver o pôr do sol, ou para se sentar e beber uma cerveja e bater um papo, e talvez conhecer gente nova (dependendo dos seus gostos, claro). É um bom lugar para se descobrir quais são as bandas de nu-metal que estão na moda, e quais as cores de cabelo são consideradas mais cool... mas é também um lugar agradável para se degustar um bom vinho e escrever poesia, imerso nos fantasmas e histórias, depois que a nova geração da praça vai embora, geralmente sob ordens paternas.

Eu poderia falar indefinidamente sobre a praça, e mesmo assim não contaria todas as histórias. Sou suspeito. Eu estava lá, e vivi tanta coisa alí, que qualquer sombra de comedimento e objetividade em minha dica para o guia estava afastada desde o princípío.

E vocês, se conhecem a praça, o que mais tem a dizer sobre ela?


* o coqueiro morto é parte da história da praça. hoje não mais do que uma lembrança, mas ainda assim um ícone de como éramos deliciosamente idiotas e adoráveis...

onde fica
A Pracinha da Palato fica logo em frente à Sorveteria Palato, perto do bloco (não lembro, mas depois eu completo) do comércio local da 309 norte. Não há como errar.
por que ir
Cada um com seus motivos, eu diria. Alguns vão para beber. Outros vão para ver gente. Alguns vão para ver e ser vistos. Outros vão ver o pôr do sol, ou relaxar um pouco depois de um sorvete. Alguns tantos outros vão por alguns tantos outros motivos. É uma praça... e uma praça cheia de histórias e com uma energia bastante.... interessante.
quando ir
De manhã ou no início da tarde se você quer ver uma pracinha familiar com crianças brincando. No fim da tarde para se ver o por do sol e ver o início do movimento da praça. De noite para se ver a movimentação da nova geração. De madrugada para ver algumas coisas mais... lendárias.
quem vai
Como eu já disse... pessoas de todos os tipos, cada uma com seus interesses. Se você se apegar a designações e "rótulos", pode-se dizer que lá dá de tudo, mas com uma predominância de "alternativos" e "metaleiros" e "nu-metaleiros" nas primeiras horas da noite, e de criaturas mais estranhas conforme a hora avança. É um lugar boêmio. As pessoas vão para lá, nem sempre sabendo o porquê...
quanto custa
absolutamente nada, mas eu recomendo a compra de alguns acepipes e beberagens no Pão de Açúcar, ou um sorvete na Palato, para adocicar a experiência...

comentários feed

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Daniel Duende
 

pronto! parido!
ô dificuldade que foi escrever este texto (principalmente com a febre que eu estou...)

mas... taí.

abraços do verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 25/9/2006 18:21
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Daniel Cariello
 

Grande descrição, xará. Bem afetiva, no espírito mesmo do lugar.

Eu me lembro que, durante um tempo, ainda tinha ali embaixo o Bar Boomerang. A entrada era pela pracinha.

Daniel Cariello · Brasília, DF 27/9/2006 11:36
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Daniel Duende
 

Que bom que gostou, xará :D

Foi uma mistura de parto e alfaiataria radical para conseguir "sair" com este texto. :)

Eu me lembro vagamente do Boomerang. Mas, a minha memória não é mesmo muito boa... :)
Fale mais sobre ele.

Abraços do verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 27/9/2006 15:48
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Helena Aragão
 

Ô Duende, quando vamos ler uma matéria sua com algum personagem bacana de Brasília no Overblog, hein? Fica a sugestão!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2006 10:56
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Daniel Cariello
 

Tô engrossando o coro com a Helena, Duende.
Abs!

Daniel Cariello · Brasília, DF 28/9/2006 11:21
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Daniel Duende
 

tá booom... tá booom... já que vocês insistem, vou fazer uma apanhado "com o meu tempero" de algumas figuras esquisitas da noite (e do dia) de Brasília. Só não esperem que eu cite todos os nomes dos santos, nem todos os milagres por eles perpetrados... :)

vou trabalhar nisso hoje. vamos ver como fica.

abraços do verde. :)

Daniel Duende · Brasília, DF 28/9/2006 13:47
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Daniel Duende
 

digo mais... esquisitas e fascinantes, pois o bizarro e o encantador andam frequentemente de mãos dadas... :)

Daniel Duende · Brasília, DF 28/9/2006 13:48
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Daniel Duende
 

Ontem não rolou. Havia trabalho demais e fiquei 'consumido'. Mas hoje, se der, eu vou fazer o possível para "desovar" a matéria... :D

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 29/9/2006 12:39
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Ana Cullen
 

Ah...a praça da Palato guarda lembranças importantíssimas da minha vida! Começos e fins de namoro, fugas de casa pra fumar um cigarro depois de brigar com meu pai, novas amizades, reencontro de antigas amizades, momentos de fugir do mundo e ficar só com meus pensamentos... e a lista continua...
Eu também gostava de ir pra lá ler um pouco nos fins de tarde de domingo...

Escolhe uma figura de Brasília e escreve sobre, acho que ficaria mais legal que um apanhado geral...
Abraços!

Ana Cullen · Brasília, DF 29/9/2006 17:19
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Daniel Duende
 

Ahhhh.. a pracinha da palato!
Aquele lugar é encantado mesmo (não que isso queira dizer que é apenas bom... a praça tem seus monstros tb...) :D

Eu estou pensando ainda em como fazer a matéria sobre os tipos... acho que vou fazer um apanhado, e quem quiser escreve algo aprofundando sobre um o outro tipo depois. Eu mesmo posso fazer o aprofundando de uns tipos...
A primeira matéria é só um "vômito" :D


Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 29/9/2006 17:39
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Daniel Duende
 

Relendo velhos textos (e velhas promessas), lembrei-me da proposta do artigo sobre alguns tipos "folclóricos" da cultura brasiliense. Vou tentar retomar esta idéia logo que possível. Será um trabalho interessante...

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 7/10/2007 16:57
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Zamorim
 

Já fui freqüentador da pracinha, tanto para tomar a última pinga, quanto para esquentar com a primeira da noite e resolver onde seria a seresta ;-) Bons tempos! Agora minhas filhas são freqüentadoras fiéis, sempre após um sorvetinho na Palato. E fique registrado que a tal escultura é peça fundamental e elas (as filhotas) não podem deixar a praça sem uma escalada básica :-)

Zamorim · Brasília, DF 14/4/2008 13:12
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Daniel Duende
 

A pracinha é mesmo bem bacana, não é? Estava lá no outro dia, fazendo o que sempre fazia. Foi bacana.

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 14/4/2008 19:55
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