A BELEZA TRISTE DE ÁUREA MARTINS

Walter Firmo/Divulgação
Áurea Martins em foto do encarte de "Até Sangrar"
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Liliane Pelegrini · Belo Horizonte, MG
15/5/2008 · 132 · 6
 

Ouvir "Até Sangrar", segundo disco da cantora Áurea Martins - mas primeiro a ser lançado por uma major, a Biscoito Fino, num esquema mais profissional - é praticamente uma viagem em alguma máquina do tempo que nos leva a uma época passada. Mais precisamente, à época das grandes cantoras do rádio - Elizeth Cardoso, Zezé Gonzaga, Emilinha Borba, Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira...

A voz de Áurea, como as grandes divas daqueles tempos, exala elegância e uma certa melancolia bonita (isso sem contar o timbre aveludado, impecável), que não se encontram facilmente nas cantoras de hoje, chamadas de "divas", muitas vezes, por imprudência ou por total desconhecimento das caracteristicas que tornam uma artista diva de verdade. Áurea não teve até hoje o reconhecimento merecido, apesar da carreira longeva - iniciada ainda na década de 1960 - e do reconhecimento dos colegas da música - "Lembro quando Jamelão me cochichou, quando você foi convidada pra cantar numa reunião caseira: ‘Essa aí sabe das coisas’. Deu pra entender porque a Divina Elizeth saía de casa à noite (coisa rara!) pra ouvir outra cantora. E essa cantora era você", escreveu Hermínio Bello de Carvalho, no encarte de "Até Sangrar" .

Aliás - e tomara! -, que o novo disco, já que lançado com o suporte da Biscoito Fino, cumpra com a missão de apresentar a um público mais amplo o calibre de Áurea Martins. Bons atributos para isso o lançamento tem: beleza nos arranjos - assinados, em maioria por Francis Hime ou pelo Terra trio -, interpretação emocionante de Áurea e repertório que, ao misturar canções de Lupicínio Rodrigues ("Um Favor" e "Volta"), Herivelto Martins ("Edredon Vermelho"), Herbert Vianna e Paula Toller ("Nada por Mim") e Chico Buarque e Francis Hime ("Embarcação") dialoga perfeitamente com a trajetória da cantora das boates da antiga boemia do Rio de Janeiro.

Outro ponto alto de "Até Sangrar" é o time de amigos que Áurea trouxe para compartilhar desse trabalho. Nos bastidores, ela contou, por exemplo, com o dedo de Olívia Hime na direção artística. Na hora de entrar em estúdio, recebeu músicos do naipe de Cristóvão Bastos, João Donato, Alcione, Francis Hime e Emílio Santiago - os quatro últimos emprestam suas vozes em faixas que fazem o ouvinte entrar numa dor de cotovelo gostosa, até mesmo por essa evocação de um passado que faz lembrar de uma época em que música se fazia mais com o coração que com o bolso.

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Saramar
 

Sua apresentação da cantora excepcional é muito convidativa.
Obrigada por divulgar.
Eu mesma não a conheço, mas com essas referências, certamente irei comprar o disco.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 13/5/2008 09:23
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Helena Aragão
 

Liliane,
Você não sabe: estava planejando, junto com uma amiga, de escrever sobre a Áurea por aqui. Já tínhamos marcado e tudo, mas houve imprevistos no meio do caminho e tivemos que adiar. Então, foi com a maior felicidade que vi o título de teu texto e comprovei se tratar de uma resenha sobre o disco dela.
No lugar de me desanimar, isso só me fez querer entrevistá-la ainda mais. Acompanho a Áurea há muitos anos e acho uma das cantoras mais espontâneas e afinadas do Rio. Assim que fizer a matéria, aviso o link por aqui. Grande abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 13/5/2008 10:42
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Cida Almeida
 

Só nos resta comprar o disco e ouvir o quanto antes Áurea Martins.

Grande abraço.

Cida Almeida · Goiânia, GO 14/5/2008 12:01
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Carla Pereira da Fonte
 

Liliane, que coisa boa ver a queridíssima Áurea num texto tão delicado. Ela é o máximo para além da voz e repertório, é uma artista intensa e de presença impactante também.
Ainda não ouvi o cd, mas já fiquei feliz em saber que está ao alcance das mãos. Maravilha!

Carla Pereira da Fonte · Rio de Janeiro, RJ 15/5/2008 18:13
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Manezim do Jua
 

Vamos ao disco!
Parabéns e abraços.

Manezim do Jua · Juazeiro, BA 17/5/2008 12:58
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Ricardo Guima
 

Já sabia da lenda que é Áurea Martins. Comprei o cd no Rio e ao chegar em casa, ouvi e simplesmente CHAPEI com o canto de emoção que brota de sua garganta quase em vias de choro. Nem Elizete Cardoso, com Sua emoção contida e elegante, conseguiu me arrebatar tanto! Desde então, não me canso de ouví-la e recomendá-la!

Ricardo Guima · Belo Horizonte, MG 5/10/2009 18:24
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