Ótimo, agora nossos governantes acharam um réu para seus desmandos.
Primeiro foi a programação de televisão que desviava os jovens de seu santo caminho espiritual em busca de uma cultura de paz e de Deus. A culpa foi logo transferida para Counter Strike, passou por Bully, outro jogo proibido e agora chega na propaganda de cerveja.
E, vejam bem a inversão dos fatos. A culpa do menor se afogar em bebida é da propaganda e não do sujeito que, contrariando a lei, vendeu. A culpa do comportamento inadequado de crianças na sala de aula é do jogo Bully e não da construção histórica da educação no país. Aqui vale um adendo, a maioria das crianças sequer joga Bully, de modo que a explicação para o problema realmente encontrou o culpado errado. A culpa da má-formação de técnicos no Brasil é do SESC que investe mal seu dinheiro porque acredita que educação não é apenas formalidade, mas também cultura.
E claro, para tirar a culpa da mídia inventaram o controle social e, junto dele, um tal de consenso. Não existe nada que censura mais do que um consenso estabelecido. E claro, um certo grau de consenso é até desejado, o problema começa a se impor quando o consenso extrapola os limites do bom senso e o colocam engessado numa lei.
Foi então que instituições que supostamente cuidam da saúde das pessoas resolveram impor a saúde apoiando leis de cunho ditatorial como se a mudança fosse, de uma hora pra outra, ser a responsável por um certo bem-estar na sociedade. Assim, por exemplo, sem propaganda de bebida, um milagre vai ocorrer e, de uma hora para outra, sem o estímulo ao consumo, vão parar de beber. A mesmo coisa acontece com o que pensam do jogo Bully. Sem o estímulo à violência em sala de aula, os alunos, de uma hora para a outra, vão deixar de invejar o coleguinha do lado e tudo estará resolvido.
O fracasso de tal pensamento é tão evidente, mas o que é mais assombroso é que profissionais da saúde, apoiados por senadores evangélicos, se ocupem de coisas tão banais.
Por exemplo, ficou difícil explicar porque as pessoas consomem maconha já que a droga não é anunciada na TV. Claro, a explicação dos nossos profissionais de saúde, que com tal pensamento não são habilitados a tratar de ninguém, (os ex-junkies que o digam) é que bebidas alcoólicas são um trampolim para outras drogas. Logo quem bebe é um potencial candidato a fumar maconha, tomar ectasy e cheirar cocaína segundo os nossos profissionais da saúde que acham explicações para tudo em pesquisas de cunho pseudo-científico. É mais ou menos assim, segundo um relatório qualquer, cujo nome não vale a pena ser divulgado, 30% dos jovens no AA também fumam maconha. A relação passou então a ser óbvia mesmo que a propaganda de cerveja jamais tivesse dito linha sobre a erva. É o trampolim. A teoria do trampolim também já foi muito usada contra a própria maconha em si, segundo pensamento que se o jovem consome maconha, logo ele consome também cocaína, porque o trampolim, dessa vez no andar mais alto, o levou para isso. Claro! Há médicos mais realistas que contestam a teoria do trampolim e vêem nela um fundo falso. Por exemplo, o dr. Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém comprova a eficácia da Cannabis no tratamento contra o alcoolismo! Sacou o lance, se você for pular pelo trampolim do alcoolismo para a cannabis, na verdade, você vai estar se tratando.
O proibicionismo, uma corrente de pensamento americana, em geral, pega em cheio os profissionais da saúde que, antevendo seus consultórios repletos de drogados e drogadas adoram colocar coisas na cabeça das mãezinhas e, acreditam, fazem mais mal do que bem.
Os astros da terapia adolescente que freqüentam os programas televisivos, adoram aparecer mais do que a bunda da Juliana Paes. Trata-se da propaganda velada dos próprios serviços, vale lembrar que propaganda de serviço médico e farmacêutico é proibida mesmo.
Assim, de acordo com o que prega a política do medo, são omitidas algumas verdades dessas pesquisas e os caras ficam só com o lado ruim, quando não enganoso, afinal, quanto mais demonizar a propaganda, mais tempo de TV para o blá blá blá habitual daqueles que se dizem os guardiões da sua saúde e, danou-se o Foucault e o Freud. A deturpação obscurantista, por sua vez, também é sustentada por vingativos movimentos de democratização, religiosos evangélicos e policiais que, para preservar a própria autoridade e os rendimentos da demonização se juntam ao coro dissonante.
Pois bem que proibam a cerveja, o caso mesmo é que o pessoal ai de cima quer liberar o Prozac. E se você não está contente com a sua liberdade controlada, tudo bem, nós temos uma pílula para isso. Nas prateleiras do supermercado em breve você acha, pílula para te deixar feliz, uma para te deixar triste, outra pra vce gozar, uma para ficar excitado, outra para acalmar. E viva a ideologia! E claro, a culpa é da mídia!
Deveria vir escrito na bandeira junto com o Ordem e Progresso, a frase : aqui tudo se posterga, ou se inventa explicação furada!
Adorei teu texto, o problema é que nossos Governantes não encaram os problemas de cara, nenhum deles! Os problemas do Brasil são os mesmos de 30 anos atrás não muda!
beijos texto perfeito!
Obrigada, Tita!!! Eu acho que cansei desse negócio de colocarem a mídia como culpada de tudo.
Beijos
Gostei de ti, Gic, só nõ gostei de estares incógnito ( a )
Mostres tua car e junte-se a nós, teus amigos, teus companheiros de briga, vamos desmontar esse sistema falido, que ( nunca ) já deu o que tinha pra dar !
Um beijo, até à vitória !
Alcanu
Oi Alcanu, é que eu fui tão pessoalmente atacada por um certo sujeito em outro fórum que acho que caramujei. Mas, obrigada pelos elogios. Quem sabe esse não é publicado.
Beijos
Olha eu realmente acho que não precisava. O povo bebe, quem gosta, por que gosta, porque é bom. E o alcooal como entorper
tem quase a mesma idade do homem
um abraço
andre.
Poxa, galera, obrigada...só que só faltam quatro horas de votação...e eu queria tanto que fosse publicado
Beijos
Tudo bem, gic, o seu texto foi bem discutido, mas por formação, e olha que eu deveria concordar com seu ponto de vista, apesar que não discordo como um todo, mas, convenhamos, propaganda influencia sim, vai dizer que não!
Podemos começar falando de produtos de beleza, alimentação, eletroeletrônicos, etc., enfim, tudo que estimula consumo é fortalecido pela propaganda.
Pelo seu discurso, percebo que não és mal informado, muito menos ingênuo.
Veja, sabemos o auto grau de ideologia e, principalmente, de psicologia impregnada nos inúmeros informes pelos quais somos atropelados diariamante frente a telinha. E observe que não são somente pessoas esclarecidas e adultas que presenciam o turbilhão de notícias, pelo contrário, os principais alvos são crianças e adolescentes, sabes disso.
Como mãe, esposa, jornalista, penso que propanda, não só de cerveja, ajuda a disseminar o alcoolismo entre a população, apesar que isso não é peça fundamental, pois vejo como mais um dos fatores que estimulam, ainda que cada qual tenha sua parcela de contribuição para mais ou para menos, como por exemplo, a educação familiar, escolar, programas socias, orientação religiosa, etc.
No mais, respeito seu ponto de vista e acredito, apesar de tudo, na democracia.
Grande abraço.
Cara Náthima. A propaganda não estimula o consumo não. Inclusive, as empresas não anunciam porque a propaganda estimula o consumo. As empresas anunciam porque a propaganda reforça a marca. Pensar que as pessoas tem o miolo mole e são altamente influenciáveis por qualquer pedaço de obra audiovisual com 30 segundos e musiquinha no fundo é dar muito pouco valor ao ser humano. Desculpa a clareza, mas eu acho que é assim. Existem estudos que mostram que o estimulo ao consumo, o despertar do desejo realizado pela propaganda é próximo de 3%, ou seja, algo bastante irrisório para chegarem lá e proibirem alguma coisa por influência. A verdade é que, uma vez no boteco, vce vai escolher a cerveja da propaganda, mas isso é porque vce já decidiu ir tomar cerveja e não porque a propaganda mandou você ir ao boteco. Quer saber o que influencia mesmo a moçada a beber? Eu te digo, o jogo de futebol. Boa, tá afins de proibir?
gic · Rio de Janeiro, RJ 6/5/2008 17:16
Querido gic, precisas ler sobre mídias de massa. Eu sei que você é consciente do que diz, respeito você, aplaudo sua disposição a defender um ponto de vista, mas, o que eu disse é que é todo um conjunto de influências que levam pessoas a consumirem álcool, grogas ilícitas, etc.
No mais, no seu texto, você mesmo critica as porcentagens divulgadas em vista de pesquisas realizadas, "É mais ou menos assim, segundo um relatório qualquer, cujo nome não vale a pena ser divulgado, 30% dos jovens no AA também fumam maconha", disseste, pois é, também sou meio crítica às fórmulas prontas, apesar que não conseguimos escapar a elas.
Porém, o importante é que o consumo de álcool, e nisso acredito que você concorda, deve diminuir entre jovens e crianças, em vista a grande contribuiçãoà uma vida menos saudável.
Saúde para você!
Obs: se proibissem jogo de futebol, adoraria, detesto futebol.
Até mais.
Amigão,
Acho válida a sua exposição. Mas não concordo com algumas coisas. M mídia não é culpado por fazer as pessoas beberem ou não, porque como você disse, muita gente fuma maconha mas não aprendeu isso na tv.
Ocorre, porém, que tanto a maconha, como a bebida e o cigarro são drogas que viciam. Não vicia todo mundo, nem de uma mesma maneira. Tem quem não tenha problema nenhum com a bebida, mas tem aqueles que propensamente entram nela de cabeça e acabam alcólatras. Da mesma maneira, há quem já tenha dado uma bola na juventude, passou por isso e hoje tudo bem, nem se lembram mais de cmo é fumar maconha. Mas tem aqueles que experimentaram uma vez e nunca mais largaram, tornando-se, verdadeiramente viciados.
Então, acho que como a televisão não tem como dirigir sua programação a quem é ou não propenso a este ou aquele vício, deve sim deixar de propagandear cigarros, bebidas e outras drogas.
Outra questão que entra neste escôpo é a menoridade e o despreparo pscológico de crianças e adolescentes para lidar com as informações absorvidas pela na televisão. Acho incoerentemostrar a eles que beber com moderação faz bem e é legal, porque na verdade não é só isso o que acontece na realidade. Muitos jovens bebem e depois brigam, se envolvem em conflitos que acabam até em mortes e o poder das bebidas e outras drogas está diretamente relacionado a este tipo de fatalidade. Por isso não acho legal a propaganda de bebidas nem de cigarros na tv e sou a favor de uma verdadeira sensura para ambos.
Abraços Guaicuru!
gic, te convido a ler BUSCA INSENSATA, do Rubenio, tá no Banco. Vale conferir.
Abraços.
E só mais uma coisa, pensando na menoridade e na "fragilidade" hormonal das pessoas influenciáveis, o próximo passo é criar mecanismos de proteção na internet. Vai ser o maior barato. Dai, nem esse espaço aqui vai ter o direito de existir. Bem-feito para quem ceder a essa doutrina que andaram divulgando no Brasil. Vale lembrar que as leis são muitas, a infra-estrutura é diferente para as diferentes mídias, mas a doutrina é uma só.
gic · Rio de Janeiro, RJ 7/5/2008 17:26
Oi gic, bom dia, está mais tranqüilo hoje?
Quero dizer que você é alguém muito especial, apesar de nossas divergências quanto A E S S E A S S U N T O!
Beijos!
Oi Náthima, tranqüílissimo. Mas, em relação a nossas divergências quanto a esse assunto, veja temos pontos de concordância. Eu não estou dizendo que as pessoas devem beber, eu estou dizendo que não é a propaganda que leva as pessoas a beberem. Muito menos influência. Mas, cada um com seu cada qual. Eu não acredito na influência avassaladora da mídia dessa maneira, vide por exemplo, o plesbicito pelo desarmamento, a mídia apoiou imensamento, usando até mesmo o jornalismo. Foi uma grande derrota. Se vce quiser coninuar a debater isso, estou à sua disposição.
Beijos para vce também!
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