Vida há um século

Arquivo Pessoal
Casarão construído no início do século XX, em Vila Evangelista
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Guilherme Mergen · Passo Fundo, RS
26/10/2007 · 26 · 2
 

O ato de fazer turismo me parece ter sido distorcido nas últimas décadas. Questiono um colega de trabalho sobre como ele se imagina turista. “Em um hotel bom, com passeios interessantes. Quero locais com infra-estrutura”, responde. Ele jamais iria aos locais que indiquei como passeio aqui no Overmundo. A “indústria do turismo” tornou atraente a visitação somente àqueles locais que não exigem esforço do turista. De preferência que ele consiga acompanhar tudo sem sair do carro, ou do ônibus, e ainda tirar fotografias com sua câmera de zoom avançado.

Confesso, por muito tempo fiz essa relação. Para quem ainda insiste nesse conceito de turismo, vai simplesmente ignorar a dica de passeio que tenho. Precisa caminhar, supera obstáculos e não há placas de indicação, nem bares ao longo do percurso. Imagine uma localidade praticamente fantasma, onde desenvolvimento tem outro significado e os 100 moradores levam uma rotina como se fosse a 50, 60, 70 anos atrás. Assim é a comunidade de Evangelista, vila de descendentes italianos localizada no interior de Casca, pequeno município a 65 quilômetros de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

Por lá, parece que a modernização jamais se aproximou, muito menos a pós-modernidade. O interessante é, além de conversar com aquele povo, a maioria idosa e em um ritmo de vida completamente calmo, sem o estresse nosso de cada dia, conhecer as edificações. Todas estão conservadas como se estivessem na época em que foram construídas. Na conversa com os moradores, a sensação de antigüidade é ainda maior. Senti-me há 100 anos, embora não tenha vivido aquele tempo.

A tal localidade chegou a viver momentos de ouro. Era movimentada e servia de passagem para quem viajava a capital Porto Alegre. Mas a estrada cujos veículos passavam e, por conseqüência, tornavam o local menos parado foi desviada. “Ficamos esquecidos aqui. Mas quando as pessoas vêm, não querem voltar. Parece que vivemos em outra época, em outro mundo. É tão bom”, comenta uma moradora, sentada em frente à sua residência.

Os professores da Universidade de Passo Fundo, responsáveis por descobrir a localidade, estudam a vila Evangelista há mais de um ano. Eles garantem que a preservação das casas da época da colonização ocorre porque o lugarejo nunca se desenvolveu do ponto de vista econômico, ficando à margem da urbanização. Em outras palavras, é uma localidade que “parou no tempo”. E para os seus moradores, esse “parar no tempo” é motivo de orgulho. Para nós, também deveria ser. Afinal, nada mais prazeroso que armar uma rede por lá em um sábado de tarde e ficar só ouvindo o som do pássaro, o barulho da roda do moinho – de produção de farinha – girar, ou ainda o grito agradável dos moradores no único boteco da vila jogando canastra.

Interessou-se pelo local? O momento de visitar é logo - bem logo. O lugar pode se transformar em uma cidade fantasma rapidamente. Os atuais habitantes estão em idade avançada e os seus filhos não moram mais lá.

onde fica
No interior de Casca, na comunidade de Vila Evangelista, a 65 quilômetros de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
por que ir
Para sentir-se no início do século passado. Para conhecer a arquitetura daquela época intacta. Para esquecer da correria do dia-a-dia e deitar em uma rede ao som dos pássaros e do barulho provocado pela roda do moinho.
quando ir
A localidade pode ser visitada diariamente, mas no final de semana é mais agradável, até pela disponibilidade dos moradores.
quem vai
Todas as pessoas interessadas principalmente em história e arquitetura.
quanto custa
O passeio é gratuito, porém as refeições precisam ser pagas.
OBS: o local não possui restaurante, apenas um bar.
website
www.pmcasca.com.br
contato
E-mail: setur@pmcasca.com.br
Telefone: (54) 3347-1227/1233

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Lauro Finatto
 

Seguindo no tempo: Como esta matéria foi publicada em 2007, cabe lembrar e citar aqui que hoje Evangelista, apesar de ser esta Vila dos anos 70, mas por sinal muito bem conservada e Rica em História e motivo de orgulho para nós Casquenses, hoje possui dois locais muito bem preparados por Pessoas muito acolhedoras, morradores desta terra, os quais recebem grupos de visitantes através de reservas programadas e servem pratos típicos da culinária Italiana, sendo: "CENTRO CULTURAL MOISÉ GIURIATTI", de Propriedade de Marciano Giuriatti, localizado no Cento da Vila Evangelista, próximo da Igreja Matriz Santo Antonio e "RESTAURANTE E PESQUE E PAGUE LA PINHATA", de Propriedade da Familia de Adelar Moccelin, há 3 km da Vila Evangelista. . O Distrito de Evangelista é um dos locais que pode-se viver e sentir a verdadeira história da "Colonização Italiana no Brasil", com muito amor construida, preservada e desenvolvida pelo seu Povo Trabalhador...Vale a pena conferir.

Lauro Antonio Finatto
Casca - RS

Lauro Finatto · Casca, RS 6/2/2011 20:28
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MANTOVANI2
 

A antiga Linha 15, atual Evangelista, tem uma história de apogeu e declínio econômico semelhante a muitos lugares do interior de nosso Estado. O lugar é pitoresco da tradição italiana , fala-se o dialeto vêneto com naturalidade, especialmente entre os mais idosos. Na minha primeira infância morei na localidade com meus avós, já falecidos. Sempre que posso passo por lá. É uma gostosa volta ao passado. A quietude do lugar, o riacho, as casas antigas, os moradores de hábitos simples, o ar puro, são convites a quem quer fugir do estresse e da correria.

MANTOVANI2 · Montenegro, RS 27/3/2011 00:40
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