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A arte de ensinar a arte

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Elisangela Prado · Ribeirão Preto, SP
23/11/2009 · 0 · 0
 


Desde o primeiro dia letivo, as creches municipais têm como objetivo, levar aos seus pequenos “discípulos” a arte. Os projetos são elaborados e desenvolvidos desde o início do ano letivo com uma reunião pedagógica que tem a presença de todas as pessoas envolvidas com as crianças.
Estas crianças, com idades entre seis meses de vida, e em média três e meio anos de idade aprendem a conviver com a arte.
A educadora Sandra Baratella da Silva, da creche Padre Nelson, conta que no começo do ano um tema é escolhido. Cândido Portinari, por exemplo, foi o tema do ano. No decorrer do ano letivo, as crianças vão sendo familiarizadas com os temas sendo que os trabalhos e atividades são desenvolvidos de acordo com estes temas. Segundo a educadora, como a arte é muito rica, é subdividida entre as turmas de acordo com a faixa etária. Entre as crianças de berçário e maternal I e II, as atividades propostas adequam-se às suas habilidades.
A educadora em questão optou por trabalhar com a tela de Portinari, denominada “O Circo”. Para tanto, procurou trabalhar com este sub-tema, de diversas formas com sua turma. Desde o simples “pintar”, contar histórias, até contextualizar o dia-a-dia de Portinari.
Inicialmente, a tela do artista foi passo-a-passo, sendo reproduzida à maneira das crianças, ou seja, de acordo com o “seu olhar”. Os trabalhos foram expostos na própria creche. “Os artistas” foram, por instantes, os visitantes de sua própria exposição.
Uma canção foi cuidadosamente escolhida para acompanhar as atividades. Esta canção, no caso, “Piruetas”, de Chico Buarque, podia trazer ao dia-a-dia das crianças todo o “dinamismo de um circo”, de acordo com a opinião da educadora. Trocando em miúdos, isto significou reviver com os pequeninos todas as atividades circenses.
No decorrer dos dias, Portinari incorporou-se a todas as atividades que eram desenvolvidas com as crianças. Em determinada época do ano, a educadora conta que os pequeninos já estavam praticamente vivendo o artista.
Esta é a forma de “levar” a arte que a creche encontrou, e mais do que isso, viu resultados muito relevantes. “Os pais sempre se interessam pelo cotidiano de seus filhos, mesmo os mais desinteressados, quase que não resistem aos encantos das crianças”, diz a educadora. “È também uma maneira de difusão da arte”, acredita, “talvez, para algumas famílias, as únicas formas de acesso a ela”.
No final do ano letivo, as crianças trabalham uma coreografia, o que não é fácil em se tratando de crianças, para apresentarem o tema agora para um público maior. No dia da apresentação, todas as famílias estão presentes e na expectativa.
O resultado? Não poderia ser mais surpreendente. Dezenas de crianças dançando e cantando, fazendo suas coreografias ora com mais, ora com menos com perfeição, mas enfim, levando a todos os presentes um inesquecível nome: Cândido Portinari.

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