* Você fala alemão?
Então se diz que Blumenau é uma cidade genuinamente alemã e quem vem de fora diz: “Isso aqui nem parece o Brasilâ€. Pois é, estão enganados.
Pois bem. Blumenau é uma cidade brasileira e nela habitam brasileiros. Mas há que se olhar bem, muito bem. Como a divisão do municÃpio (que é um vale) acontece por bairros muito distintos (que também ocupam vales), é preciso ir um pouco mais longe para ver uma Blumenau quase totalmente desconhecida inclusive pelos próprios blumenauenses: falo da Vila Itoupava, um distrito do municÃpio blumenauense criado em 1943.
Localizada a 25 km do centro de Blumenau, o distrito da Vila Itoupava só não tem prefeitura — embora tenha a intendência distrital, que praticamente funciona como uma. Há por ali hospital, agência bancária, mercados, postos de saúde... Enfim, quase tudo de que precisa um, digamos, pequeno municÃpio de 7 mil habitantes.
A Vila Itoupava pode ser considerado o mais genuÃno gueto alemão do Brasil. Centro de agro-turismo blumenauense, tem grande parte de seus moradores vivendo de agropecuária em minifúndios (como é de costume desde que os primeiros imigrantes chegaram na região no século XIX): a economia agrÃcola da região abriga plantações e criações de gado e aves, principalmente patos e marrecos.
Dos 7 mil habitantes do distrito, 70% falam alemão, idioma que pode ser considerado oficial na região. A Vila Itoupava tem 10 escolas, cinco estaduais e cindo municipais, sendo que nessas últimas, o idioma alemão é disciplina obrigatória do currÃculo escolar; a criança que cresce falando alemão em casa, pode ter a oportunidade de aprender o alemão gramatical, em muito diferente do dialetal (é, por aqui fala-se um dialeto do alemão utilizado na Alemanha) utilizado pela maior parte dos habitantes da região.
O foco no agro-turismo não é gratuito. Apesar de a Vila Itoupava sediar a Haco Etiquetas, uma empresa multinacional de origem blumenauense (consta que é a maior fabricante de etiquetas do mundo), a base econômica ainda é rural. Dessa forma, adentrando no distrito a partir de seu centro, pode-se encontrar o colonial puro, que realmente parece não fazer parte do Brasil; uma região a parte. Visitando as propriedades rurais, se tem contato com a produção artesanal de geléias (chamadas aqui de schmier, pronunciadas “chimiaâ€), queijos coloniais, tortas, doces e uma infinidade de produtos coloniais, de fato.
Entender como tudo funciona num lugar como a Vila Itoupava não é uma tarefa fácil. O que pode ajudar nessa busca de sentido são duas instituições muito fortes no lugar: a Paróquia Luterana e o Clube de Caça e Tiro Serrinha. A primeira, por ressaltar a importância da igreja na cultura dos imigrantes alemães. E o clube, por manter vivos costumes folclóricos, tais quais o próprio tiro (agora esportivo, já que é proibido caçar), as danças tÃpicas germânicas, o bolão e o skat. É num clube de caça e tiro que se pode presenciar uma “noite dançante†ao som de música alemã, muitas vezes ao vivo, com “conjuntos†que têm, vez por outra, um bandoneon dentre os instrumentos. A música, claro, é cantada em alemão.
Mas falar, escrever e ler não faz sentido perto de uma visita. E isso fica claro quando turistas ficam pasmos com a organização do lugar: seus jardins impecáveis, o alemão falado naturalmente, o minifúndio que dá certo, a arquitetura colonial que não é mantida por interesses turÃsticos, mas por costume mesmo...
Que paz... De fato, incompreensÃvel.:)
Não entendi exatamente o que você quiser com Website: Vila Itoupava comentada. (Mas devia ter falado disso na edição...) Abraço!
Bah, Helena! Era para o link ali direcionar para uma página em que a Vila Itoupava é comentada nesse clima de paz que constataste. Errei na hora de linkar. Portanto, faço isso agora e aqui:
Vila Itoupava comentada!
Abraço!
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