Façamos o seguinte. Vamos partir do zero. O jogo começa agora.
A notícia é boa: a represa rebentou. Ninguém segura a criação. É uma avalanche de criadores que querem se mostrar. Boa parte desta nova história se desenrola na internet. Que tal um vôo panorâmico?
O Trama Virtual, lançado em maio de 2004, conta mais de 33 mil artistas que disponibilizam 96 mil canções. Com 250 músicas novas cadastradas a cada dia, o portal computa mais de oito milhões de downloads e 14 milhões de streaming. Bom, se não curte o Trama Virtual, você tem o MySpace, o PureVolume e iniciativas semelhantes na web.
Em fevereiro de 2006, o iTunes superou a marca de um bilhão de downloads de arquivos musicais. Aqui nas plagas brazucas, temos o iMúsica, a UOL Megastore e o recém criado Terra Sonora que começam a estruturas a venda de músicas online. E a venda de música por celular vem aí.
Ninguém quer lançar seu disco? Busque um dos vários selos digitais, os netlabels, que surgem a cada momento. Ou faça você mesmo. Já pensou? Você, dono de seu próprio negócio, lançando e distribuindo o seu trabalho e de seus amigos? Tudo é possível.
Quer alternativas para distribuir o seu trabalho? Tem a Tratore, a primeira empresa a sacar a quantidade e a qualidade da produção independente no país. Já em setembro de 2004, a Tratore já distribuía trabalhos de mais de 50 selos com representantes de venda em 18 estados.
Um movimento importante foi a criação da ABMI em 2002. A Associação Brasileira de Música Independente reúne hoje mais de 100 selos e gravadores. Este é quase o mesmo número de artistas contratados pelas quatro majors (EMI, Warner, Sony/BMG e Universal) no Brasil em 2006: pouco mais de 100 artistas contratados. Enquanto isso, entre oito a doze mil discos são lançados no Brasil a cada ano. Números não oficiais de um novo ambiente independente que se estrutura no país de forma cada vez mais articulada.
Mais possibilidades para divulgar o seu trabalho? Blogs, fotologs, orkut, colunas e publicações online, podcasts, YouTube, Overmundo... Isto sem falar nos programas de compartilhamento de arquivos, os ditos P2P, que vingaram a partir do Napster, KaZaA, eMule, SoulSeek, AudioGalaxy, Shareaza e dezenas de outros. E as rádios e TVs livres estão de portas abertas, dentro ou fora da internet. Sem jabá. E os fanzines? As revistas alternativas? E mais: "coma pelas beiradas", não esqueça o "lado A" dessa história. Mantenha uma boa relação com editorias de jornais, rádios, TVs e revistas comerciais. Por que não?
Você é a antena e o satélite. O jogo começou.
Texto escrito em parceria com o produtor cultural Alê Barreto. dMart e Alê também escrevem no blog Produtor Independente.
Oi Alê, muito legal o seu texto e o "vôo panorâmico" sobre as novas mídias. Pode ter certeza de que Isso é só o começo. Por exemplo, aguarde só o potencial dos jogos colaborativos, como o Second Life, que estão se transformando em plataformas incríveis para distribuição cultural.
ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ 25/10/2006 01:07
Que bacana, Ronaldo!
Originalmente, escrevemos este texto, eu e o produtor cultural Alê Barreto, para o site O Toque que, infelizmente, está fora do ar. Reunimos aí algumas informações sobre o mercado (inter)independente.
Em setembro, tivemos a oportunidade de debater sobre copyright e copyleft com Nehemias Gueiros Jr. e Sérgio Branco em seminário realizado em Porto Alegre no Santander Cultural.
Não sou (ainda) um usuário do Second Life mas fico pensando se a tridimensionalidade virtual do sistema não nos afasta mais ainda da dita "realidade" cultural do país. Ou ainda: o quanto essa distribuição de bens culturais não fica restrito a um público cada vez mais hipersegmentado e elitizado? E pergunto isso sem desmerecer o processo de vanguarda interativa que existe no ambiente 3D.
Baita abraço, dMart.
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