Vanessa Barroso
“MINHA embriaguez, tu és meu cálice”.
(Anônimo)
Já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade: “Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua cachaça. Para beber, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres, folha de taioba, pouco importa: tudo serve”. Desde um intelectual reconhecido a um trabalhador desconhecido, a cachaça, mesmo em dias de campanhas contra o alcoolismo, é símbolo de alegria e tristeza do povo brasileiro.
O produto - que também pode ser chamado de abrideira, branquinha, brasileira, danada, espírito, homeopatia, imaculada, limpa, lisa, malvada, perigosa, preciosa, etc. – é fonte de descontração e farra para os amigos Sérgio Alípio dos Santos, 24, e Joselito Pereira Santana, 26, moradores de Jaguaripe. Segundo os rapazes, eles começam a beber muitas vezes às 10h da manhã e só param a noite.
Entre uma “loa” e outra (loa é conversa de freqüentador de bar) Joselito acabou contando o lado traiçoeiro “da água que passarinho não bebe”. “Rapaz, já aconteceu de eu namorar com uma mulher e no outro dia nem me lembrar quem era”, contou. Perguntamos, em seguida, se a mulher era bonita e já entre risos Joselito respondeu: “Sim ela era ‘pegável’, só que eu não me lembrava dela”, contou Joselito. Sérgio também não ficou atrás. Contou que muitas vezes teve que ser levado para casa: “Rapaz, várias vezes a rapaziada aí teve que me levar pra casa, morto de cachaça, eu já dormi na rua”, falou Sérgio, mostrando seus amigos.
No meio da entrevista, resolvemos experimentar a cachaça preferida dos meninos, que nos ensinaram até como degustar – tão logo era só virar o copo de 51 que custava R$0,50 a dose no bar de Leila, que disse abrir o bar muitas vezes às 8h da manhã. “As vezes eu abro aqui às 8h e já temos clientes pra beber, esses dois mesmo sempre estão por aqui”, disse ela rindo da nossa “cara” ao experimentar a cachaça.
Ainda em Jaguaripe, conhecemos outros bares e numa das paradas apreciamos o teor das cachaças consumidas pelos moradores da comunidade. Onde, aliás, a dose de cachaça varia de R$0,50 a R$2,50. E foi entre um gole de água e um pedaço de pão, como já recomendou o cachacista (apreciador e conhecedor do assunto) Bernardo Carvalho, também jornalista e coordenador do curso de jornalismo da Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC), que conhecemos e conseguimos diferenciar o teor das duas campeãs na comunidade.
No ranking da comunidade, as cachaças preferidas são, respectivamente: Caninha 51, da fabricante Muller, e a Dama da noite, cachaça mineira produzida artesanalmente. A Dama nos foi apresentada por Fagner Wellington, morador de Nova Brasília, com duas formas de apreciação: a primeira com limão e sal e a outra ela pura. “Quando você beber essa cachaça pura, vai ver que ela é mais forte do que quando misturada com sal e limão”, ensinou Fagner.
Ao experimentar as cachaças, percebi que a 51 é uma cachaça ardente, transparente e muito parecida com a cachaça destilada. O seu gosto varia entre a sensação de queimor e o sabor levemente adocicado no fundo. Já a Dama da Noite possui um gosto mais forte, amargo e que não se assemelha muito com a Abaíra, cachaça que ficou em primeiro lugar no ranking das cachaças mais consumidas no país.
De acordo com o professor Bernardo, a questão do gosto e da melhor cachaça, é algo bastante pessoal: “A questão de esta ou aquela ser a melhor cachaça é muito relativa, por que eu posso ter preferência por um tipo de cachaça e outra pessoa já gostar mais de outra”. Joselito, que diz ser casado com a “mardita”, afirma ter preferência pela infusão (mistura de todas as cachaças), ou seja, por vários tipos de cachaça ao mesmo tempo: “Do jeito que tiver eu bebo”. Já Sérgio, que é casado, gosta mais das cachaças “Foia pôde” e Erva Doce.
Na região da Estrada Velha, a cachaça mais forte encontrada foi a poca–zoio. Muito forte, de sabor intenso e ardente, é uma cachaça destilada. Ao fim da reportagem, depois de várias degustações,a poça-zoio deixou ambos os repórteres tontos, um com arranhões e o outro sem poder dirigir.
Muito bom esse texto !
Você está de Parabéns !
Um beijo !
viva então a "branquinha!...rsrs
Muito bom !!...votado !!!
Excelente texto! Muito Bom!
Meus votos, meus parabéns!!!
Beijos poéticos
Nem todos são Vinícius, né Vanessa ?
http://www.youtube.com/watch?v=WS1tF3xxWbc&feature=related
Um beijo !
Muito bom seu texto Vanessa. Se os dois caras morrer de tanto beber ao menos sabe-se qual a qualidade das Mardita que os matou. Não posso opinar, até hoje só tomei caipirinha feita pelo meu pai e como era gostosa!
Meus votos e parabéns!
Bjssssss
Vanessa,
Espirituoso e cativante o texto sobre a cachaça, esse patrimônio nacional.
Abs,
E viva a libação e viva a branquinha e viva a amarelinha e a de " ruzário"( ruzário é aquele que deixa uma espuma na linha divisória do copo) Beleza Vanrssa a sua libação a Baco! Votado.
raphaelreys · Montes Claros, MG 3/7/2008 07:27Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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