3 poemas, fogueira & cadeira elétrica

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Lucas de Meira · Curitiba, PR
3/1/2009 · 44 · 2
 

Desde o Bush pai, acumulei uma aversão sem cura pelo fascismo exercido pelo Tio Sam. Aversão, creio eu, compartilhada com a maior parte da raça, sã, humana. Naturalmente, escrevi coisas sobre, desenhei outras, e até tentei montar um desespetáculo, de nome Bushitler. Neste, quatro atores contariam, simultaneamente, duas histórias. De um lado do palco, a de dois americanos, um deles hispânico, afetado pelo nacionalismo e pela ilusão de que os deuses estão do seu lado. O segundo, um pacato lenhador. Doutro, dois muçulmanos. O extremamente radical e seu colega altruísta e sonhador. Porém, toda em árabe, inglês e español, com a guerra de fundo, um final infeliz e com quase duas horas de duração, jamais citando o nome George, só poderia continuar no papel. Foi em 2002, quando, pela última vez, desisti do teatro. Na verdade, é bem provável que todas as peças que escrevi encontrem no cinema formatos mais adequados.
Mas, retomando a aversão, parte das idéias da peça foram resumidas em 3 poemas:

1.
oilmerica

los sobrinhos de sam
sons of a bush
não ouviram plato
nem joshua, nem cummings
nem chaplin

e aí está
o tipo de nação
que hitler queria

: trocando sangue
por petróleo
metendo os dedos
nos seus olhos

pois é pois é pois é
aquela coisa toda
de hino & bandeira
heróis & winners
na prática não passa
doutro disfarce
da suástica


2.
warmerica

mandar os filhos
& os filhos dos filhos
dos filhos dos filhos
dos sobrinhos de sam
sangrar
& singrar
até que cada família
tenha uma tristeróica
tristestória
pra contar


& cantar


& um filme
sobre suas vidas
& mortes
umas medalhas
uns bons contatos
carros & mansões
uns oscars
quem sabe um nobel
pra variar


esqueçam cristo

: é abraham lincoln
quem vai voltar


3.

o fim do world trade center
paiê, meu denti tá móli

tsunami
mas eu não brinco mais de boneca

sadam condenado à forca
ele preferia o fuzilamento


O primeiro, um eco do bit niponizado do antigo elevado da 6ª Avenida na testa do titio. O segundo, mera realidade. O terceiro, escrito entre os dois, em 2004, foi o que me deu mais problemas. Dois, principalmente: um professor americano que me jurou de cadeira elétrica e um pastor que me acusou de heresia, criativo que só. Mas agiram como verdadeiros Osamas, através da Internet, fazendo com que seus asseclas entupissem minha caixa de entrada com trilingües insultos. Tive de mudar meu número de telefone e cancelar dois endereços de e-mail, além de despublicar vários textos, cancelar um site e ainda perder contato com muitas pessoas que recebiam, eletronicamente, poemas que eu enviava desde 1998.
Então, neste 2008, a dupla foi tomada pela febre Obama, oxalá boa, desistindo de tentar me ferrar. O pastor, através do filho, via Myspace, até me pediu desculpas, teria entendido tardiamente as mensagens, movido pela tristeza de ter um sobrinho apodrecendo no Iraque. O professor, segundo uma conhecida, teria escrito um surpreendente artigo sobre o novo presidente dos USA.
Como um cessar fogo.
Espreitantes barbas de molho em mau agouro.
Pois é.
A Obama’s Newage está levando todas estas coisas que até agora fiz você ler para o fundo do fundo do fundo do lixo. E, sinceramente, acredito, mesmo, que não vou precisar reciclá-las. E você também, - isto é uma ordem, tenha certeza disso.
Às valas!



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rosa melo
 

"Se esse mundo é desumano, nós somos dele uma parte, se a vida é só um sonho que seja um sonho de arte"...

Mundo estranho esse!

rosa melo · Pio IX, PI 4/1/2009 00:18
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graça grauna
 

bom demais! Continue nessa luta. Bjos.

graça grauna · Recife, PE 4/1/2009 19:40
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