O mais antigo restaurante vegetariano do Rio começou suas atividades no longínquo ano de 1962, na época o empreendimento era operado como uma cooperativa de alimentação. Os sócios, com direito a carterinha com foto e tudo mais, preenchiam ficha e pagavam uma taxa mensal para utilizar os serviços do restaurante. O Restaurante Natural permaneceu por trinta e oito anos na Praça Tiradentes, atualmente ocupa novo endereço, ali pertinho, na Rua da Carioca.
Paulo Roberto, atual administrador do negócio e sócio da cooperativa a uns bons “trinta e poucos anos” me explicou que antigamente o maior problema do restaurante era de abastecimento: “Nos anos 70 e 80 era difícil conseguir certos ingredientes fundamentais como o arroz integral, hoje em dia presente em prateleiras de qualquer super-mercado”. A descoberta de um estilo de vida mais saudável garantia uma clientela consistente, em seus melhores momentos a cozinha chegou a preparar o equivalente a 500 refeições por dia.
Atualmente o restaurante oferece uma média de 310 de refeições diárias. Mesmo com o aumento da concorrência e a queda dos clientes, o restaurante mantém a um ano o preço de R$15,90 o quilo. Paulo Roberto acredita que o preço seja um dos atrativos do lugar: “A maioria das pessoas que vem comer aqui não é vegetariana. O pessoal vem aqui, em primeiro lugar, atraído pela qualidade da comida, em segundo lugar pela questão da saúde, mas muita gente também vem por causa do preço, que é bem em conta”. De fato, o restaurante é o mais barato dos vegetarianos cariocas. Paulo Roberto vai além: “Você sabe que comer na rua é uma aventura, é difícil saber a que condições os alimentos são expostos. Mas nesses anos todos nos criamos um vinculo de confiança com os clientes, o cara pode vir aqui e comer de tudo tranqüilo”.
Além do bom preço e da preocupação com a saúde, o restaurante também levanta a bandeira da libertação animal. Ou seja, junto a todos os benefícios para quem consome uma alimentação vegetariana, o pessoal também se preocupa com o tratamento dado aos animais. O termo libertação animal foi cunhado pelo australiano Peter Singer, através do livro (leia aqui) publicado no final dos anos sessenta. No livro o autor defende a teoria que o homem não necessita das proteínas de origem animal, e coloca em voga o termo especicismo, equivalente ao machismo ou racismo, ou seja, a crença na superioridade de uma espécie sobre as outras. “Vamos pintar uma mensagem mais ou menos assim na saída: `obrigado por evitar a matança desnecessária de milhares de aimais`”, planeja o administrador.
Dos tempos de cooperativa o restaurante herdou o caráter de espaço de socialização. “Muitos grupos de amigos se formaram a partir daqui, trocando informações e experiência sobre o estilo de vida vegetariano”, explica Paulo Roberto. Com uma alimentação ovo-lacto vegetariana (sem nenhum tipo de carne, mas contendo alguns ingredientes a base de leite e ovos) o restaurante oferece uma série de opções deliciosas para quem tem curiosidade de experimentar esta cozinha, muitas vezes vista com desconfiança. “Nossa cozinheira tem mais de trinta anos de experiência, o sabor aqui é o primeiro critério”. Dá pra perceber Paulo, dá pra perceber.
Além do buffet, o restaurante conta com deliciosas opções de sobremesas (todas preparadas com açúcar mascavo) e uma bela carta de sucos. Se um dia estiver perdido pelo centro na hora do almoço e bater aquela fome, é só subir a escadinha do sobrado na Rua da Carioca e cair dentro no que há de melhor em alimentação saudável e livre de crueldade.
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