O Edifício Itália, com 46 andares, é um dos mais altos prédios de São Paulo. Obviamente, a vista da cobertura é incrível e atrai turistas e paulistanos dia e noite também por conta de um restaurante que ocupa o local. Sem querer contrariar a maioria ou menosprezar o cardápio caprichado oferecido no terraço, considero que o melhor do Itália é a extremidade oposta, no subsolo.
É lá que está o Teatro de Dança, inaugurado em 2006 para ser o palco de companhias independentes ou não, da capital ou do interior. A programação é bastante diversificada e tem cumprido o objetivo do projeto de formar platéia para a dança na cidade.
Quase todo dia tem apresentação no TD e o mais curioso é que geralmente se paga menos pelo ingresso, que sempre fica na faixa dos R$ 4, que pelo estacionamento Valet Park do prédio (em torno de R$ 10). Como a estação de metrô República é bem pertinho, vale a pena deixar o carro em casa.
Mas, voltando ao teatro, menos de dois anos depois de criado, o TD já integra o circuito cultural de São Paulo mais ativo. A sua gestão é feita pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA) em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura. Talvez por isto receba tantos espetáculos contemplados pelo Programa de Fomento à Dança da prefeitura de São Paulo, o que tem seu lado positivo, uma vez que diversifica os estilos apresentados.
A inspiração para a proposta do TD vem do Teatro Galpão, que foi o pioneiro na cidade a oferecer um palco exclusivo para a dança, em 1975. Sua vida foi curta, ele foi fechado apenas três anos depois, mas marcou o panorama da dança não só em São Paulo como no Brasil. Foi no Galpão que a dança ganhou público e por ele que as companhias se profissionalizaram.
Desde o seu fechamento, porém, os artistas de São Paulo estavam fadados a atuarem apenas em companhias já estáveis, não havendo muito espaço para produções independentes se apresentarem. Em 2006, o Teatro Itália foi reformado e adequado para apresentações de dança e TB finalmente nasceu para recuperar o tempo perdido.
As instalações e acomodações são simples, mas confortáveis. Diferentemente de muitos teatros, por exemplo, no TB o espaço entre as fileiras de poltronas é bastante razoável. Para leigos como eu, o teatro representou uma oportunidade para dar chance a uma expressão artística que pouco conhecia. Confesso que o baixo valor do ingresso foi para mim o primeiro um grande atrativo. Depois, os diálogos que algumas apresentações fazem com outras artes prenderam de vez a minha atenção.
Em fevereiro, a Companhia Borelli fez a Trilogia Kafka, com coreografias inspiradas nas obras do escritor tcheco “A Metamorfose”, “O Processo” e “Carta ao Pai”. No último mês, outro grupo apresentou um espetáculo baseado no livro “As Cidades Invisíveis”, do Ítalo Calvino. Agora em maio, é o álbum Revolver, dos Beatles, que vira coreografia.
Claro, nem todas as apresentações satisfazem os gostos de todos. Mas, o que se perde por tentar? R$ 4?
QUE LEGAO, SOU DESSA AREA DA DANCA SEI QUE E DIFICIL, MAS JA E UM GRANDE COMECO ...TENTAR!
PARABENS BELA INICIATIVA
Dica maravilhosa, Aninha. Não sabia da existência de um teatro dedicado somente à dança. Pelas fotos dá pra ver que são espetáculos de prima. Valeu!
Ilhandarilha · Vitória, ES 4/5/2008 09:36
Boa dica, uma verdadeira garimpagem. Daquelas que temos que descer fundo para ter acesso a preciosidades. Parabéns.
abcs
ANINHA...
Sem muitos comentários...
É cultura! E eu gosto de arte...
Abraços.
Lailton Araújo
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