A CRISE DA NOSSA MPB

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ANIBAL BEÇA · Manaus, AM
11/5/2008 · 185 · 46
 

A CRISE DA NOSSA MPB

Aníbal Beça ©

A música popular brasileira está em crise. Pelo menos aquela que se rotulou, na década de setenta, como MPB. A que se inscreveu na História como transgressora e libertária nos tempos da ditadura. Levando essa bandeira na era dos festivais no circuito Sampa-Rio.
Aliás, essa música, em 2007 comemorou 40 anos dos primeiros festivais, e este ano: 50 de Bossa-Nova.

Os compositores como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Gonzaguinha, Paulo César Pinheiro, Tom Jobim e Milton Nascimento. Só para ficarmos com sete nomes expressivos dessa época. Apenas o último, o mineiro-carioca de mil tons, conseguiu se fixar, atualizando-se, no gosto da juventude de hoje.

Se não acredita, meu querido leitor, então faça o teste. Pergunte a jovens na faixa de dezesseis aos vinte e cinco anos quem é Edu Lobo, Marcos Valle, Taiguara, Geraldo Vandré? Agora, pasme! Sequer o ícone mais querido Chico Buarque é conhecido.

A culpa é de quem? Das rádios que não tocam mais esses compositores? Não creio. Deve haver outro fator endógeno no meio do caminho como a pedra do poeta itabirano.

O brasileiro padece da enfermidade inquieta do nihilismo. Tudo acaba em nada. Ás vezes dá um tempo como chuva de verão, só para “deixa ficar, que eu quero ver aonde vai dar esse chove não molha”.

Como se joga fora, descartando-a como passadista, a BOSSA NOVA? O movimento musical mais expressivo da música popular da nossa história. A música que levou o Brasil mundo afora até hoje.
Os que viajam para América do Norte USA, Canadá e México sabem disso. Se for para a Europa aí é que ela continua tocando. Marcos Valle está muito bem obrigado em Londres.

A Tropicália dos baianos ainda sobrevive porque Gil e Caetano sempre tiveram proximidade maior junto aos jovens músicos, aos anseios dos ouvidos mais roqueiros e pops. Hoje você pode escutar hits dos dois até hoje sendo tocados em releitura por bandas de rock.

A minha tese é a de que os grandes compositores da era dos festivais se acomodaram. O público brasileiro, exigente, também descartou essa turma talentosa. Colocando-os como os “órfãos da MPB”. Não há mais milicos atravancando as nossas liberdades para um clima de música de protesto. Por isso mesmo a fórmula dos velhos festivais se exauriu. Muitos, da minha geração sessentinha, se exilaram, também órfãos de Marx, migrando para o esotérico. Na música para a NEW AGE, na literatura para o recontar sufi-bíblico-alcorânico de Paulo Coelho. Muito melhor como parceiro de Raulzito, sem dúvida.

E aonde buscar uma saída? Creio que o exemplo mais expressivo, está na proposta de Chico Science e Mestre Ambrósio em Pernambuco, por exemplo. Há outros indícios de mudança nos recantos mais escondidos do nosso Brasilzão..

Não podemos nos dar o luxo de jogar no lixo boas propostas. Pela nossa riqueza rítmica e cultural. Essa diversidade que encanta estrangeiros ao ponto de aqui virem buscar as nossas batidas e transformá-las, pela beleza e pelo marketing, num batuque universal.

Fica a pergunta em tom de provocação. Espicaçar para traçar uma reta. Antes que acusem o nosso espaço sistêmico pela culpa da pirataria e pela programação das rádios. A Internet é mais embaixo.

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Benny Franklin
 

Anibal, parceiro e amigo,

Esta sua crônica-revolta que reza sobre a nossa MPB tem sua razão de ser.

Nossa MPB, infelizmente sofre de abandono por quase toda juventude brasileira - que prefere ouvir músicas importadas quase sempre sem melodia e de péssima qualidade.

A culpa é de quem? Respondo. Das rádios que não tocam mais esses compositores. Acredito nisso.

Creio. Também, não há outro fator senão o desprezo que as rádios nacionais (?) dedicam a nossos velhos-bons compositores/cantores.

A pedra no meio do caminho - como dizia o poeta itabirano
- é a carrada de DJ's sem cultura ou preparo que invadiram as seara
dos antigos e tradicionais clubes de dança, barzinhos, boates e emissoras AM e FM.

Claro. Toda regra há excessão. Não são todos homens de embalo que cantam na mesma laia...

Os poucos DJ's comprometidos com a Bossa Nova, Tropicália...
Urram atrás de emprego.

Dai...

Parabéns, pelo ótima e oportuna crônica.

Abraço Paraoara.

Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 9/5/2008 21:34
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ANIBAL BEÇA
 

Benny querido, acho que a culpa é nossa também. Passa pela organização da categoria. Diluidos sozinhos nós não temos como enfrentar o capital neo-liberal que é cruel.
O Jabá romântico de ontem há muito se institucionalizou. Fica na mão dos donods de rádio. Ora, as empresas grandes, com muita grana e estratégias de mercado, deitam e rolam entre os nossos artistas. Mas a coisa está mudando com a Internet. Não há mais, acredito, como refrear essa pirataria. Então, eles têm que pensar em maneiras de usar a WEB para essa comercialização. Aí a coisa irá ficar mais democrática, antevejo.E a um custo bem menor. Vamos torcer por isso. Obrigado pela leitura.

Abraço amazônico


ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 9/5/2008 21:44
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clara arruda
 

Volto na votação.Um grande abraço.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2008 10:53
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Lili_Beth*
 

Olá Anibal!

Muito pertinente a tua ocupação com o tema. A falta de opções para escolhas é algo que facilita a extrema posse mercadológica da MPB pelas grandes empresas. Tu estás fazendo a tua parte nesse espaço surreal. Teu texto aponta.

Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2008 16:16
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ANIBAL BEÇA
 

Lilibeth querida, vc. se uniu a mim concordando quando diz da 'posse mercadológica. Precisamos de mais soldados para essa caua. Seja muito bem-vinda (lembra-se da música do Chico com esse nome?). Obrigado pela leitura e pelas palavras.

Beijos muitos

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 10/5/2008 21:27
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Saramar
 

Anibal, acho que o problema tem raízes mais profundas relacionadas à própria educação ou à falta dela.
Observamos a degradação geométrica e acelerada dos costumes e a degeneração da família (perdão, mas tenho que ir até esse extremo).
Os pais, sem tempo, sequer sabem o que é aquilo que os filhos ouvem em seus moderníssimos instrumentos.
Não têm tempo para ensinar, mostrar pelo exemplo e, mais grave, não têm mais influência sobre o que os filhos escolhem.
Ora, tudo neste mundo depende da demanda, como sabemos.
E, atualmente, qual é a demanda musical? É o lixo (perdão), justamente porque nossos jovens não tiveram como aprender a escolher e são manipulados pelo que a demanda os obriga.
Este é um processo sem volta?
Não creio, sou sempre esperançosa.
Há movimentos pequenos, porém constantes no sentido de resgatar o bom gosto, o prazer e a beleza da música. Só não sei se veremos os seus resultados.
A propósito, este seu texto mesmo é um dos braços deste movimento.
Obrigada.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 10/5/2008 23:06
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ANIBAL BEÇA
 

Saramar querida, vc. tem também razão. A pressa de hoje em dia não dá muito tempo aos pais. Sequer para o almoço em família. Mas também não quero radicalizar ao ponto de achar que tudo é um lixo. Até gosto de alguns compositores e bandas novas. O que eu torço para acontecer é por essa democratização através da WEB. Claro, que sem pirataria. Com todos pagando muito menos e podendo escolher. Os cedês custam uma fortuna em produção. Existe algum problema nesse gargalo. Os artistas também tem que cobrar de suas sociedades de arrecadação. Ao invés de ficar falando mal do ECAD deveriam era se engajar nessa luta para que os artistas e escritores recebam dignamente seus direitos autorais. O ECAD ruim com ele, peor sem ele como diz o povo. E o povo sempre é sábio. Obrigado pela leitura e pelo comentário.

Postei poemas novos
http://www.overmundo.com.br/banco/poesia-erotica-1

Ternura e carinho

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 10/5/2008 23:37
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graça grauna
 

Querido poeta, cronista e amigo Beça: primeiramente estou aqui só pelo prazer de ler, de ter a gostosura do teu abraço amazônico. O outro motivo é dizer que é de fazer chorar o que está acontecendo no cenario da MPB . Há poucos instantes eu estava procurando musicas que lavassem minha alma, musicas pra reanimar meu espirito quixotesco. Mas a poluição sonora é tanta e chego a pensar que esse mar de lama é pra nos fazer de otário. Meu amigo Beça, seu artigo é mais um convite pra gente se engajar na luta dos direitos não só os autorais, mas o direito que ainda nos resta de sonhar com os bons festivais. Estou contigo. tens meu voto, sempre.

graça grauna · Recife, PE 11/5/2008 09:18
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ANIBAL BEÇA
 

Graúna querida,se vc. me mandar um e-mail que suporte MP3, devagarinho vou lhe mandando músicas do meus dois cedês e de outros compositores bons, mas desconhecidos.
Realmente é uma pena o que está ocorrendo. Mas às vezes quando a gente pensa que está tudo perdido.. e lá vem uma luzinha para nos devolver a esperança. Ontem no Serginho Groismann fiquei alegre em ver Dominguinhos, Siba e aquela cantora nova Mariana não sei o quê, não me lembro, mas gostei muito da voz dela. Pra vc. ver o genial Dominguinhos na maior, do alto dos seus 73 anos com a menenia de 23. Por aqui, em Manaus, começo timidamente a orientar um movimento musical que eu batisei de "bará-fusion", baré em homenagem aos indios baré e a universalização da proposta na palavra 'fusion', que é entendida no mundo todo. Não adianta chiar. O inglês virou o esperanto desses tempos. Mas a palavra também é grafada assim em muitos idiomas. Pois bem, como nada se cria, tudo se 'transcria', parti da experiência e das propostas de Chico Science e mestre Ambrósio para buscar no nosso beiradão amazônico o nosso som, a música que tenha a nossa cara. A Amazônia tem a sua música própria. Pará Macapá, Roraima, Acre, Rondônia e parte do Maranhão e Tocantins. Acontece, que o circuito 'globeleza' Rio-Sampa sempre foi excludente. Mas depois da Internet eles terão de pensar de outra maneira. Pode esperar, que eu também sou 'profeta' (o que todo poeta é, na verdade) essa questão de edição seja de livros, revistas e discos vai ter que se adaptar a essa corrida. Prevejo um lance mais democrático. Com ilhas culturais bem definidas. Acho que o Brasil já tem um início com os estados do sul RGS, Paraná e Santa Catarina. O outro bloco: Espírito Santo, São Paulo, Minas e Rio. O bloco do nordeste armorial: Pernambuco, Ceará,Paraíba, RGN, Alagoas, Piauí e Sergipe.Bahia o Bloco do Norte: Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre e o outro oriental Pará, Amapá, Maranhão,eTocantins. O central: Mato Grosso, Mtsul, Goiás e Distrito federal.
O Gil, inclusive, vem lutando para que isso ocorra, mas acaba privilegiando o estado dele. É isso, querida.
Muito obrigado pela visita, pela votação e pelas palavras.

Beijos amazônicos de dia das Maes

Claro, que o eixo histórico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 11/5/2008 12:41
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graça grauna
 

menino...teu comentário é coisa de gigante, de quem tem coração maior que o mundo; tão grande que ainda cabe tempo pra nos tirar do desassossego. Então meu amigo, fico feliz e muito em estar por aqui, fazendo parte da sua companhia, aprendendo muito com você; gosto de ver o dseu entusiasmo e quero ver de perto assuas músicas, o seu CD (quero comprar, mande pelo correio) e mais, quero divulgar sua musica lá terra do Dominguinhos. Pois é, trabalho lá em garanhuns e te digo, poeta, teu nome já está na boca de muita gente boa de lá...meus alunos..É isso, gostei de tudo que li. Terás meu voto, sempre. Obrigada pelo carinho!Grauninha.

graça grauna · Recife, PE 11/5/2008 13:03
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EdimoGinot
 

Anibal.
Cada vez que ouço um nome, uma referência, procuro ouvir para ver no que dá. Tudo acaba num tiro n'água. Porque acontece? Não sei. Falta de sintonia? Talvez seja o mais plausível. Os tempos são outros. Se surgir alguém vai ter que falar para os seus iguais e isso não acontece. Tentam reciclar idéias, tempos e sentimentos de outros tempos. Como se diz: a fila anda. Não adianta ficar olhando pra traz. "O barquinho, vai... A tardinha vem..." Não cola mais.
Um abraço
EG

EdimoGinot · Curitiba, PR 11/5/2008 16:50
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Lili_Beth*
 

Olá Anibal!

Mas olha só!!! rsrsrs
Fui presenteada com um DVD do Chico Buarque (Palavras), por dois dos meus Pequenos_Grandes_Meninos. Eu nem pedi ... rsrsrs ... Lembrei-me de ti !

Beijos_Meus*
*

VO(L)TADO!!!

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 11/5/2008 17:00
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ANIBAL BEÇA
 

lilibeth querida, parabéns pelo dia das Mães. Que bom que seus pequenos-grandes-meninos lhe presentearam com o nosso Chico. Seus ouvidos exilados agora poderão voltar à terra do bom som musical.Tenha bons sonhos neste domingo especial. Obrigado pela força.

Carinho, ternura
e beijos muitos

PS-É que eu sou "chameguento".

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 11/5/2008 17:15
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José Carlos Brandão
 

Caro Anibal. Quando se fala em MPB parece que se fala do passado. É um gênero que já era. Pelo menos, é fora de moda. Há mais de 40 anos, já havia a música importada. Isso importava? Quem quer criar ou ouvir a boa música brasileira, criava e ouvia. E importava influências que importavam. Deglutiam, transformavam. Numa boa antropofagia.
Com calma se vai ao longe. Persistimos. O que é do homem o diabo não come, não é? O que é nosso, ninguém nos pode tirar. O que vem é para acrescentar.
Abraços.

José Carlos Brandão · Bauru, SP 11/5/2008 19:36
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Marcos Paulo Carlito
 

Tenho uma explicação para o problema.
Somos mimetistas, aqui e no japão. Isso quer dizer que aprendemos reproduzindo o que nos influencia.
Pois bem. Lá no Japão (vamos dizer nos países com mais de 1.000 anos de História) eles vêm suas tradições, façanhas, conquistas, vitórias e derrotas, sendo contadas em monumentos, livros, museus e, até em música.
Aqui, cada década, melhor dizendo, cada ano, nos deparamos com o novo. Só que o novo, na verdade, é a velha ruptura incessante que desmerece os valores endógenos para evidenciar os exógenos. Isso aconteceu no período colonial, depois no endocolonialismo (quando, então, o mesmo modelo de exploração colonialista se deu através da manipulação da aristocracia local sobre a população anteriormente colonizada), na República até a contemporaneidade.

A cada dia se criam novas idéias e o completo descaso com nosso passado (inclusive o mais recente onde se inclue aí o momento onde surgiu a bossa e o MPB) é que vai, simplesmente, obscurecendo grandes nomes como o de Chico Buarque.

Bem, resumindo tudo isso podemos dizer que um dos nossos problemas é ausência de identidade cultural. Por enquanto somos apenas parte de uma imensa massa triturada em um liquidificador chamado Brasil, esse projeto de nação.

Outro dos problemas é que depois do movimento contra ditadura (que evidenciou os artistas cabeças da época), não houve mais luta a não ser em nichos isolados, nada que despertasse o interesse da mídia e dos setores libertários da sociedade. Sem comoção social o desbunde fica por conta das canções de paixão e carnaval. O povo está comendo, bebendo, então, não há heróis nem resistência.

Infelizmente, creio eu, nosso povo ainda imaturo (porque biológicamente somos uma combinação recente de matrizes étnicas muito variadas e culturalmente ainda engatinhamos na busca de uma identidade que conjumine globalização com valores endógenos) precisa daquilo que a boa vida não pode dar: choque.

Não sou a favor da guerra nem da revolução armada. Mas não vejo outra possibilidade de amadurecer o país enquanto não lutarmos com unhas e dentes para nos livrarmos da corrupção que assola o pais, um amontoado de calhordas que não tem compromisso algum com nossos valores, apenas com o fluxo do capital volátil, cada vez mais internacionalizado.

Enquanto isso vamos ficando por aqui, por ali, nos encontrando nos porões (até legais como esse aqui) del mundo, afinal, temos tantos hermanos que não podemos contá-los. Muitos tão bom ou melhores do que os outros que, aquela época, levantaram multidões. Somos os mesmos artistas de antes, falta-nos o palco, um grande palco de luta no Brasil.

Bem, tem um outro porém. Se nascesse outro Tim Maia e outra Elis Regina, acho que não seria necessário nem revolução nem nada. Bastaria soltarem a voz e o país estreneceria. Mas fazer o quê se não é sempre que os astros reencarnam por aqui?

Grande abraço Guaicuru!!!

Marcos Paulo Carlito · , MS 11/5/2008 21:08
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Mansur
 

A suas conclusões partem de premissas falsas, quando não, inexistentes. A sua tese é inócua, pois está baseada em sua opinião superficial. Vou escrever sobre o assunto em breve, com o rigor que ele merece.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2008 00:49
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clara arruda
 

Meu querido,não compareci na votação.Mas deixo aqui minha leitura,carinho e votos.Tive várias perdas nesse fim de semana.Infelizmente perdi 3 amigas num mesmo dia.me perdoa a ausência.Te amo amigo.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2008 06:58
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Mansur:
Não sei se você percebeu a seriedade do compromisso que assumiu ao detonar, sumariamente, o texto do Beça. Preferia que tivesse exposto, no próprio comentário, as suas contrarazões mas já que não o fez, quero ser avisado quando o seu rigoroso contratexto vier a lume .Merecemos isso!


beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

PS Inclusive, meu querido Beça, vou deixar em suspenso meu voto em seu texto aguardando o artigo do Mansur. Diante de crítica tão radical não há como votar nos dois textos.

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 12/5/2008 08:10
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sandra vi
 

joca não é a toa q tenho tua overpersona como referência
li o texto com cuidado e pensando que não dava pra votar ou não comentava ou esperava uma réplica que com certeza viria.
são afirmações quase pesadas. quase entendo a resposta calorenta do mansur.
temos mais coisas pra cantar nesse novo milênio aquelas músicas dos anos 60 e 70 e outras dos mesmos senhores citados ... considerando que os sistemas de comunicação e midia naquele tempo eram ainda mais precários que os de hoje em dia não podemos esquecer que muita gente sequer ouviu falar em bossa nova ou tropicália nesse brasilzão naquele tempo e mesmo até hoje, mas... ano passado fui a um show do antonio nóbrega numa cidade meio nariz empinadinho do sudeste sem nenhuma informação nem um barzinho de cultura nordestina nada, estavamos a uns quatorze graus com sorte, na rua dez... pensei meu deus vai ser vexame, estava lotadaço... a moçadinha de cadernos e mochilas cantado as músicas de cor, eu fiquei de cara, aquela que tem as nomes das tribos/etnias dos índios foi a coisa mais linda. temos montes de exemplos democráticos de jovens e música brasileira,
meus pais adoravam musica estrangeira e nacional, com eles aprendi tudo de dolores duran altemar dutra a glen miller e mesmo meus avós que se casaram em 1898 ouviam de modinhas a lundus boleros bach e na fronteira conheceram a musica paraguaia... e tinham veementes críticas para as musicas ruins a falta de respeito com os cânones da música, a falta de criatividade e verve nas composições daquele tempo...
meu filho gosta messsssmo do black sabath e de um bom samba ou chorinho (que aliás vem ocupando espaços e milhares de pessoinhas por esse país pra dentro), ele se emociona com os clássicos dos eruditos e dos "bitous" mas não vai deixar de dançar black eyed e fergie numa festa... não levem a mal, mas não suportamos o funk e o newneosertanejobrega que ocupa e muito bem as rádios de capitais e do interior, mas ó pra quem gosta, cai na roda viu, tem mais é que dançar e cantar junto, toda geração tem seu jerry adriani.
desculpem overmanos se também minhas afirmações foram quase meio pesadas à beça, morô? ainda não tenho a maturidade de esperar quieta do grande joca, rsrsrs

sandra vi · Petrópolis, RJ 12/5/2008 09:21
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new
 

o seu texto é sintomático do que está acontecendo,ultimamente, na seara musical brasileira.sobretudo eu que moro na região nordeste( mas especificamente no estado da Bahia) posso vociferar ,com toda a minha força,que o que esses conjuntos ,que se dizem ,musicais vem produzindo atualmente é lixo cultural da pior espécie.estou falando dessas supostas bandas de pagode,forró ,e afims, desprovidas de qualqer qualidade musical e artística.

new · Feira de Santana, BA 12/5/2008 11:44
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ANIBAL BEÇA
 

Minha cara Sandra, perdoe-me, mas não consigo ver coisas pesadas contra ninguém no que escrevi. Fiz esse artigo, depois de uma longa conversa com a letrista e compositora Ana Terra, que foi casada com o Danilo Caymmi e com o letrista e poeta Paulo César Pinheiro. Perguntei aos dois quais eram as novidades, o que eles tinham gravado recentemente enfim, quais os últimos trabalhos dos dois. Ana se adiantou e foi logo dizendo que a turma da MPB estava desmotivada por uma série de fatores: as gravadoras não estavam dando espaço para esse tipo de música, as rádios também. E que não era só ela que se encontrava nesse impasse, mas muitos compositores de renome. Paulo César Pinheiro, como se sabe, nunca padeceu dessa limitação. Até porque o samba e o bom pagode não o deixam. Pois bem, o que quis escrever, e se não fui claro, perdoe-me, foi que a música dos festivais e os próprios festivais, como fórmula havia se esgotado. Simplesmente, por certo acomodamento, ou porque o clima no país não era o mesmo. E muitos compositores insistiam e insistem em continuar na velha fórmula dos tempos de exceção. Ora, os festivais, que ficaram históricos, nem a Record, que realizou o primeiro junto com a Excelsior, nem a Globo que fez o FIC, conseguiram reeditá-los. A última tentativa da Globo foi, creio eu, com o MPB SHELL e a Record nem conseguiu levar à frente o seu projeto.

Falei também da Bossa-Nova. E do que falei não me arrependo de nada. Ao contrário do crítico Tinhorão, eu a tenho como a maior expressão de qualidade surgida na nossa música popular. E comigo estão muitos críticos, músicos mundo afora.

Nem falei do Outro Brasil, riquíssimo, com uma diversidade fantástica de ritmos. Refiro-me à música do Nordeste, do Sul, do Norte e Centro-Oeste. Vc. Citou muito bem o Antonio Nóbrega. Mas esse e um braço expressivo e importante do movimento Armorial do Recife. O mesmo caso o Chico Science e o Siba.

Não falei da musica que não esta com problemas. Casos do samba, e pagode no Rio de Janeiro. Sei muito bem do interesse de jovens pelo chorinho. E isso não e só no Rio.E no Brasil todo. Com Brasília despontando de forma bastante efetiva. A musica instrumental, o jazz. Ate aproveito para relatar que em Manaus alem do único festival de operas na América Latina, já na sua 13ª versão, estamos também fazendo um festival anual de jazz. Aqui entendido como a musica instrumental universal no sentido mais amplo. Ano passado, uma das atrações foi a Spok Frevo Orquestra, e devo também ressaltar a figura do compositor Egberto Gismonti também presente.

Portanto, minha cara Sandra, espero que nesse milênio o circuito Globeleza caia na real e tome consciência de que o Outro Brasil também existe musicalmente. E como existe. Não vou fazer graçolas com seu sobrenome. Jamais seria indelicado com uma filha de Eva-Lilith.Eh isso.

Ternura e carinho

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 12/5/2008 11:55
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ANIBAL BEÇA
 

Senhor Mansur, meu texto veio para espicaçar, no terreno das idéias. Com o intuito do debate aberto, respeitoso, elegante. Não sei o que motivou sua agressividade gratuita.
Se vossa senhoria tem outra interpretação, mais fundamentada, deveria tê-la colocada no espaço em que todos, democraticamente, escrevem. Concordando ou discordando. Mas não da maneira em que chegou com afronta e alçando-se à condição de autoridade sapientíssima na esfera da música popular. Mestre não é o que se intitula, senão aquele em que firmado,afirmado e eleito seja pelos seus pares seja pelos seus discípulos.
Não lhe responderei no mesmo tom. Fico com o Joca Oeiras quando sugere sua exposição contrária à minha interpretação aqui mesmo neste espaço. Vou aguardar. Passado na casca do alho, a munição está muito bem guardada. Que venha, então, senhor Al-Mansur. Kifac, mabsut? Ui...ui...ui...que medo!!!!!

Abraço amazônico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 12/5/2008 11:56
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Mansur
 

Percebam que não há nenhuma afronta pessoal, apenas crítica, em relação as idéias e a maneira como foram expostas.
Com respeito e sem mais, até breve.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2008 12:16
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Rafael D.
 

Muito bom levantarmos questões como esta não só em música, mas também em outras artes(teatro, literatura, etc) a criatividade e trabalhos autorais, com um mínimo de critério, são difícies de se encontrar em todo o mundo. Deve-se assim como este site, contribuir direta ou indiretamente para o fomento e sustentabilidade destas ações, agora a pergunta "X": DE QUE FORMA?...acredito que esta própria interlocução de idéias já seja um pequeno/grande passo que cada um pode ajudar. Acredito ainda que a extrema comercialização destas artes "inócuas" devem-se a inúmeros fatores dentre eles o baixo índice de escolaridade brasileiro, e a conhecida e indesejada influência RJ-SP. Mas também não é só isto, posso dizer que há a chamada crise de abstinência. Abraços e que venham bons frutos.

Rafael D. · Belo Horizonte, MG 12/5/2008 12:29
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Sandra Fonseca
 

Excelente sua questão. Mas, onde os festivais da canção que sumiram do cenário? a música e a poesia morrem à míngua neste país.Falta espaço aos novos e reavivar a memória dos consagrados. E tanta riqueza ainda há prá se decobrir.
Um abraço.
http://www.overmundo.com.br/banco/cartas-a-noite
Sandra Fonseca

Sandra Fonseca · Belo Horizonte, MG 12/5/2008 12:45
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Mansur:
De minha parte não o acusei de qualquer afronta pessoal. No entanto não acho correto "matar a cobra" sem mostrar o pau que é o que considero que você fez no seu comentário.
Por outro lado, acho até bom, desde que vc não fruste as minhas expectativas, isto é, não desfie as razões que o levaram a ser tão peremptório. Enquanto isto não ocorre, queira você ou não,permanece a impressão da crítica severa porém, absolutamente, gratuita. E fique certo, meu querido, quanto mais demorar o seu "artigo rigoroso e esclarecedor" mais dificil vai ficar a sua posição. Olha, Mansur, falo de coração, detestaria (ou detestarei) ter de chamá-lo de leviano, caso não venha a explicitar as suas críticas como já deveria ter feito, assim considero, quando fez críticas acerbas (embora, até hoje, não fundamentadas, sobre o assunto. Continuo aguardando, no entanto.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
beijos e abraços
do joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 12/5/2008 13:04
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LAILTON ARAÚJO
 


AMIGO ANIBAL BEÇA...


Idéias são idéias! A escrita é livre...

Você é compositor! Sabe o que escreve...

Tem chão... Poeira! Quem sou eu pra questionar?

Não concordo com todo o texto! Respeito...

Você está com os olhos abertos! E ouvidos musicais afinados.

Percebe que a sociedade brasileira está em "metamorfose".

Isso é bom ou ruim? Talvez o MinC responda!

Só por isso... Já merece o meu crédito!

Qual a função de quem escreve? Provocar?

Você provocou discussão... Tomara que eles também leiam!

Esse é o principal motivo que me prende ao Overmundo.

Discussão sempre... Eu aprendo mais!

Parabéns pela escrita!

Abraços.

Lailton Araújo

LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 12/5/2008 13:47
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LAILTON ARAÚJO
 


Sobre FESTIVAIS DE MPB.

Eles ainda existem...

Divulgados apenas por mídias locais e regionais.

Um link para leitura:

www.festivaisdobrasil.com.br


Abraços.

Lailton Araújo

LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 12/5/2008 14:05
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LAILTON ARAÚJO
 


PARA ILUSTRAÇÃO DO TEXTO...


ANÁLISE PESSOAL

( Lailton Araújo )


Partindo do princípio que o Brasil é um país com as diversas faces culturais dos povos que aqui chegaram (alguns forçados; outros - exilados; e uma minoria em busca de fortuna), e colocando em questão a homogeneidade da música brasileira em análise, dispomos de três pilares básicos que sustentam a musicalidade tupiniquim:

* Luiz Gonzaga - com a cara pernambucana, pele cabocla, harmonias árabes e o canto da “Asa Branca”;

* Dorival Caymmi - que tem a negritude baiana do recôncavo, influências lusitanas e as cantigas “É Doce Morrer no Mar”, “Promessa de Pescador” e outras obras primas;

* Pixinguinha (Pizindim) - neto direto da Mãe África, músico, compositor, arranjador e cidadão maior do planeta.

Estes “mestres” foram responsáveis pela quebra dos preconceitos musicais e raciais, no meio daqueles, que rotulam a produção musical brasileira como algo de elite. Algumas minorias, ainda cometem o erro de apropriação ilícita, daquilo que conhecemos popularmente como “MPB - Música Popular Brasileira”. As citadas minorias acham que a “MPB” é única e, portanto: homogênea e de poucos.

A globalização com as suas armadilhas e informações democráticas na era da internet, mostra que o segredo da “produção musical brasileira” - de qualidade indiscutível, não deve ser confundida com as aparências “homogêneas ou heterogêneas”. Cada pedaço do solo brasileiro foi há muito e é hoje, a moradia dos povos nômades (milenares ou contemporâneos), responsáveis por toda a beleza melódica, harmônica, rítmica e poética dos sons “multirraciais” e “multiculturais”, que diferenciam a nação “Brasil”, das outras tão iguais nos cantos dos pássaros, barulho do vento, espiritualidade dos terreiros e templos e democracia quase completa na criação artística.

Os artistas brasileiros (colocando em pauta, os que trabalham a expressão artística musical) sabem qual é a diferença entre criação, plágio e repetição. O Brasil sempre produziu e produzirá inovações na área da música, e seus filhos e filhas, beberam, bebem e beberão na fonte da universalidade (uma utopia - vale a pena sonhar!). A linguagem musical será a futura forma de comunicação entre os seres humanos, e quem sabe: os brasileiros serão os professores!

Publicado:

* REVISTA CULT

* OVERMUNDO

LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 12/5/2008 14:15
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ANIBAL BEÇA
 

Lailton querido, vc. foi na mosca. Eu quero mesmo é que se discuta, democraticamente, sem baixar o nível, respeitando sempre opiniões contrárias. Às vezes penso que o Brasil se esqueceu de discutir. Ainda bem que surgem páginas como esta para que exercitemos esse salutar ensejo.
Eu sei que ainda existem muitos festivais Brasil afora. Eu mesmo, do alto dos meus 61 anos de idade ainda participo. Mais pela farra do que competir a vera.Dia desses discutia a fôrma & forma desses festivais com dois compositores que participaram de muitos: Nilson Chaves e Eudes Fraga. Pois bem, cutucava-os dizendo que o modelo havia se exaurido. Não havia mais clima para festivais como os das décadas 60/70. E dava, como sugestão, que se fizessem "Mostras de Músicas". Ao invés de uma música, cada compositor tinha que apresentar 10 músicas. Aí, uma curadoria especializada, apontaria os compositores escolhidos. Em uma semana de amostra, teríamos, com dois artistas por noite, 14 shows. Que poderiam até, ser reapresentados à tarde ou pela manhã. É uma idéia que persigo há muito. Quem sabe, para o ano realize aqui em Manaus. Vc. já está convidado, amigo.

Abraço amazônico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 12/5/2008 14:30
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Diego Mode
 

Gostei do texto, mas não concordo muito com algumas partes. Realmente, a música tocada nas rádios nos dias de hoje segue a lógica máxima do capitalismo de nivelar tudo por baixo e apenas apresentar "canções" de fácil digestão. Mas a MPB está presente ativamente nesse processo. Existem rádios no Brasil (pelo menos no Rio de Janeiro) que tocam única e exclusivamente MPB. Ou seja, o problema não é a ausência da MPB em favorecimento de uma música estrangeira sem conteúdo...o real problema é a falta de conteúdo dentro da própria MPB nos dias de hoje. A MPB atualmente (e suas milhões de cantoras de vozes iguais e que cantam as mesmas coisas) segue à risca a cartilha das grandes gravadoras.
Ao meu ver, a nova música brasileira é justamente a que questiona essa "Instituição da MPB". O Chico Science (citado no seu texto) era um artista que sabia fazer uma união de ritmos brasileiros com o rock e a música eletrônica mais moderna que era produzida lá fora.

Bem, resumindo a ópera: Existe música de qualidade no Brasil atualmente? Sim. Toca nas rádios? Não, mas o que importa? Na era da internet, podemos ter mais escolhar do que nos anos 60. Mas acusar os jovens de serem extremamente manipulados por uma mídia de controle absoluto e ficar num eterno saudosismo das glórias de um passado idealizado (como eu vi em muitos dos comentários abaixo) não é a solução. O mundo mudou e a música também.

Diego Mode · Rio de Janeiro, RJ 12/5/2008 14:58
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ANIBAL BEÇA
 

Meu querido Diego, o que vc. pensa é o mesmo que eu penso.Há música feita por jovens de qualidade, há música feita pelos antigos, já passadistas, mas há também coroas fazendo um som de altíssima qualidade. Também escrevi que agora aqui pela Internet as coisas serão outras, mais democráticas e a um preço bem mais em conta. É isso.

Abraço grande

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 12/5/2008 15:29
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Duborges
 

Esse rapaz Joca Oeiras quer ser de fato um anjo. Está sempre pronto para fazer reparos na crítica de alguém. Parece que para ele ninguém pode ser criticado. Desse jeito, o Overmundo vai virar uma igrejinha com o seu anjo andarilho que desceu do Piauí.

Duborges · Santo Amaro, BA 12/5/2008 20:29
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Duborges
 

Aliás, não vi mesmo nenhuma ofensa no comentário de Mansur. Todos temos o direito de discordar da forma como determinado objeto é abordado, e isso não é afronta. Só imbecis (ou quem sabe anjos) podem ofender-se com a prática desse direito.

Duborges · Santo Amaro, BA 12/5/2008 20:44
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Duborges:
Tanto quanto você, não vi nenhuma ofensa no comentário do Mansur, nem afirmei isto em lugar nenhum. Apenas acho que não se detona um texto apenas com ameaças. Para criticar, como para elogiar, há que fundamentar.
Mas eu também não disse que o Mansur não tem argumentos, que fique isto claro, apenas não que não apresentou os argumentos que diz ter (pelo menos eu não vi). Agora, se não imbecís (ou não anjos) como você viram estes argumentos no texto do Mansur, nada posso fazer a respeito.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 12/5/2008 21:07
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marilia carboni
 

Passando p aqui tambem!!!!!
Mas não sei comentar...nem criticar, meu forte é ler e ficar babando p tudo!!! Morrendo de inveja destes escritores,poetas...enfim...

marilia carboni · Londrina, PR 12/5/2008 21:11
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Marcos Paulo Carlito
 

Duborges,

Postura é algo que também cai bem para não imbecis e não anjos como você. Por favor, não deixe seu nível baixar ainda mais.

Marcos Paulo Carlito · , MS 12/5/2008 21:42
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Marcos Paulo Carlito
 

O Mansur, continuamos esperando. Enquanto isso a prosopopéia vai tomando corpo.

Marcos Paulo Carlito · , MS 12/5/2008 21:46
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Duborges
 

Caro Carlito
Sinceramente, gostei muito da elegância do teu comentário. Vou procurar seguir o que disseste.

Duborges · Santo Amaro, BA 13/5/2008 08:07
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Duborges
 

Querido Beça
O teu texto é muito bom e devo dizer que alguns membros da tua geração sessentinha merecem, no mínimo, piedade. Sou apaixonado pelo Caetano Veloso da Tropicália, mas detesto a caricatura que ele se tornou, hoje, aos 65 anos. Amo o Chico Buarque de Construção, mas hoje em dia prefiro mais os livros do pai dele. Curto o Gilberto Gil que fez Domingo no Parque, mas não acho graça nas últimas canções do nosso ministro artista. Quanto ao Paulo Coelho, sem comentários...

Duborges · Santo Amaro, BA 13/5/2008 08:20
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Duborges
 

Quanto a algumas boas coisas escondidas nesse Brasilsão, cito uma banda baiana chamada Lampirônicos e uma outra, também baiana, chamada Flor Marginal.

Duborges · Santo Amaro, BA 13/5/2008 08:23
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Cintia Thome
 

Pois é...Aqueles nossos queridos estão esquecidos na mídia, nas rádios, mas posso dizer que existe muita gente boa em MPB por aí, como a cantora Luz Lima de Sampa, Chico Gomes de Salvador, BA (Overmundo) e tantos outros em bares , com seus cds vendendo por gravadoras independentes...Está acontecendo em Sampa a comemoração dos 25 anos do Café Piu Piu com apresentações belíssimas da nova Geração MPB, pouca divulgação, inclusive nos meios mais fortes...
Quanto aos nossos saudosos, estão a passos largos do que foram, reciclar é preciso(concordo com Duborges)
Texto importante, meu recado: "Acorda Brasil, Acorda Gil".
Que venham análises profundas e que contribuam a todos os músicos da MPB...

Cintia Thome · São Paulo, SP 13/5/2008 08:43
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ANIBAL BEÇA
 

Marília, Duborges e Marcos Paulo, obrigado pela visita e pelas opiniões. Todas respeitadas e importantes. O que está em questão não é o Beça e nem o Mansur, mas a nossa querida e boa música popular. Não gostaria que este espaço aqui descambasse para esse lado personalista de fulano versus beltrano. A discussão é muito mais ampla. Fico motivado e entusiasmado por que meu modesto texto tenha fomentado essa boa discussão, sempre, no terreno das 'idéias'.
Para dar mais consistência e subsídios ao que nos interessa sobre o tema, fui buscar os interessantes depoimentos no site TRÓPICOS, que também, discute a MPB.

Rodrigo Leão, compositor:
Muito interessante o artigo a “Morte e a morte da canção”. Mas não concordo com a idéia de que não existe mais a canção "de todos nós". Na verdade, penso que ela nunca existiu. O que existiu foi um Brasil menos fragmentado e rasgado pela desigualdade (portanto feito de consumidores culturais mais homogêneos), um cenário político ingênuo de "nós contra eles" e uma distribuição de informação altamente concentrada: elementos que formavam e facilitavam a vida de uma indústria, a da música, que desde os anos 60 já era controlada por gângsters em todo mundo -André Midani já escreveu muito bem a este respeito.
Então, não houve a era dourada da canção. Houve a era dourada da distribuição e venda da canção.
Junte a estes três fatos com um status quo artístico -os artístas com acesso aos meios de venda e distribuição- a maioria cariocas e baianos enturmados -que entregavam peças populares de "qualidade", e você cria a ilusão que havia algo de "mágico" naquelas canções.
Não é verdade. Não eram as canções. Se as canções fossem uma porcaria, e algumas são, quando despidas do contexto político, mesmo assim teriam sido "canções de todos nós". Tanto quanto aquela música de fim de ano da Globo: "Hoje a festa é sua..." A canção está igual. É o que é. A indústria está morrendo. O status quo setentista ficou rico e irrelevante.
Mas a canção vive feliz. Mano Brown é o novo Chico Buarque. A Pitty é a nova baiana. E hoje a noite Candeia, Noel e Cartola vão incendiar as noites dos adolescentes na Lapa no Rio de Janeiro. E em São Paulo, o Clube do Balanço, Sambasonics e Farufyno, reviverão o samba-rock (Marku Ribas, Bebeto, Branca Di Neve, Luís Wagner, etc) em três ou quatro bailes semanais. E por aí vai. Um dia vamos esquecer todas as canções. Mas as melhores vão demorar mais pra sumir.
José Eduardo Camargo, jornalista e compositor:
Renovação da tradição fazem os dois mil intérpretes que "resgatam" os sambas do Cartola todo ano -e com o Cartola fora de operação pra poder reclamar. Eu não quero renovar nada. Eu quero é criar.
Aliás, vamos fazer um reparo: Vlado Lima, a verdade e a luz, já havia proclamado a morte da MPB bem antes dessa entrevista do Chico.
E o rap brasileiro ainda carece de alguém capaz de unir inteligência e atitude. O Mano Brown bateu na trave. Quando o messias surgir, meu nego, sai de baixo.

Edgar Vitzel, publicitário e baterista da banda de rock Guerreiros Indestrutíveis:
Como hoje nós vivemos na sociedade da "aparência", o som que a música produz é sinônimo de conteúdo principal, sendo a letra algo menos importante ou significativo. Eu diria que mais vale uma música em que o intérprete cria uma situação que causa no ouvinte a sensação (mesmo que aparente) de que o cantor sabe o que está falando, tendo convicção sobre o que diz -perceba a forma imperativa, às vezes até arrogante, com que os cantores de hoje se expressam. Isso é mais importante do que o significado propriamente dito, fazendo com que o público admirador de musicas poéticas e políticas, que já é pequeno, desapareça em um futuro próximo, pois os jovens estão contaminados pela banalidade.
Assim, os compositores e músicos de qualidade não têm ânimo para produzir música rica em conteúdo cultural, pois, na hora do reconhecimento, ou seja, de comercializar sua obra, eles fatalmente sentirão dificuldades em uma sociedade onde o sujeito inteligente é discriminado -em contrapartida quem toca pagode nesse país tem público garantido, mesmo com as músicas contendo basicamente os mesmos arranjos, a mesma batida e letras que utilizam sempre o mesmo tema

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 13/5/2008 12:08
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Zezito de Oliveira
 

Anibal,
Se o Projeto Pixinguinha passar por aí dê uma olhada e descubra, como eu, q

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 14/5/2008 16:26
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Zezito de Oliveira
 

que talento existe, tanto em interpretação como em composição, o problema é que a maioria da população não tem acesso.
Abraço

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 14/5/2008 16:31
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ANIBAL BEÇA
 

Zezito, conheço o Pixinguina desde a sua primeira versão. Alguns companheiros aqui do Amazonas já participaram. Claro que existem novos e bons compositores , instrumentistas e intérpretes. O Nosso país é rico musicalmente. A expressão popular das diferentes regiões. Obrigado pela visita e leitura.

Abraço amazonico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 15/5/2008 14:16
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