A mim, sinto que faço parte de uma cidade quando percebo uma certa harmonia minha com as ruas, reconhecendo seus caminhos sem me perder um instante só, quando consigo desejar um descompromissado bom dia a algum de seus habitantes, quando encontro um bom lugar para tomar café. Então vá lá, vê se consegue me contradizer: qual melhor lugar para tentar pôr em prática isso tudo senão o Centro? Talvez por tais razões que ao chegar a Porto Alegre há pouco mais de três anos este foi, instintivamente, o bairro que mais me desempenhei em desbravar.
Até hoje ele é, aqui, um dos lugares de que mais gosto. Estando na Borges de Medeiros não tem mais como se perder: indo reto toda a vida, tu chega no Mercado Público; dobrando logo depois da Salgado Filho, é a Rua dos Andradas. Com toda a população que frequenta esse trecho, é quase virtualmente incapaz de não se encontrar um ser humano simpático o bastante para se desejar um bom dia. E ali mesmo, no Centro, na “Borges-uma-antes-da-Andradas”, que fica o Café Matheus.
Sempre tive uma queda por estabelecimentos antigos, e isso foi a primeira coisa que me chamou a atenção: o Matheus está aí desde 1947. Como fica em frente a um ponto de lotação, pode-se encontrar toda sorte de gente lá, de vários tamanhos, jeitos, gêneros e idades. Para atender essa demanda, lá serve-se de tudo: misto-quente, pão-de-queijo, sorvete, doces e salgados, sucos, prato-feito, e segue. É um lugar essencialmente popular. Mas, não se engane: o café é uma coisa. O Mokaccino deles é, pra mim, o campeão na capital gaúcha. Agora, no verão, vale o Capuccino Gelado. Outra grande pedida da estação é a salada de frutas com sorvete.
Há três anos a equipe é praticamente a mesma. Todos simpaticíssimos e muito solícitos. Me agrada bastante isso de chegar num lugar e reconhecer cada uma daquelas pessoas... para um recém-chegado, como já fui em Porto Alegre, fornece uma importante sensação de estabilidade.
Pra que me sinta mais em casa do que isso, basta me servir algo quente pra tomar.
Cafés antigos e tradicionais são os meus favoritos também!
Sua matéria me lembrou Portugal, com seus cafés lotados e acolhedores...
Completando p/ publicar... e bem antes das 48hs,rsrss
Abçs!
Obrigado, Marlene. Ainda não pude ir a Portugal, mas é um dos pontos europeus que mais me parecem próximos: pelos pastéis, doces, vinhos, aquele sotaque que é uma beleza, Saramago, Manoel de Oliveira e pelo bisavô da minha companheirinha. Porto Alegre tem muito, muito mesmo de lá.
Jorge Adeodato · Porto Alegre, RS 21/11/2008 14:02
fazia tempo que não vinha no overmundo. vim por você e fiquei feliz por teu texto estar em destaque na capa do site. me leva pra tomar café aí? saudade de você e beijo na marianinha.
alinne · Fortaleza, CE 21/11/2008 14:52
é, acho que vou colocar uma foto no meu perfil. hehe.
alinne · Fortaleza, CE 21/11/2008 14:52Rapaz esse Mokaccino ai me deu água na boca. Muito bom. Me lembrou até um Moloko com velocet dos druguies. Boa. Espero ver mais matéria de uma Porto Alegre da sua ótica. Talvez esse porto nem seja tão alegre assim. Abraços.
Anderson S · Fortaleza, CE 21/11/2008 15:42Esse comentário ai em cima não foi tãooo útil assim. Razoável.
Anderson S · Fortaleza, CE 21/11/2008 15:43
Alinne, valeu. Venha, vem tomar café, dar uma olhada no site, passar uns dias por aqui. Estaremos esperando, eu e a Mariana.
Anderson, ao que depender de mim tu vai ver bastante coisa minha sobre Porto Alegre, aqui. Qualquer coisa, te mantenho informado.
Caro Jorge,
Não conheço a cidade de Porto Alegre – nem muito menos o centro dela – todavia, por meio de sua engenhosa crônica, pude conhecê-la um bocadinho. Por pouco não me perco na Borges de Medeiros, já que, graças a Deus, cruzei-me com você, que fez a gentileza de conduzir-me ao Mercado Público, pondo-me a salvo na metrópole gaúcha.
Não somente conduziu-me, como ainda me levou para merendar (eta palavra bonita! Não a trocou por “lanchar” ou similares nem a pau!) um misto-quente com café preto, ali, quase ao pé do balcão do Matheus, embora eu já não estivesse mais com tanta fome. Calma, explico-me: é que eu comi a sua crônica enquanto esperava o ônibus.
Uma beleza de texto, uma maravilha de crônica. Um forte abraço.
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