Santa Catarina tem, em seu território, a terceira cidade mais antiga do Brasil. Ocupada em 1504 por franceses, a Ilha de São Francisco do Sul oferece um aparato histórico diferente de, pelo menos, boa parte dos municípios litorâneos catarinenses, onde o que vale é “construir turístico para ter turismo”. Em São Francisco, a maior parte do que se pode ver — e pelo que ficamos boquiabertos — é de verdade. Ou seja: a cidade, de tão antiga, tornou-se ela própria um enorme museu onde, passeando, somos seqüestrados para a História.
Localizada no litoral-norte do estado, São Francisco do Sul é um verdadeiro reduto de produções artísticas dos últimos 500 anos. Entre casas, igrejas, esculturas, vê-se o barroco, o clássico, o neo-clássico... Mas também, naturalmente, São Chico é deslumbrante. A cidade está a dois passos (na verdade, duas milhas marítimas) da Baía da Babitonga, onde um arquipélago de 24 ilhas guarda histórias como a habitação sambaquiana (de pelo menos 3.000 anos atrás) e a ocupação pela Marinha do Brasil, no século XX, que utilizava uma das ilhas como base naval para abastecer navios brasileiros que iam lutar na Segunda Guerra Mundial.
Como os franceses tiveram pouco tempo de ocupação, a ilha, logo tomada pelos portugueses, também foi rota de escravos que chegavam ao sul do Brasil. Dessa forma, pode-se entender como as culturas afro e lusa ocupam, por diversas vezes, os mesmos espaços e acabam por se complementar. São famosos, em São Chico, o carnaval (em fevereiro, como em todo lugar) e as festas católicas, geralmente encabeçadas por pescadores.
MUSEU DO MAR
Mas além de ser um museu ao ar livre, São Chico deve ser olhada mais de perto, um pouco mais, isso!, e se encontra ali o Museu Nacional do Mar – Embarcações Brasileiras. Este que é o principal museu do gênero no Brasil e na América Latina abriga um acervo surpreendente e que vai muito além das meras exposições.
A começar pela contação de histórias, o Museu do Mar explica, em trajetória temporal, como a navegação começa e como se desenvolve pelo mundo. Visitamos, então, antes a Mesopotâmia, o Egito... para depois cairmos de vez no Brasil. O título de “museu mais completo”, nesse caso, não é em vão. Nos dois pavimentos do prédio, assim que o visitamos nos tornamos, ainda que teoricamente, verdadeiros navegadores.
Da arte de construir embarcações à arte de navegar em alto mar; dos vários modelos de embarcações regionais do Brasil à representação cênica (na verdade, em forma de dioramas, que são maquetes representativas) de atividades ligadas à pesca e à vida pesqueira. Nas mais de quinze salas temáticas, o que o visitante encontra é um vasto material para apreciar e um enriquecimento didático fornecido por textos complementares que o faz entender muito bem aquilo que está observando.
Construído com verba do Governo do Estado de Santa Catarina e recebendo auxílio direto do IPHAN, o Museu do Mar procura não somente olhar para o umbigo catarinense, mas contempla (e daí vem grande parte de sua importância para o Brasil) as vidas pesqueiras de regiões as mais distintas. Isso pode ser claramente conferido ao se visitar salas temáticas como Maranhão, Amazônia, Bahia, do Rio São Francisco... Da mesma forma, podem ser conhecidas de perto e, historicamente, de longa data, embarcações como jangadas, canoas e baleeiras. E, claro, visitar as salas destinadas ao artesanato local e dedicadas à revisão da história da Ilha de São Francisco do Sul.
São vários, portanto, os motivos que tornam necessária uma visita à Ilha de São Francisco do Sul. Seja respirar História nas ruas ou mergulhar na vida marítima/pesqueira do Museu Nacional do Mar, visitar esta pequena, mas riquíssima, cidade catarinense.
Nossa Labes, que lugar lindo. No inverno deve ser meio impraticável, não?
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/10/2007 17:13Até que não, Helena. É verdade que diminuem as opções veranísticas, mas toda a parte histórica da cidade, o passeio de barco pela baía e a visitação ao museu, por exemplo, continuam de pé. Só a perda maior que ocorre é em relação ao mar, né! Porque, olha, banho frio é brabo!
Labes, Marcelo · Blumenau, SC 27/10/2007 13:49
cara, que lugar lindo... nunca tinha ouvido falar! queria até ver mais fotinhos, fiquei curioso!
Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 29/10/2007 09:27
Pena que me faltam as minhas, Guilherme. Mas tenho certeza que depois de tantas formatações de PC, de agora em diante vou fazer um backup por mês do material.
Agora, é aquela história: de nada valem as fotos, né!
E, só pra chatear, eu não sei mais o que se ensina nas escolas. Tudo bem que se diga: eu sou do Rio e nunca ouvi falar de um lugar assim, lá em Santa Catarina. Mas, agora me diga, como soa um "eu sou de SC e nunca ouvi falar daquele lugar em... SC". Estranho? Mas parece, às vezes, que não se ouve falar de muita coisa.
Grande abraço!
Quanta beleza e história! É bom termos artigos como esse, que nos ensina e muito sobre as riquezas naturais e históricas do Brasil Parabéns!
O de Andrade · Alemanha , WW 13/3/2010 10:56Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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