Eduardo Logullo, autor de Meu Mundo Caiu - A Bossa E A Fossa de Maysa, destrói as ambições de qualquer repórter com sua primeira fala sobre a biografia que escreveu:
— Eu não sou fã da Maysa, daqueles que têm tudo dela, retrato na parede...
A bem da verdade, Logullo é bem crÃtico:
— A obra da Maysa é irregular, ela gravou muita coisa boba...
Mas, ele dirime qualquer dúvida sobre sua admiração pela biografada em poucas palavras:
— Ela foi uma mulher avançada, não vai haver mais cantoras como a Maysa.
Isto posto, Meu Mundo Caiu - A Bossa E A Fossa de Maysa passa a ficar lÃmpido como a água. Não há loas à cantora, tampouco um desespero desenfreado em entender o que levou uma mulher rica, bonita e muito famosa a uma morte estúpida, num acidente de carro no meio da horrenda Ponte Rio-Niterói. Logullo se interessa pela vida da cantora e, como se batesse um papo com seu leitor, vai desfilando os acontecimentos. Com a agilidade de um roteirista de cinema americano, o autor descobre a menina que sofreu abusos (de autoridade, por favor) num colégio de freiras da tradicional capital paulistana dos anos 30. Depois, ele mostra a mulher que seduziu, com seus olhos verdes penetrantes, um maior partido da high society da cidade. Não muito tempo depois, ele aponta a mulher que se tornou a primeira grande estrela brasileira da era da TV. Sem que percebamos, estamos ouvindo sobre a mulher alcóolatra e com fama de difÃcil que se rende à bossa nova... Maysa, Maysas.
— Eu queria fazer uma obra pop, diferente dessas biografias enormes que se vê no mercado — diz o autor, defendo a suposta simplicidade de seu trabalho. O quase-colunismo social da primeira terça parte do livro pode levar a uma idéia errônea sobre a obra. Porém, o leitor “mais exigente†só entende a estética depois que se vê pregado no papel. E não há grandes revelações no livro que justifique esse desejo de ler mais e mais. Como o material garimpado em um ano e meio de pesquisa pelo autor foi, basicamente, o arquivo público da cantora, é a soma de uma vida instigante com um estilo sem pretensões que torna a conversa/leitura muito natural.
Um dos grandes achados do autor estava ali o tempo todo, debaixo dos dÃgitos de todos nós: uma apresentação de Maysa na TV japonesa, no ano de 1960. Basta ver a apresentação para começar a compreender o frisson causado pela turbulenta vida da cantora.
“Saia justa, seu nome é Maysaâ€, é como o autor de Meu Mundo Caiu - a Bossa e a Fossa de Maysa resume o momento histórico.
Assista Maysa na NHK aqui e aqui.
Parabéns, linkei este tópico no blog Linha do tempo da Invenção Musical: http://tempomusica.blogspot.com/
É bom ver uma abordagem literária, num momento em que se supervalorizam outras formas de registro. Precisamos continuar lendo. Pelo visto, a obra vai conquistar seu público. Abraços, sucessos!
Maysa foi a maior cantora do Brasil e compositora tambem, pra nao dizer interprete. Caminhou junto com a Bossa Nova sem se render a ela. A musica popular brasileira ficou pobre depois de sua morte. Sua vida particular nao foi particular pelas particularidades daquela epoca. Ela era uma mulher 50 anos a sua frente. Ate hoje muitos nao conseguem atingir aonde ela chegou..." O meu mundo caiu" e' uma obra prima, que expressa um sentimento, coisa que os compositores de hoje nao tem e dificilmente vao ter, porque viveram no vacuo cultural criado durante o periodo da ditadura ...
Pela primeira vez, a Globo esta fazendo uma Serie que preste!
victorvapf · Belo Horizonte, MG 8/1/2009 16:40Via agora o video da Maysa! Pelo amor de Deus, o acompanhamento pessimo, derrubou nossa interprete, alias nunca vi japones tocar samba bem mesmo!!! Nota Zero para o acompanhamento!
victorvapf · Belo Horizonte, MG 8/1/2009 16:58Maysa está sendo redescoberta graças à Globo e à Jaime Monjardim, seu filho, que vencendo o desafio de expor a vida de sua mãe e de sua famÃlia, dirige uma das minisséries mais populares da TV.
Gyothobat · BrasÃlia, DF 9/1/2009 21:27
ta vendo, Roberto ?...eu achei sua reportagem excelente !...e continuo achando...Pena que vc achou todos os meus trabalhos uma b...Mas, pergunto : vc leu, ouviu, assistiu MESMO alguma coisa nossa, ou só entrou nos foruns "acirrados" ?...
Pô, cara...Vc é um jornalista...coisa feia, meu !
um amplexo
Infelizmente, Joe, esse não é o espaço para debatermos o tema. Como sempre você usando os fóruns inadequados para os debates. Você já recebeu um email-resposta. No mais, nos centremos no tema desta colaboração que isso, sim, enriquece o debate.
Roberto Maxwell · Japão , WW 3/3/2009 12:18Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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