A última locomotiva a vapor do Brasil parou de rodar comercialmente (que foi para esse fim que começaram a funcionar) em 1994, em Tubarão, região sul de Santa Catarina. Desde então, por todo o Brasil começou a se fazer a seguinte pergunta: para onde irão, agora, as Maria Fumaça? Uma outra pergunta relevante a se fazer seria: pois bem, vejamos que a Guerra do Contestado se deu em função da construção de uma ferrovia... e agora?
Sem responder diretamente a estas perguntas, respondo: deste momento em diante, as Maria Fumaça passaram a se tornar turísticas — e relevantemente patrimônios históricos. Assim sucedeu em Rio Negrinho, na região Norte de Santa Catarina, a exemplo (e servindo de) de várias outras regiões brasileiras que sentiram fortemente a parada das locomotivas a vapor.
Através da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária – ABPF, as locomotivas aos poucos foram se tornando roteiros turísticos, históricos e culturais. Rio Negrinho é um exemplo de como se pode utilizar o extinto e o remoto para contar a história de um povo que praticamente se esqueceu. Contando, geralmente, com projetos de construção de museus que visem realçar o valor históricos das locomotivas, as dificuldades somente permitem os chamados “museus dinâmicos”, ou seja, as próprias locomotivas em funcionamento. E, não se pode deixar de dizer, os museus dinâmicos somente estão abertos à visitação graças aos competentes voluntários que insistem em manter esta parte da história ainda viva.
Construída entre 1906 e 1917, a ferrovia aqui é utilizada somente em parte. O trajeto entre Rio Negrinho e São Bento do Sul dura cerca de 4 horas. Isso, contando com as paradas. Claro, as paradas. A primeira acontece em Serra Alta, no município de São Bento do Sul. Humilde, a estação não se compara à de Rio Vermelho, uma das principais paradas para quem visitava a serra e quisesse comer com satisfação. Naturalmente, essa também é uma estação abandonada. São duas horas de viagem até se chegar a Rio Natal, o ponto de parada para almoço.
A locomotiva não faz parte do primeiro período histórico da seção ferroviária, iniciada nas primeiras décadas do século XX. A Maria Fumaça em questão é uma Mikado, construída em 1945 nos Estados Unidos e trazida para o Brasil para integrar o que, na época, era a principal forma de integração do interior de Santa Catarina com o resto do mundo. De qualquer forma, mesmo tendo começado a funcionar perto da metade do século XX, não há como negar que a locomotiva a vapor de Rio Negrinho nos transporte, automaticamente, para uma belle époque brasileira tardia, lá dos anos 1920, 1930...
Sendo de 20, 30 ou 40, não importa. Pelo menos se compararmos esta iniciativa às várias faltas de iniciativa que permeiam o Brasil de Norte a Sul. Se por um lado, encontramos cada vez mais viva a necessidade de se resgatar a verdadeira memória brasileira, por outro nos deparamos com a falta de incentivo para que esta memória torne-se um pouco mais viva. Certamente que visitar Rio Negrinho, este pequeno município catarinense, e perfazer o caminho da antiga e luxuosa ferrovia, hoje, só pode servir de ponta para uma linha que não tem fim: a linha da história brasileira.
Legal a dica, Labes!
Aqui em Muqui ainda há uma linha de trem em atividade, q liga o ES ao RJ, mas não há mais o transporte de passageiro, forte até a década de 70.
Abraços
De suma importância a colaboração.
A História das ferrovias (ou de seus resquícios), como outras, é muito mal tratada no Brasil.
Parabéns a pessoas como você que não deixam tudo cair no esquecimento!
Grande abraço Guaicuru!
Ériton, o trem que sai daí é a vapor? Mesmo que já tenha sido, ele deve ter bastante história pra contar, não?! Grande abraço!
Marcos, se se tratasse somente de um meio de transporte, tudo bem. Acontece que as ferrovias estão muito ligadas ao desenvolvimento dos "interiores do Brasil" e, de fato, é uma história que vai sendo esquecida aos poucos. Muito obrigado pela leitura. Grande abraço.
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