O descaso do Estado com a população foi o que permitiu às grandes corporações adquirir forças para se tornarem agentes transformadores da grande massa. Os políticos que outrora tinham em suas mãos o poder, hoje não mais o detém e as grandes decisões do mercado só tendem a favorecer os investidores.
Os meios de comunicação, não por acaso, estão nas mãos destes investidores de uma forma direta ou indireta. Eles têm o poder de dirigir as informações à grande massa, veiculando sua propaganda e divulgando seu produto de uma forma abrangente. Acaba assim, por introduzi-las em todas camadas da sociedade.
Esta alienação, que grande parte da população sofre é devido ao forte trabalho de inserção de um produto no mercado, onde estas corporações midiatícas transgressoras ao pensamento mantêm sua autoridade indiretamente. O grande investidor trabalha com a mídia e com uma economia dirigida e favorecida a ele, sendo determinante muitas vezes o fato de que seus comandantes trabalharem para o Estado.
O fator igualitário de concorrência acaba não existindo, e com poucos produtos das outras concorrentes menores é nítida a visão de comercialização apenas do produto das grandes corporações.
A imprensa, que pode transcender a esta conjuntura de poderes e descrever os fatos diante da ética e da razão dos acontecimentos, não o faz. Pois os donos das agências de notícias e da escrita em muitos veículos são os investidores destas empresas, que comandam o capital. Em outros veículos, os investidores que mantém o jornal com anúncios de seus negócios fazem deles “reféns” deste modelo. Assim, alguns meios de comunicação e boa parte da mídia acabam sendo influenciadas pelos anunciantes.
Sabemos que grande parte dos veículos de comunicação, que de forma arbitraria noticiam o que lhes interessam, trazem medidas conservadoras e argumentativas do seu ponto de vista, mantendo uma tendência de comportamento ao qual a população deve crer.
E tornam-se capazes de alienar diversas camadas da população, onde muitos não têm o discernimento do que lhes é mostrado devido ao fato de o Estado não agir de forma eficaz sobre a educação
Tendo em vista um grande avanço e acesso de determinados setores da população aos meios de comunicação alternativos, caracterizando-se um entendimento sobre a democratização em favor da comunicação e com a expansão da internet de forma global introdutória á globalização.
Esta tecnologia gera um grande marco na crise que enfrenta o jornal impresso, onde há tempos ele esta se descaracterizando por falta de retorno financeiro. E sua autonomia já está sendo perdida para outros veículos. Com a internet, que transmite a notícia em tempo real, o 4º poder tende a perder seu espaço, pois a democratização de alguns veículos e a democratização da informação trazem consigo o fácil acesso para a sociedade.
Esta pode ser uma solução de longo alcance, para estancar esta alienação mundial sobre a informação. Logo, a informação é transmitida por pequenos veículos, transformados como agentes da comunicação que, nos dias atuais, não funciona.
Um trabalho com veículos menores, com uma visão mais direcionada a comunidades específicas, traria retorno mais amplo e o entendimento mais eficaz. Fazer com que esta sociedade participe de jornais comunitários, direcionando suas próprias notícias e as que lhes interessem de maneira ética, ampla e engajada, pode ser o resultado satisfatório para uma estrutura que vemos se degradar há épocas nos jornais que hoje ditam as regras nos meios de comunicação.
É preciso trabalhar com agentes transformadores da própria comunidade que, instigados e treinados para poder se relacionar melhor com a notícia, podem aprender todas questões primordiais do jornalismo. Isto seria fator decisivo para uma nova transformação da categoria, que hoje está tão desgastada.
Não é utópico. É, sim, engajado. Para melhorar a condição das pessoas que não tem chances de digerir informação de qualidade e com responsabilidade. Por fim, o jornalismo impresso não irá acabar do dia para a noite, e com certeza terá seu tempo de vida ainda. Mas sua forma de concepção e entendimento sobre vários setores tem de ser mais engajada com o factual. Sendo assim, a população terá mais crédito e confiança além do que hoje em dia o jornalismo impresso tem em seu poder.
Gostei!!! Bastante interessante o texto, pois retrata algo real e cotidiano. Às vezes a imprensa brasileira é criticada na sua atuação pelos poucos independentes que têm coragem e dá uns "faniquitos" , ao invés de fazer um "me culpa" e tentar corrigir o erro. Mas não tenho uma visão romantica desse processo, creio que qualquer mudança passa pela educação da maioria, educação para aguçar o senso crítico e questionar o estabelecido.Parabéns!!!
jair · Manaus, AM 17/5/2007 18:19
Valeu Jair.
Realmente o futuro está nos 'Agentes Transformadores da Notícia'.
Um abraço caro amigo.
Higor,
Recebi o seu recado e vou sugerir a leitura desse texto para alguns amigos(as). Fico feliz de saber que a discussão sobre a qualidade da informação é um assunto que tem alimentado uma porção de textos interessantes.
Como educador do sistema formal ,escola pública, e informal, através da açao comunitária, fico feliz em perceber algumas atividades, chamadas de educomunicação, que aponta para as saídas que você sugere no seu texto.Trata-se de preparar a população, em especial, adolescentes e jovens, para utilizar ferramentar que possibilite a produção de textos e imagens, inclusive, através do meio digital.
Aqui no overmundo há um texto de uma sergipana sobre um trabalho educativo nessa perspectiva,
Dê uma procurada nos textos do Overblog por estado de Sergipe.
Abraço,
O link é:
http://www.overmundo.com.br/overblog/educacao-comunicacao-e-cidadania
Tá bom, Higor. Mas não esqueça que somente 10% da população tem computador e só 8% tem acesso a internet. E desses quem tem banda larga?
Sabendo-se que 75% dos municípios brasileiros tem menos de 20 mil habitantes, uma saída interessante seria a conjunção dos chamados "telecentros" a publicações impressas baratas (no sistema on-demand).
Teríamos, quem sabe, a informação circulando via Internet e sua distribuição pelos meios convencionais (papel). Como conjugar as duas coisas é que ainda é o problema. A impressão "digital" precisa baratear ainda mais.
Abraço!
Zezito.
Fico lisongeado pelo comentário e por colocar meu texto em pauta para seus colegas de profissão. Acredito que trocando idéias, propostas, podemos fazer um pouquinho mais por quem precisa.
Um abraço amigo.
Egeu, amigão fico agradecido pelo comentário e pela indagação.
Sobre o texto, faço um questionamento sobre os "costumes éticos" que os grandes veiculos fazem atualmente. Coloco uma outra questão que é esta: É preciso trabalhar com agentes transformadores da própria comunidade que, instigados e treinados para poder se relacionar melhor com a notícia, podem aprender todas questões primordiais do jornalismo. Isto seria fator decisivo para uma nova transformação da categoria, que hoje está tão desgastada.
Nãodiscordo em nenhuma letra o que escreveu e este caso também é bem complicado/complexo, pois detém vontade política e quando só de pensar que dependemos desta vontade, sinto um pudor incontestavel sobre tal fato.
Mas o caso há ser discutido é uma eventual e factual crise do quarto poder. E o tanto que coloco os problemas, tento humildemente acreditar na solução da forma que escrevi.
Valeu mesmo hein!
Zezito, adorei o texto. Obrigado pela indicação.
Higor Assis · São Paulo, SP 18/5/2007 08:55
Pois é Higor, tem essa questão que o Egeu apontou. A exclusão digital é tamanha. Mas esse é um problemão. O jornalismo moderno nada mais é do uma manufatura, ou melhor, uma verdadeira industria. Os jornalistas são os operários da palavra e infelizmente reféns de um processo que não é de hoje. A internet está aí. O conteúdo colaborativo tem ganhado adebtos, mas ainda não é a solução. A solução todo mundo sabe qual é: Educação, comida na mesa, transporte público e depois disso tudo, consciência crítica.
Texto muito bacana. Um abraço pra todos.
Higor,
Muitos de nós sabemos, concordamos, até conversamos sobre isso. Discutir pública e amplamente é um passo além, que você ajuda a dar com sua colaboração. Isso é legal.
Mas achei a charge um pouco pessimista, como se não houvesse saída e imagino que você não acha isso.
Abraços
Cíntia
Filipe
Nós que estamos estudando sabemos só um pouquinho do que precisamos, mas a idéia é esta abrir uma discussão bacana entre os amigos. Eu dei minha pitada.
Valeu amigão!
CCorrales.
Agradecido pela presença. É algo bem forte e que pode tornar-se mais complexo ainda, "nós" temos esta perspectiva. Porém como o amigo Egeu disse, vários não tem acesso a informação e acredito que por eles é que temos de impor um ritmo mais arduo para fortalecer a democratização dos meios de comunicação e juntar isso ainda com a igualdade de oportunidades.
Acredito nesta perspectiva. Valeu querida.
Higor, vi sues comentários pelo Overmundo e se vc. quiser, tenho uns artigos em PDF bem interessantes, é só ler AQUI.
Se precisar do diretório completo, meu aulinha@aulinha.com.br
Sem problemas. Conhecimento deve ser compartilhado.
Me expressei errado no anterior. O certo é esse:
Higor, vi sues comentários pelo Overmundo e se vc. quiser, tenho uns artigos em PDF bem interessantes, é só ler AQUI.
Se precisar do diretório completo, meu e-mail é aulinha@aulinha.com.br
Conhecimento deve ser compartilhado.
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