A alma não é inédita

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Rodrigo Gerolineto Fonseca · Picos, PI
12/10/2011 · 1 · 0
 

A TNT começou a exibir, nas primeira hora do dia 12, o filme "Despertar de uma paixão". Não conheço filme (Nem me sinto obrigado a tal). Meu impulso inicial foi buscar na internet alguma informação para decidir se valeria a pena. E ,aí, o start desta reflexão.
Antes que eu conseguisse qualquer informação comecei a ver o filme. E, convenhamos, um filme em que a mocinha diz nos primeiros minutos que "Está chovendo a cântaros", me parece valer a pena assistir. Foge à banalidade da linguagem pobre da comunicação de massas. Mas, a questão não é essa.
Quando eu era criança, no cinema de minha cidade, havia uma cortina de veludo que se abria antes do filme. Mostrava a tela branca. Era outra coisa. Havia um sentimento de que aquele produto (o filme) era algo, ainda, particular, pessoal, inédito. Hoje, sabemos e vemos tudo sobre o filme nos CDs piratas (antes mesmo da estréia), nas críticas, resenhas e palpites. Não há surpresa nem reverência pelo talento humano impresso na obra. Tudo é prazer pelo prazer. Não há transcendência. Pelo contrário, o público (agora consumidores) se irrita quando a arte não estabelece uma ligação sensitiva orgânica.
Nunca como agora, a arte precisa ser criticada para ser reconhecida. Aumentaram os filtros entre a obra de arte e a alma humana. Ou seja, aumentou a alienação. Até mesmo a crítica cultural se tornou um mercado e produto de consumo.
O inédito é o sentimento da subjetividade virgem diante das cifras da cultura. Esta é uma conquista para além do mercado de consumo e da crítica cultural. Uma pureza fruto de disciplina e luta.
A apreciação contemporânea da arte se assemelha à atuação dos primeiros missionários no Novo Mundo, ensinando o pecado para que depois saibamos evitá-lo.
Nossas almas estarão perdidas até que sejamos capazes de reconstruí-las por nossos próprios meios, para além da crítica cultural e das insensíveis discussões das subjetividades de mercado.

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