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Mais que um festival de música, o Piauí Pop é uma forma de o piauiense, especialmente o mais jovem, se sentir “incluído”. Só quem mora aqui sabe da sensação ruim de saber que grandes shows acontecem em todo o país, até mesmo aqui pertinho no Ceará, e poucos, pouquíssimos chegam até nós.
De bandas e artistas do mainstream então, nem se fala. Existe uma carência muito grande por aqui. Não vou entrar em uma discussão inócua com quem acha que o Piauí produz muita coisa boa, que toda semana tem espetáculos no Teatro do Dirceu, que os músicos piauienses brilham nos barzinhos e blá blá blá... tudo isso é muito verdade! Sem discussão. Mas quero ver alguém dizer que não fica morrendo de vontade de ver um show do Los Hermanos, do Capital Inicial, do Barão Vermelho. Só para dar um exemplo, há alguns anos dezenas de jovens fretaram ônibus, se juntaram em vários carros e foram em caravana para São Luís para assistir a um show do Sepultura (que acabou nem rolando, para tristeza e decepção de quem sonhou em ver a banda).
Bandas que são consideradas “out” no eixo Rio-São Paulo, como o Biquíni Cavadão (lembra da nossa conversa na Lapa, André?), aqui fazem shows simplesmente lindos, inesquecíveis para quem assiste e certamente para os músicos também. O Bruno Gouveia é adorado, quando ele sobe no palco e soam os primeiros acordes, o chão treme de tanto que a galera pula. O show deste ano foi memorável. Às seis da manhã de uma segunda-feira, milhares de pessoas ainda cantavam e dançavam. Encerrar o festival com o Biquíni é literalmente deixar um “gosto de quero mais”. O Cidade Negra também levou à loucura milhares de pessoas, assim como o Kid Abelha, O Rappa, Lulu Santos e Barão Vermelho. Isso sem falar na histeria coletiva provocada pelos meninos do Los Hermanos. A moça que estava na minha frente cantava tão alto que certamente amanheceu afônica no dia seguinte. Até “Anna Júlia” eles tocaram, para espanto de muita gente.
O idealizador do evento, Marcus Peixoto, publicitário, 54 anos completados em pleno primeiro dia de shows, é um homem de grandes festas. Basta dizer que ele é o criador da Micarina, a micareta de Teresina que durante dez anos arrastou multidões. Problemas com a empresa organizadora acabaram por dar fim (e deixar saudades em muita gente, é bom que se diga) na festa, que já foi considerada a maior do Piauí. Peixoto criou há três anos o Piauí Pop para dar uma opção a quem estava cansado de Chicletes, Ivetes, Babados e afins. Deu certo.
Vitrine para bandas locais
Quando é que uma banda underground tem a oportunidade de tocar para 20, 30 mil pessoas? O Piauí Pop abre espaço para os músicos do Piauí mostrarem o que sabem fazer muito bem.
Bandas como Full Reggae, Káfila e Gramophone e músicos como Teófilo e Ostiga Jr. sabem da importância do evento.
A banda Acesso, uma das mais queridinhas por aqui, teve a boa idéia de gravar o show em DVD. Espero que não demore pra sair, porque foi muito, muito bom. O reggae da Acesso é uma delícia e é impossível não sair cantando o refrão de “Palavras no Papel”, que já é sucesso nas rádios locais. Aliás, as bandas de reggae – Fullreggae, Nando C.H.A., Cabesativa (de Parnaíba) e Karranka - este ano foram destaque no festival.
Como a proposta é agradar a todos os públicos, por isso além dos shows de música pop tem tenda eletrônica, hip hop, teatro e dança, não posso deixar de comentar que o público do heavy metal saiu decepcionado. Primeiro com o cancelamento do show do Krisiun, marcado para a primeira noite, e também com o fato de o Anno Zero não ter tocado devido a problemas de comunicação com a organização. Centenas de pessoas afirmaram que tinham comprado o ingresso especialmente para ver a banda.
Os palcos menores, montados para espetáculos de dança, teatro, shows de rap e hip hop tiveram um público menor, mas bem atento. A cantora Maria da Inglaterra, que foi homenageada com o nome de um dos palcos (os outros dois são Torquato Neto e Assis Davis), mais uma vez deu um show de simpatia e alegria, emocionando quem estava na platéia. Para ela, ser pop é ser feliz e fazer o que gosta.
Para quem participou do festival, música pop não é só aquela que martela nossos ouvidos no rádio o dia todo. Por aqui, pop é ficar feliz da vida por ter três noites de shows e começar de já a contar o tempo pra edição 2007.
tags: Teresina PI musica piaui piaui-pop los-hermanos biquini-cavadao banda-acesso reggae-do-piaui festival teofilo
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O Piauí Pop é uma grande oportunidade pra bandas que normalmente fazem shows precários para alguns amigos tocarem para milhares de pessoas, em um som profissional, grande palco e espaço do tipo arena. Meu amigo, não é toda bandinha européia de brit pop que toca pra 30 mil almas. Recentemente, esteve no Brasil o Paradise Lost, um dos papas do metal dos anos 90, e tocou pra - pasmem - 1.000 pessoas. Pra algumas bandas que já saíram de moda nos grandes centros, é a chance de se tornarem grandes de novo, de renovarem seu público e até seu estilo e, quem sabe, até ganhar gás pra compor coisas novas e voltar à plena atividade. Problemas como o que aconteceu com o Anno Zero são lamentáveis sim, mas de forma alguma tiram o brilho do festival - até porque a organização, muitíssimo profissional, já explicou o ocorrido e prontificou-se de compensar a banda em uma futura oportunidade. Para um estado que tem uma sólida cultura underground ROQUEIRA (mesmo que os malditos lobistas de uma quase-inexistente-e-mesmo-assim-somente-ela-privilegiada-pseudo-música-regional nunca admitam isso), o Piauí Pop é a apoteose que faltava.
Eduardo Neves · Teresina (PI) · 21/7/2006 09:31
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Chiclete pop todo mundo quer mascar né Natacha??? Q a música rode este páis sem centralismos. E que a cultura regional seja POP e o POP seja regional. Piauí Rock Também.
Rodrigo Teixeira · Campo Grande (MS) · 22/7/2006 01:31
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Em entrevista, o músico Rodrigo Amarante (los Hermanos) falou da dificuldade que algumas bandas tem em tocar por aqui. O Piauí Pop soluciona o problema e põe fim aos limites da distância. Sinergia da música, sinergia do público...O Piauí Pop é um evento que não deixa espaço para o descontetamento de quem prestigia.
Giordani · Teresina (PI) · 22/7/2006 10:07
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Em entrevista, o músico Rodrigo Amarante (los Hermanos) falou da dificuldade que algumas bandas tem em tocar por aqui. O Piauí Pop soluciona o problema e põe fim aos limites da distância. Sinergia da música, sinergia do público...O Piauí Pop é um evento que não deixa espaço para o descontetamento de quem prestigia.
Giordani · Teresina (PI) · 22/7/2006 10:09
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O Piauí existe sim e veja quanta coisa boa nós temos!!!
Luciana Soares · Teresina (PI) · 22/7/2006 16:44
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Rodrigo, as bandas locais que tocam no festival são quase todas de rock! E tem mais o hip hop, o rap, a embolada, tudo no mesmo evento. isso é o mais bacana. beijo pra vc!
Natacha Maranhão · Teresina (PI) · 22/7/2006 19:51
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