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A Arte, a Espiritualidade e a Luta por Justiça.

Arte:Anderson Augusto,MSC e Adélia Carvalho. Fotografia:Alderon Pereira da Costa
Ecologia: Cuidar da vida e da integridade da Criação
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Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
3/4/2007 · 48 · 4
 

Mesmo que o poeta seja ateu, um bom poema sempre nos aproxima de Deus.”
Uma das coisas mais interessantes que confirmei no estudo sobre o Salmos, um livro poético/espiritual do primeiro testamento, realizado com o monge beneditino Marcelo Barrros, é que todos os escritos da Bíblia sobre o Deus-Amor são verdadeiramente palavra/vontade de Deus. Aqueles que apresentam um Deus machista, preconceituoso e autoritário são expressões do sentimento humano. Como exemplo podemos lembrar do mandamento “amar a Deus sobre todas as coisas”, complementado por Jesus Cristo, “e ao próximo como a si mesmo”.

Portanto, o que está escrito na Bíblia, que nega ou contradiz isso, deve ser contextualizado, buscando entender suas limitações no tempo (história), a injunção da política (relações de poder) e o ambiente cultural.

O escritor russo Tolstoi tambem afirmou a mesma coisa quando disse que “onde existir o amor, Deus aí está”.

Buscando apresentar de que forma este amor de Deus pode se tornar exemplo vivo a partir da prática do cotidiano, em Mateus vemos escrito: “Tive fome e me deste de comer, estive nu e me vestiste, estive preso e me visitaste”.

Neste sentido, um povo que se diz cristão e não consegue resolver o problema da fome, da injustiça e da violência, especialmente contra os mais indefesos e vulneráveis, não pode ser reconhecido por Jesus Cristo como irmãos e filhos do mesmo Pai. “Não é aquele que diz Senhor, Senhor que entrará no Reino dos Céus”. Não é a toa que ouvimos algumas vezes a expressão: De “bem intencionados” ou “ de cristãos” o inferno está cheio.

Quem leu o texto, assistiu a peca ou o filme “Auto da Compadecida” pode entender muito bem o que isso significa.

Relacionando a iniciativa inédita de um chefe de Estado em priorizar o combate à fome, com o mandamento evangélico de saciar a fome dos famintos: “Dá-lhes vós mesmo de comer”, podemos afirmar que, erradicando com a fome em nosso país, o nosso companheiro presidente, mesmo de esquerda, garante um bom lugar à direita de Deus.

Mas é necessário ir muito além. Quando Frei Betto esteve apresentando o programa Fome Zero para a sociedade civil em Sergipe no ano de 2003, eu disse naquela ocasião – reforçando o pensamento dele – que embora seja um imperativo moral e ético combater a fome orgânica, a fome do corpo, o Evangelho nos lembra que “nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”.

Essa palavra que não se expressa somente através do signo verbal, pode se revelar também através da música, da dança, da pintura, do cinema e de várias outras manifestações culturais, mesmo quando músicos, poetas, coreografos, pintores e cineastas não acreditem em outra forma de viver e de se relacionar que transcenda a dimensão corporal e terrena.

Porque nosso Deus é o Deus da Vida. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”, e toda obra de arte que denuncia a injustiça eou promove a vida é sagrada.

Um exemplo dentre tantos é a obra de Chico Buarque. Quando ele canta “Mulheres de Atenas”, recorda-me o Jesus que entendia e sabia dialogar tão bem com a alma feminina, como no exemplo de Madalena. “João e Maria” me recorda o Jesus menino ouvindo as histórias e as cantigas de ninar que certamente Maria contou e cantou para seu filho. “Cálice” me lembra o Jesus torturado que sofreu tanto que até suspirou “pai, afasta de mim...”. “Assentamento” nos recorda o Jesus sem-terra e sem-teto, que antes de nascer do ventre de Maria já fugia do poder cruel e opressor que ainda hoje persegue milhares de famílias cujos filhos nascem embaixo das lonas dos acampamentos dos sem-terra ou debaixo das marquises e dos viadutos.

Daí as possibilidades da criação artística, como fonte para alimentarmos a sede do sagrado, sem precisar nos distanciar da luta pela justiça na perespectiva de enfrentarmos o excesso de individualismo, o descaso com o corpo e com o planeta e a negação da diversidade cultural que emerge do fundamentalismo religioso, que é retomado com força nesse inicio de século por lideres das principais tradições religiosas dominantes.

E isso independe de se crê ou não no transcendente, afinal a vida na terra nunca esteve tão ameaçada mesmo, inclusive por atitudes da parte de muitos “religiosos” que dizem acreditar na divindade, mas que não conseguem cuidar da vida, fazendo com que muitas se percam nos descaminhos do mal da exploração, da intolerância, dos preconceitos e da vaidade.


P.S.: Esse texto está sendo publicado com algumas modificações, aqui no Overmundo, depois de ter sido publicado pela primeira vez, na edição 1142, do ano de 2005 do Jornal Cinform.
Me pareceu oportuno trazê-lo ao conhecimento dos overmanos e overminas, na semana em que os católicos celebram a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

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Edna Queiroz
 

Zezito, gostei do tema. Polêmico diante da multiplicidade de posicionamentos individuais, que por vezes se estende numa escala que vai do desconforto dos debates a casos extremos de guerra - gestos que seguem na contramão da convivência.
Expresso aqui uma singela opinião, sem a pretensão de convencer ou elevá-la à categoria de verdade absoluta:
Vejo a arte como parte da natureza de Deus. Em Gênesis I, após o ato de criar, vemos a expressão, como um estribilho: “E viu Deus que era bom”. Nós, limitados que somos, quando nos realizamos diante de algo que fazemos e julgamos bom, estamos vivenciando do mesmo sentimento.
A essência de tudo reside no exercício do amor – MAIOR DESAFIO DE TODOS OS TEMPOS, porém o tempero da boa convivência com o outro, com o grupo, com a sociedade, com a natureza que nos circunda. Daí a incessante tentativa de criarem ideologias, teorias, rituais e bandeiras que ofusquem essa essência. É mais fácil desconstruir tudo, projetando para Deus as mazelas individuais e sociais, desviando o foco, priorizando o detalhe. Provavelmente haverá até quem conteste o gênero da palavra AMOR (amor + a = amora!!!?). Vê-se de tudo por aí. Quem ama o próximo como a si mesmo nem precisa se preocupar com os NÃOs dos demais mandamentos, porque jamais desejará ser vítima dos efeitos decorrentes do descumprimento do que ali se apresenta.
O dividir, o compartilhar, o amar, o senso de equilíbrio, o acolher, a busca do sentido genuíno da paz são elementos que, no fundo, no fundo, todos sabem da existência. São atos simples, porém dolorosos diante da ditadura do ego. E “assim caminha a humanidade”...
Desculpe(m)-me se me extendi demais.
Abraços







Edna Queiroz · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2007 21:23
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Zezito de Oliveira
 

Edna,

Gostei muito das suas palavras e percebi que jorraram de uma fonte de sabedoria e luz e acredito que ajudam no entendimento daquilo qo que desejo transmitir.

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 3/4/2007 18:31
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Zezito de Oliveira
 

Edna,

Gostei muito das suas palavras e percebi que jorraram de uma fonte de sabedoria e luz.

Acredito que ajudam no entendimento daquilo a que me propus dizer.

Independente dos ritos e de opções de religião, desejo a você e a todos (as) uma Feliz Páscoa !!!

É uma festa carregada de simbolos e significados, que merecem uma atenção especial da nossa parte.

E é claro que vai muito além dos ovos e dos coelhinhos.


Abraços,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 3/4/2007 18:42
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Edna Queiroz
 

Obrigada.
Feliz Páscoa também. Realmente, o simbolismo é fantástico.
O comércio aproveita e elege o coelho (e seus ovos) como o personagem principal.
Abraços,

Edna Queiroz · Rio de Janeiro, RJ 3/4/2007 21:34
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