A Caravana Arcoiris Espalhando Alegria e Paz.

Arquivo Caravana
Cerimônia Ecumênica de Tradição Indigena no dia 02 de Março
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Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
24/3/2007 · 106 · 12
 

A Caravana Arcoiris Por La Paz, formada por 25 artistas e ativistas altermundistas de diversas nacionalidades, tendo se originado no México no ano de 1996 e percorrido milhares de quilômetros de nuestra América, busca através da arte, da educação ambiental e da espitirualidade de tradição indígena, chamar a atenção das pessoas para a necessidade de (re) construirmos o paraíso que herdamos a partir da compreensão de que a vida é um todo indivisível e que a fragmentação, o isolamento e a mercantilização são as fontes da destruição e do sofrimento que nos impedem de viver e desfrutar a terra como um jardim de mil delícias.

Depois de ter tido a felicidade de ler, em 2006, um dos cartazes da Caravana afixado na sede da Rede Sergipe de Cultura, fui contagiado pela alegre expectativa de poder conhecer todo o grupo. No cartaz, se resumiam os objetivos do projeto: Fortalecer redes, grupos e movimentos biorregionais. Oferecer oficinas e cursos nas áreas, de alimentação saudável, permacultura, ecovilas, eco-educação para crianças e jovens, eco-feminismo, intercâmbio de conhecimentos das culturas indígenas e suas cerimônias, saúde e terapias holísticas, teatro, música, artes circenses, danças circulares, tomada de decisões por consenso e resoluções de conflitos para grupos.

As atividades da Caravana foram iniciadas com uma reunião com representantes de pontos de cultura e outras entidades e grupos culturais que escolheram alguns temas prioritários para palestras, vivências e oficinas.

O inicio dos trabalhos aconteceu com uma cerimônia ecumênica que rememora alguns cantos e rituais de diversos povos nativos desde o Canadá até a Patagônia, permeando, inclusive, a tradição dos nossos pataxós do sul da Bahia, incorporando também cantos e danças dos terreiros. Neste caso, a concha do Centro de Criatividade, lugar em que estava sendo realizada a atividade, tem tudo a ver, porque é um local de remanescentes de quilombos, alguns dos quais estiveram presentes (integrantes da ong Criliber , e alguns moradores da comunidade) com canto, dança e percussão.

Essa forma de interagir com os conhecimentos da população local esteve presente em todo o momento da realização das oficinas e vivências. No caso das danças circulares, por exemplo, os focalizadores da Caravana, em muitos momentos, convidaram aqueles que conheciam os passos das danças e folguedos sergipanos para compartilhar conhecimentos.

Como na música de Milton Nascimento “O artista dever ir onde o povo está†a Caravana foi ao encontro dos moradores do entorno do Centro de Criatividade e apresentou uma sessão de vídeos sobre quilombos dentro da comunidade da maloca e participou de alguns encontros com dirigentes dos setores de cultura, comunicação e gênero do MST para organizar algumas atividades em aliança e se integrar à Marcha do Dia Mundial das Mulheres que o movimento liderou em Aracaju em conjunto com outras organizações sociais.

Segundo Verônica “guacamayaâ€, articuladora/relações públicas da Caravana, a marcha foi muito linda. E evidentemente como nos outros anos, não poderia deixar de ser um protesto contra o modelo econômico vigente que privilegia a especulação financeira em detrimento das políticas sociais.
Foi também uma afirmação da necessidade de se buscar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, o que me fez lembrar um apelo que publiquei no jornal Cinform, em setembro de 1999, cujo titulo era “Fome de Pão e Fome de Belezaâ€.

O texto propunha unir essas duas dimensões essenciais da vida humana - a dimensão artistico/cultural, feminina, e a dimensão da luta social, masculina - as quais dificilmente caminham juntas: “Motivos para protestar não faltam: terra para plantar, emprego e salários decentes, educação pública de qualidade, casa para quem precisa de moradia, melhor atendimento a saúde etc... Ainda bem que nos restam alguns hectares de florestas não destruídos, alguns rios não poluídos, alguns belos espécimes da fauna e da flora (não sei até quando), algumas belas expressões da cultura popular (...). Por isso, os ativistas sociais precisam urgentemente re(conhecer), valorizar, promover, apoiar (...) aquilo que nós produzimos de melhor em termos de expressões artísticas/culturais, e defender o que ainda resta de nossa rica biodiversidade. Foi isso que faltou para o Grito dos Excluídos ser ainda melhor – um pouco da arte do circo, do teatro de rua, os índios xocós e dança religiosa “toréâ€, os blocos afros, os atabaques, o rap e a dança de rua, o repente e as músicas de Luís Gonzaga (...)Concluindo, concordamos com o Fora FHC (principalmente por causa da política econômica e por causa da falta de sensibilidade com o drama da violência e da fome) e o Fora FMI (mentor da política econômica em vigor), acrescento também: Fora a Mesmice, a Chatice e a Falta de Criatividade. E como os estudantes franceses em maio de 1968: “A Imaginação no Poderâ€.

O final da programação oficial se deu no dia 10 de Março, com uma mostra artística e festa multicultural com os artistas e educadores da Caravana e com os de Sergipe. Estes, por sua vez, interagiram participando de oficinas, vivências e palestras durante a semana em que a Caravana se instalou no Centro de Criatividade.

Na semana em que a Caravana esteve entre nós, experimentamos a felicidade do mundo que queremos para nós e para nossos descendentes. E para a realização disso é preciso respeito e diálogo com as diferenças, mas sem esquecer da necessidade da luta contra a desigualdade e contra todo tipo de opressão.

Por ultimo, não poderia deixar de registrar o meu contentamento com a participação de pessoas que convivem em mundos separados e distantes, embora busquem a “felicidade geral da naçãoâ€, como os artistas, ativistas dos movimentos sociais e Ongs e participantes de grupos holísticos. Lembro-me da urgência do casamento do céu com a terra, do sol com a lua. Ah! Como precisamos tanto integrar a arte, as lutas sociais e as diversas formas de expressão da espiritualidade.

Enfim, vale deixar um agradecimento para o Ministro Gilberto Gil, que tem a compreensão do que escrevi acima e por isso apóia o trabalho da Caravana através do Programa Cultura Viva, para o diretor e colegas do Centro de Criatividade, que fizeram o melhor para que aquela unidade da Secretaria de Estado da Cultura pudesse cumprir o papel para a qual a maioria dos sergipanos sinalizaram quando escolheram o nome de Marcelo Déda para governador deste estado, e a colaboração voluntária de Marcos, da Ong Ação Cultural, que ajudou a Caravana de diversas formas.

E em especial, “Gracias a La Vida†e a alguns companheiros (as) com os quais outrora compartilhei momentos semelhantes aos que vivi nesses dias, como: Simão, Ãlvaro, Ivete, Síria, Luiza de Marilac e Marcelo Veloso, do Centro Nordestino de Animação Popular do Recife; Garotos/Garotas e Educadores Sociais do Projeto Reculturarte, nos idos de 1989 a 1996 no Bairro América, em Aracaju; Kaká Werá, educador, escritor e pajé, natural de São Paulo; Alcino Ferreira e o chileno Clemente Lizana (in memoriam) da equipe Habeas Corpus do Recife; Zé Vicente, artista, ecologista, mistico - gerado no ventre das comunidades eclesiais de base do Ceará; William Valle, mestre focalizador de danças circulares de Belo Horizonte; Irene, natural do Pará, minha amada, cúmplice dos sonhos e projetos da construção de um novo homem e de uma nova mulher - sementes para outro mundo, - e Marcelo Barros, monge beneditino e escritor do mosteiro da Anunciação do Senhor em Goiás, que participa de cerimônias inter-religiosas como a realizada no primeiro dia e em outros momentos da Caravana em Sergipe e que tem feito um importante trabalho de critica aos fundamentalismos e fanatismo religioso que tantas desgraças vêm causando à vida de milhões de pessoas.

Esse artigo terá uma segunda parte com depoimentos de outras pessoas que participaram das diversas atividades da caravana.

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Egeu Laus
 

Ótima matéria, Zezito! Esbarrei rapidamente com eles em Vassouras, aqui no estado do Rio. Aguardamos a segunda parte!
Um abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 20/3/2007 21:51
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Higor Assis
 

Muito legal, valeu Zezito.

Higor Assis · São Paulo, SP 21/3/2007 08:38
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Ana Cullen
 

Fantástico!!! A matéria, o movimento, a idéia e crítica central do texto... assim como o Egeu, aguardando a segunda parte!
Abraços e parabéns!

Ana Cullen · Brasília, DF 21/3/2007 11:57
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Helena Aragão
 

Legal, Zezito. As fotos têm bem o espírito otimista que você dá ao texto... Só uma observação editorial boba, nada grave: Terra do Fogo não é parte da Patagônia?

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 21/3/2007 17:17
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Zezito de Oliveira
 

Muito Grato!!! Egeu
Muito Grato!!! Higor
Muchas Gracias !!! Ana Cullen
Muchas Gracias !!! Helena e também pela observação do detalhe do erro geográfico e sobretudo pela delicadeza como fez o comentário.

Abraços,


Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 22/3/2007 09:22
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Maxi Ferreira
 

Realmente, a matéria está muito boa. Espero que outros possam não apenas ler, mas também dar o seu voto e divulgar. Muito Axé a todos... e um maxi-abraço!!!

Maxi Ferreira · Aracaju, SE 23/3/2007 15:26
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Zezito de Oliveira
 

Maxi,
Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada teve/tem uma participação importante na produção dos nossos textos. Por isso, os elogios devem ser divididos também com você.

Muito Axé,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 23/3/2007 16:04
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lucy guerra
 

Olá Zezito, seu texto está bem completo, eu que assisti a algumas apresentaçãoes da Caravana pude lembrar, através do que voce citou, as sensaçoes maravilhosas que essa turminha deixou por aqui! Tambem gostei da vinda da caravana e percebo a necessidade de conversarmos e promovermos atuaçoes "ecoresponsáveis" para nosso povo. A parte que mais gostei do seu texto foi "Lembro-me da urgência do casamento do céu com a terra, do sol com a lua. Ah! Como precisamos tanto integrar a arte, as lutas sociais e as diversas formas de expressão da espiritualidade.". Acho que voce disse tudo aí!

lucy guerra · Aracaju, SE 24/3/2007 10:22
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Rafa oliva
 

maravilhoso, é simples assim ,tudo que precisamos, sinto falta na conscientização disso por parte de nós jovens, estar ciente de que há pessoas que focaram com iteligência oq realmente precisamos é fascinante. vida longa a caravana.

pena não ter sido avisado antes, gostaria de ter participado, e quem sabe ter criado uma ramificação dela por aqui.

abraços

Rafa oliva · Aracaju, SE 24/3/2007 10:38
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Tiago Araujo Melo
 

tive a oportunidade de conhece-los, ver o trabalho deles. ótimo! nem a lígua era dificuldade pra cultura se fazer presente!

Tiago Araujo Melo · Aracaju, SE 24/3/2007 14:47
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Marcos Carvalho
 

Zezito muito bom o texto,eu Marcos tive a honra de poder ficar bem proximo a eles no dia a dia,com participação deles aqui fez despertar o desejo de muitas pessoas pela cultura pela, divercidade cultural deles,também tive a aportunidade de poder conhecer pessoas novas e através deles fizemos muitas articulações com outros grupos e também foi muito importante a presença de Manoel Correa do MINC sobre a reunião com ele sobre os pontos de cultura fez fortalecer as ideias, graças a presença da CARAVANA ARCO IRIS que vai deixar muita saudade pra nós Sergipanos,eles me deram uma luz no fundo tunel me fizeram desperta muita coisa exclusive a Veronica quem sempre eu estava mais proxima no dia a dia.PARABENS ZEZITO E A Nós TODOS OS SERGIPANOS Pela honra de poder receber esta escola da vida''CARVANA ARCO IRIS

Marcos Carvalho · Aracaju, SE 26/3/2007 13:12
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Joana Eleutério
 

Depois vou ler coma mais calma ( inclusive recuperando os links) , mas o tema me apaixona, quando posso e tenho oportunidade costumo investir um pouco do meu tempo e da minha atenção nestes assuntos. Beijo grande.

Joana Eleutério · Brasília, DF 29/9/2007 11:39
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Participantes da Cerimônia Ecumênica. Raoni , Irene, Cristina,Ulisses e Marcos. zoom
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