A cena independente da música em Florianópolis

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Marielle Ramires · Cuiabá, MT
17/12/2006 · 160 · 9
 

Nem sempre uma cidade com vocação turística ou potencialidades econômicas em setores da economia tal como o comércio e outros é terreno fértil para um cena independente produtiva e dinâmica. Florianópolis ou floripa, como carinhosamente é lembrada, é um destes exemplos de caso.

E é no contrapé deste panorama que Luciano Vítor, produtor cultural e colunista da Revista Dynamite, abraçou a idéia do Circuito Fora do Eixo, adentrando a cidade numa das maiores ações em rede já vistas no país, o Grito Rock Integrado.

Em entrevista, Luciano Vítor apresentou os paradigmas envoltos ao cenário florianopolitano, contando também quais os planos Grito Rock Florianópolis.

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MR - Como você ficou sabendo da ação integrada e como surgiu o interesse em integrar Florianópolis?

Luciano Vitor - Fiquei sabendo em Londrina através do Ynaiã Benthroldo, do Espaço Cubo, e da Revista Dynamite, onde sou colunista, e quando vi o banner, não pensei duas vezes, quero fazer parte disso. O espaço é muito organizado, um modelo a ser copiado. Por isso me interessou. E Florianópolis nunca teve um festival (por menor que fosse) que tivesse a repercussão que o Grito tem, por isso apesar das dificuldades que eu sei que vão acontecer, decidi me oferecer e o Pablo me aceitou (ehehehe)

MR- Como é a cena aí em Florianópolis?

Luciano Vitor - A cena aqui é ruim, festival de um dia dentro de um bar na minha opinião não é festival, existia um bar que era referência para toda cena do estado inteiro, o Underground, mas a polícia tanto incomodou o dono, que ele fechou e mudou-se para Porto Alegre. Existem bons festivais aqui no estado, mas na minha opinião, são mal divulgados e carecem de uma mídia de fora do estado. Temos o rural rock, o orquídea negra, o tchumistock, mas falta divulgar mais, trazer bandas com vários festivais na bagagem, e por conta de todos eles ocorrerem em outros municípios, nem sempre eles tem a mídia a favor. Eu respeito o trabalho dos produtores desses festivais, mas não entendo por que o Demosul, por exemplo, tem mais repercussão que todos eles juntos, entendeu o que falei? Falta por parte dos produtores um direcionamento externo.

MR - Você se refere a integração mesmo com outras cenas, né?

Luciano Vitor: Sim

Imprensa Fora do Eixo - Há um circuito profissional?

Luciano Vitor - A coisa aqui é muito mais na base da vontade das bandas do que pressupõe a existência de um circuito. Posso citar umas quatro bandas por exemplo que sempre estão correndo atrás de locais para tocar e saindo do estado com o próprio dinheiro: Ambervisions, Dellamarck, Pipodélica e Lenzi Brothers, essas bandas fazem o que fazem porque são do rock, mas dizer que existe um circuito aqui é ser otimista... existem locais para tocar... e agora... depois de uns 3 anos que o underground fechou... as coisas começam a ser mais profissionais.

MR - Quais locais?
Luciano Vitor - Na realidade temos uns oito picos no máximo para as bandas tocarem... se muito, temos também o espaço fios e formas, mas nada realmente com a cara das bandas..

Imprensa Fora do Eixo - E o público?
Luciano Vitor - É estranho o público daqui. Como eu te falei, existe mais uma tendência do pessoal sair de casa para uma festa com um nome estabelecido do que pagar R$ 7, R$ 10 reais para ver uma banda de fora. Existe muita aquela coisa de: “ah, é festa tal! vamos sair”... e não existe esse esforço de que temos bandas legais de fora e até mesmo locais.

MR - E as perspectivas para o grito: já definiram alguma coisa? Local, se será de bandas locais ou também de outros estados...

Luciano Vitor - Em dois dias depois da confirmação já fechei com duas bandas locais, mas com uma boa história dentro da cena independente: a The Royal Ass Shakers conta com Calvin na bateria (ele é musico independente há dez anos ou mais), o Rafael que era baixista da b-driver, outra boa banda que acabou, e o Marcos Butcher, que é fundador do Butchers Orchestra e mora aqui. E temos também os Flamejantes. Originalmente a banda acabou e foi reconstruída em Floripa pelo Zacani com músicos daqui.

Para o local, até a próxima segunda-feira quero definir, mas tudo leva a crer que será na Lagoa da Conceição ou no centro da cidade, não tem muito o que fugir disso, o carnaval bomba de verdade nesses dois bairros. Estou mantendo contato com algumas bandas de fora como: o Last Pain (SP), e Identidade (banda de apoio do Júpiter Maçã e que tem uma carreira paralela). Existem bandas que sonho trazer como: Pata de Elefante, Laranja Freak, Detetives, Biônica. Por enquanto estou indo devagar, pois não fechei nada em termos de patrocínio, nem de custos.

MR - E qual a expectativa de público?

Luciano Vitor - Olha essa é a pergunta mais difícil de responder. Se o carnaval for como sempre foi aqui, em torno de 300, 400 pessoas por noite. Floripa não tem uma casa que comporte mais que isso e dê uma estrutura boa para quem vá assistir a vários shows. Quero começar devagar e ir crescendo aos poucos.

MR - Você tem acompanhado o Circuito fora do eixo? Qual a sua avaliação sobre essa ação integrada?

Luciano Vitor - Olha tenho acompanhado de longe na verdade, tomo conhecimento através das colunas online do Pablo e do Finatti na Dynamite online, mas sei que as ações são muito louváveis e de certa forma inspiradoras, pois são um exemplo pra quem está de fora. Eu conheci o trabalho mais a fundo no último Demosul, quando o pessoal do Espaço Cubo deu uma palestra. A ação integrada é uma ótima forma de divulgar o maior número de bandas possíveis em vários lugares ao mesmo tempo, e como também faço parte do Loaded (radio on line), fico sabendo de novidades através do espaço que o Cubo tem lá.


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Marielle Ramires
 

pelo erros de digitação, antecipo desculpas. De qquer forma, segue a pesquisa apresentada. Att.

Marielle Ramires · Cuiabá, MT 15/12/2006 00:15
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Helena Aragão
 

Marielle, enquanto o texto está na fila de edição você pode editá-lo. É só clicar no lapisinho que aparece perto do título. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 15/12/2006 11:22
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Marielle Ramires
 

obrigada!

Marielle Ramires · Cuiabá, MT 15/12/2006 15:26
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Daniela Araújo
 

Todos precisamos de mais festivais...

Daniela Araújo · Santana de Parnaíba, SP 18/12/2006 10:21
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Simplesmente Milena
 

Muito boa a materia

Simplesmente Milena · Rio Branco, AC 19/12/2006 11:33
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Simplesmente Milena
 

Muito boa a materia

Simplesmente Milena · Rio Branco, AC 19/12/2006 11:36
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eduardo ferreira
 

legal marielle, a mais nova overmana de cuiabá. interessantíssimo essa sequência gritando pelo rock independente. cuiabá é periferia? é centro? essa é uma questão que se desloca de caso para caso. nem sempre as coisas são o que parecem ser ou as coisas estão mudando de lugar. isso é maravilhoso pois demonstra a capacidade humana de superação de seus limites. o centro é aqui! no coração da américa do sul. salve floripa! cadê os repolhos? acho que não podem faltar no grito rock daí...

eduardo ferreira · Cuiabá, MT 23/12/2006 18:46
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Walquíria Raizer
 

muito bom o texto Marielle. Saber do que tá rolando nas outras cenas é otimo.

Walquíria Raizer · Rio de Janeiro, RJ 21/1/2007 23:13
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jean mafra
 

olha, carioca, acho que o senhor perdeu uma grande oportunidade de ter apresentado a efervecente cena dessa cidade à quem não tem idéia do que aqui acontece. lamento profundamente ter que discordar de ti publicamente mas... existem bandas e eventos em florianópolis que mereciam se citados pelo senhor! não fazê-lo é uma irresponsabilidade.

a quem interessar possa: há sim uma cena acontecendo na ilha! exemplos? maltines, aerocirco, samambaia sound club, andrey & a baba do dragão de komodo, coletivo operante, zuleika zimbabue, da caverna (bandas); nação balanço, clube da luta, devassa (eventos); underfloripa, tô puto (sites) e ainda tem mais...

alguma duvida? dê uma visitada em minha coluna:
http://www.toputo.com.br/?show=lerMateria&id_materia=2028

jean mafra · Florianópolis, SC 13/7/2007 15:21
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