A atual mulher moderna

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morreale · Belo Horizonte, MG
3/5/2007 · 102 · 5
 



Voltar aos anos 20 não é nada ruim, ainda mais quando se trata da mulher. Uma época em que o mundo era eufórico e as mulheres ainda tinham o posto de moderna sem levantar às 7:15 da manhã. Tinham os pés no mundo e o mundo nas mãos. Elas não poderiam imaginar a verdade de uma mulher moderna. Enquanto os maridos lutavam para encher a geladeira, elas lutavam para encher o coração - deles - se enfeitando. E era em alto estilo (Coco Chanel) que marcavam a elegância e silhueta. Nos bailes os maridões esbanjavam suas melindrosas ao som do Jazz.
Não bastasse tanto luxo e o tempo caminhou. Mas caminhou junto as agonias, ansiedades e consquistas do “eu também posso, eu também sinto, eu também degusto”. Precisou queimar soutien em praça pública pra alarmar tudo e todos que as “modernonas-feministas-fominhas” estavam rebeldes e queriam ser as musas da sociedade. Os anos 20, 30, 40, ... passaram.Ta aí, estamos nos anos dois mil e mais alguns sem entender muito. Chegamos em um posto grande (coloca GRANDE lá no alto) mas não saímos do lugar (continuamos sensíveis, frágeis e sonhadoras). Somos escravas do tempo sem espaço.
E hoje é assim, ser moderna é acordar todo dia pulando da cama já devorando o jornal e café. Com volante nas mãos, salto no acelerador e coração queimando radares, chegamos ao trabalho; mil ligações, mil vozes, mil pensamentos. Ainda temos que permanecer lindas, cheirosas e gostosas. Unhas bem feitas, cara pintada e alma todo dia sendo lavada. Hoje mais que mulheres somos artistas. Precisamos saber todo “beabá”, de culinária a cabeça dos homens, de sexo seguro e delicado a sete artes. Permanecemos (AINDA com tanta briga) em um mundo preconceituoso, maldoso e infinito de mistérios. E pior que tudo isso, é não saber aonde vamos chegar. Conquistamos nosso espaço, continuamos em busca de direitos, deveres iguais e reconhecimento.
Então é isso aí, precisamos saber tanto e montar um machão pra falar que não sentimos. Mas sentimos sim! E sentimos exageradas. A gente sente dor de depilação, dor de cólica e dor de coração. Precisamos ser psicólogas do marido, dos filhos, dos cachorros. Temos que trabalhar, estudar, correr e ainda fazer social.
Agora você concorda que voltar aos anos 20 não é nada ruim? Ao contrário, seria muuuuuuuuuuuuito bom se tudo fosse como antes.
Mesmo sabendo que estou longe dessa realidade, deixei aqui meu discurso marcado, não me conformo com essa dimensão que a mulher fez do mundo dela e hoje nada mais que vítima desse caso, estou aqui fazendo descaso enfrente ao computador (do meu trabalho) da mulher que sou. E será que alguém mais se habilita deixar discurso?
Obs: Hoje é sexta-feira, final de expediente, você acredita que eu vou sentar ali no bar com as amigas pra tomar um chopinho gelado e jogar confissões pros ouvidos? Que nada, depilação marcada... hahahahaha.

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Roberta Tum
 

Olha amiga, a evolução dos tempos tem suas vantagens e desvantagens. Voltar aos anos 20 seria muito bom para algumas... para mim acho que não!
Um abraço.
P.S: marca depilação pra outra hora...rs

Roberta Tum · Palmas, TO 3/5/2007 15:43
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Renato Villaça
 

Assinado embaixo.

Como diria nosso amigo de luta "hay que endurecer sin perder la ternura"...
Nem a beleza.
Nem o amor.

Renato Villaça · Belo Horizonte, MG 3/5/2007 15:54
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valério cicqueira
 

Acho pontual pensar na "mulher de hoje". Só que pensar na mulher contemporânea, esquecendo o senso comum. Não na mulher criada na propaganda da "dove" e/ou da maior apresentadora de programa infantil brasileira, que tem que ser bonita e cheirosa. Ou estou enganado? Elas tem que ser bonita e cheirosa, sim. Assim como o homen tem que ser bonito e cheiroso. Ou nenhum dos dois, tem que ter a mesma qualidade. Acho que as mulheres não devem ser obrigado a nada. Não podemos negar que vivemos na "ditadura da beleza" em tempos de liberdade individual; Não podemos pensar que mulher que não se depila é sinal de má higiene...

valério cicqueira · Curitiba, PR 4/5/2007 00:19
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morreale
 

Roberta, este texto foi um desabafo “desesperador” da mulher que sou e da forma que encaro a vida. Sigo os padrões exarados da mulher moderna eu sou feministona (mesmo porque trabalho feito um macho) e em qualquer discussão sou a primeira a dar o grito na defesa das mulheres, mas confesso e assumo que utilizo realmente parte do meu lado direito do cérebro mais que os homens. Porque tenho diversas emoções e sinto dores (embora eu forje diversas vezes para dar continuidade ao que interessa: trabalho, trabalho e trabalho). É muito honesto a mulher que luta por direitos iguais assumir e lutar pelas verdades fisiológicas também, que sente dor, que é frágil e que às vezes precisa de calma. O homem não menstrua (não tem TPM), o homem não engravida (não sente dor de parto), o homem não desenvolve os seios (não carrega um peso no peito...). Enfim, continuo lutando por mil direitos das mulheres e este desabafo foi a honestidade e a coragem em si.

Renato, exato! O dinamismo da dureza e a ternura são propriedades incríveis da mulher. Poucas talvez encarem assim. Eu encaro.

Valério, eu não me obrigo a nada. Assumo.

Obrigada pelos comentários!!!!!!!!!

morreale · Belo Horizonte, MG 4/5/2007 09:27
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Regiane Maldonado
 

adoreiiiii..preciso do seu contato..emailllll.por favorrrrrrr

Regiane Maldonado · Iturama, MG 3/3/2009 12:20
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