No meio do belo campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio existe uma construção bem antiga, que data o ano vinte do século XIX. O Solar foi idealizado por Grandjean de Montigny, arquiteto francês que chegou ao Brasil junto com a chamada “missão artística francesa” – um grupo de artistas trazidos pelo governo de Dom João VI. O pintor Jean Baptiste Debret e o fotografo Marc Ferrez são outros nomes “importados” pela missão que tinha o objetivo de renovar o campo artístico da época.
Por trás da iniciativa da missão artística existia um grande esforço para aproximar o Brasil das chamadas “nações civilizadas”. Se não era possível transformar de uma vez aquela terra ainda meio selvagem em um pedaço da Europa, podia-se, ao menos, elaborar uma fachada moderna e civilizada. Neste sentido, Montigny foi o grande arquiteto desta nova imagem que se pretendia para a cidade. Sua principal obra foi a Praça do Comércio, hoje conhecida como Casa França Brasil (Rua Primeiro de março, n°66 Centro).
O Solar foi construído para servir de moradia a Montigny no bairro da Gávea, naquela época um espaço completamente deslocado da vida da cidade, uma dinâmica que se limitava do Centro a São Cristóvão e mediações. Antes da valorização das praias e da expansão da cidade, a Zona Sul ainda comportava chácaras e uma paisagem iminentemente rural. O arquiteto viveu no Solar até sua morte, 1850, daí em diante o imóvel teve vários proprietários, sendo finalmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), em 1938.
Atualmente o Solar funciona como um centro cultural e recebe exposições e diversas atividades como encontros e seminários relacionados, ou não, com a universidade. Além de toda movimentação que acontece no espaço a própria arquitetura do Solar, que segue o estilo neoclássico, já é um bom motivo para uma visita. O Solar Grandjean de Montigny é um pedacinho do século XIX cravado na loucura da cidade grande, mas cercado por um cenário arborizado. Com a ajuda do canto dos passarinhos, a visita dos micos que habitam o campus e um pouquinho de abstração dá até pra imaginar como era a vida na época do arquiteto francês.
Conheço. Ainda bem que você captou este tesouro, mas você podia repetí-lo no Overblog. É de real importância cultural e historica...baçs.
Cintia Thome · São Paulo, SP 22/12/2007 08:00
Grande nome da Arquitetura Neo-Clássica, projetou também a Casa França-Brasil!
Grande dica!
o solar é bem bacana mesmo.
muitas vezes os próprios alunos da puc, que circulam por ali o dia inteiro, não param pra dar atenção a construção e as exposições.
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