A CULTURA BRASILEIRA VIAJA NAS ONDAS DO ACASO...

Lailton Araújo
Retalhos do Brasil
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LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP
10/5/2007 · 108 · 12
 



Um dos brasileiros mais conhecidos no exterior é o Ministro da Cultura - Gilberto Gil. Ele deveria ter recebido o prêmio "Nobel da Paz - 2006". Até em um evento da ONU, o “Ministro-artista” participou cantando "A PAZ" - palavra que ficou harmoniosa e intimista, ao som do violão de "Gil".

No outro lado do enredo, grande parte da classe artística brasileira, não está em paz com o Ministro. Esses brasileiros acham que foram entregues ao "Deus Dará" e estão atrás da "Parabolicamará". E agora José? E agora amigo Gil? Palavras bonitas e poemas elaborados precisam de sintonias. As constelações tupiniquins da criação, não perdoam! Os versos escritos há décadas viraram profecias: "Olha lá vai passando a procissão... Esperando o que Jesus prometeu".

O "Ministro-compositor" viajou muitas vezes ao exterior! Será que andou divulgando a “Milenar Cultura Universal Brasileira? Macunaíma está aposentado? No amado, idolatrado e problemático Brasil, as políticas culturais parecem serpentes no Sertão... Se o Ministério da Cultura realizou eventos importantes, quais foram os resultados para a pacificação dos “egos machucados”? Os "Morros Urbanos", as “Brasílias Teimosas” e outros centros explosivos - no talento e na violência - continuam dependendo da arte para o exercício de cidadania!

Alguns dados estimados da população artística no Brasil: 50.000 músicos, 40.000 compositores, 100.000 artesãos, 30.000 escritores, milhares de atores e atrizes, e outros não mencionados - dependendo das minguadas verbas governamentais. Faltam programas e incentivos culturais! Sejamos justos: o atual Presidente da República, não é o único culpado. Os presidentes anteriores e outros governos das esferas municipais e estaduais participaram da degradação cultural.

Nessa terra de "jabá", o velho "bacalhau" (antes - comida de pobre) perdeu o "status". A controvertida "Classe Artística Brasileira" já não escuta o "Guarani"... O Brasil canta “Festa no Apê...”

Site:
http://lailtonaraujo.blog.terra.com.br/a_cultura_brasileira_viaja_nas_ondas_do_

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Guilherme Mattoso
 

interessante o protesto

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 7/5/2007 08:24
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AZnº 666
 

Meus parabens pelo desenho acima chama par o texto, e o texto poderia ser mais contundente mas pra que? A terrivel frase de Machado de Assis sempre me vem quando vejo textos de pessoas decepcionadas: PALAVRAS SÃO PALAVRAS, NADA MAIS QUE PALAVRAS! Quando Gil entrou eu VIBREI: ERA OQUE FALTAVA, agora não falta mais, minto falta uma cacilda, CACILDA BECKER, quando Jesus voltar e se Deus for Brasileiro como todo mundo vai RESSUSCITAR se DEUS QUISER ( o frasezinha mais SURRADA) poderemos ficar vivos uns 3 meses e faremos MILHARES de Filmes, MILHARES de Encontros Culturais, Folcloricos e Musicais etc. Porque na minha opinião A ESPERANÇA NO POBRE É EPILÈPTICA, É A ULTIMA QUE.....

AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ 9/5/2007 11:44
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maramarina
 

não é suficiente, mas é bem melhor do que já foi.

pode até ser puxasaquismo, pois é difícil separar a admiração que sempre tive por G. Gil, mas acredito que ele faz o possível para a cultura no país poder se manifestar e tal. Só que não depende só dele tb.

abs

maramarina · Aracaju, SE 10/5/2007 15:57
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FILIPE MAMEDE
 

O texto está muito bem escrito. As palavras e expressões usadas caíram como uma luva. Quanto ao conteúdo, a cultura realmente é um problema não só aqui. Falta divulgação, falta apoio. Mas o interessante é quem faz a cultura acontecer, não pare. Bola pra frente. No mais, um abraço. Até...

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 10/5/2007 16:41
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Marcelo V.
 

A questão é controversa, porque está cheio de gente esbravejando que o dinheiro dos impostos não deveria sustentar artistas (ou empresários que trabalham na área); na verdade, o dinheiro dos impostos (que, sabemos, são escorchantes) deveria era parar de ser desviado e mal gasto por todas as esferas do governo, para ser investido no desenvolvimento do país; conseqüentemente, o povo teria mais acesso a bens culturais, e os artistas teriam melhor condição de sobreviver, sem ficar apenas querendo "mamar na vaca". Mas reconheço que isto é uma utopia (bem, como disse o Eduardo Galeano, as utopias servem para nos manter na luta).

Marcelo V. · São Paulo, SP 10/5/2007 19:16
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Luiz Carlos Garrocho
 

Caro Lailton,

Sua preocupação é válida. Mas penso que emite um julgamento apressado e pouco embasado sobre a gestão de Gil no Ministério da Cultura. Hoje, só para dar um exemplo, multiplicam-se os Pontos de Cultura do país, resultado do seu doi-in antropológico, que produziu uma efetiva descentralização de verbas e recursos. Sem falar nas cameras setorais, na ampliação da discussão, entre outros fatores. Gil inverteu a lógica herdada do governo FHC, que era a da mercantilização da cultura. Criou focos claros que permitem planejamento, monitoramento e avaliação: cultura como cidadania, cultura como produção simbólica, cultura como desenvolvimento econômico. Vale a pena conhecer de perto o trabalho dessa valorosa equipe do Minc.
No entanto, a demanda é enorme mesma. E a avaliação de como apoiar, fomentar e incentivar passa por um trabalho técnico cuidadoso. É o que Gil e sua equipe estão fazendo. Podemos e devemos contribuir com críticas, mas eleas poderiam ser mais pontuais e esclarecedoras.

Um abraço

Luiz Carlos Garrocho · Belo Horizonte, MG 11/5/2007 11:33
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Marcelo V.
 

Vale lembrar que a verba destinada à pasta da Cultura é irrisória.

Marcelo V. · São Paulo, SP 11/5/2007 19:54
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"NAS ONDAS DO ACASO..." V. foi muito feliz na definição (logo no título) do que é FAZER CULTURA nesse país. Não vi realmente ninguém (exceto meu irmão, com seus "gracejos") tocar no cerne do problema, a falta real de apoio para QUEM FAZ CULTURA. Os tais MILHARES, talvez milhões, de músicos, escritores, atores, escultores, desenhistas, etc.
GIl ("balança a bunda, meu boi!") está ótimo? Para quem? Juntou-se à Petrobrás e só apóia cinema, algo de teatro e ESTATAIS diversas que "mexem" (a expressão correta é essa!) com Cultura, sem produzir algo de real, de efetivo, de valorável. Cadê os eventos de rock? Os festivais nacionais de musica? Apoio a CDs e coisas do gênero?
Acabo de ver a relação de contemplados do MinC, de 50 mil até 160 mil para meia dúzia (4 em verdade) produzirem PALESTRAS E SEMINÁRIOS sobre a influência (?!) da cultura no meio, etc, etc, discurso mui parecido com "esse" do dr. Luís Garrocho. Valha-nos, quem ?!
Não me conformo em ver em Brasília malas e cuecas com milh~es de reais enquanto se nega centavos a qualquer produtor cultural, como a prefeitura daqui de Ananindeua me negou OITENTA REAIS, para "patrocinar" um poema meu numa coletânea no Rio Grande do Sul. QUE PAÍS É ESTE ?
PS: foi W. Shakespeare quem escreveu em HAMLET (salvo engano) que "palavras são palavras e nada mais que palavras". o que muda o Mundo é AÇÃO ! VALEU, Laílton, pelo protesto... bela colagem como ilustração!

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 15/8/2007 19:32
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LAILTON ARAÚJO
 


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VOANDO COM AS ASAS DO TEMPO

( Lailton Araújo )

Já constavam nos antigos pergaminhos
Todos os escritos sobre a palavra amor
Amar o ser humano é amar toda a vida
Mesmo que os olhos céticos observem
Que o tempo viaja nos dias, meses, anos
E as páginas dos séculos virem milênios

Nós aprendemos os passos das estações
E vemos os pássaros esperando as flores
Se na primavera, as belas cores chegam
No inverno, o aconchego é bem maior...
É o outono que renovará o fruto doente
Com o calor do verão aquecendo a vida!

E brindemos com vinho um novo dia!
As novas safras das parreiras nos dirão
Se as nossas vidas foram renovadas...
Se as nossas metas foram alcançadas...
Os bons vinhos: são os mais velhos
A experiência vem dos erros e acertos

Abrace com calor quem tentou acertar
Mesmo errando, vale a pena a tentativa
Só alcançará os caminhos da harmonia
Quem passar pelas estradas da provação
Sabendo que a luz maior está no universo
Não se pode ter medo do vôo mais alto!

Grande abraço!

Lailton Araújo

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LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 6/9/2007 19:19
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LAILTON ARAÚJO
 


RUMOS CULTURAIS... FALTAM BÚSSOLAS

( Lailton Araújo )


Os navegantes do “Oceano Atlântico” tentam descobrir o segredo das tempestades, calmarias, ondas, marés e águas navegáveis, neste lado continental. Talvez não conheçam a geografia destes mares. A nação da análise é Brasil ou Brazil?


Estando em qualquer porto seguro, as naus dos descendentes lusitanos, franceses, ingleses e holandeses, caminham na escrita em 2007. São textos, poemas, letras e rascunhos. As criações literárias são livres! Não podem ser vinculadas aos interesses comerciais dos anunciantes nacionais ou internacionais. Muito menos: multinacionais. Sem quaisquer dúvidas: esse pedaço de chão (cagado e cuspido) pode precisar de uma revolução meio “dente por dente (x) nota por nota (x) letra por letra”. Por aqui existem poetas, compositores, letristas, músicos, fotógrafos e outros aprendizes sérios. É a maioria! A outra parte - pode ou não - está usando o lema: "tenho que me arrumá, senão, perco meu barquinho!” Desculpem a sinceridade! O mar já não é de marinheiro de primeira viagem! Quem não lembra do refrão: “Marinheiro, marinheiro (Marinheiro só)... Quem te ensinou a nadar... Ou foi o tombo do navio... Ou foi o balanço do mar...” (Bi Ribeiro/João Barone).


Muitas obras culturais - da antiga “Terra de Santa Cruz” - são originais. Aquelas tão comuns, massificadas, com a assinatura da mediocridade - ajudam ou não - no nascimento natural de uma concepção artística duvidosa, não crítica, que não recebeu crítica, e que jamais receberá crítica. Quem navega em tal mar poderá se afogar na monotonia; sonolento; em mar calmo. A viagem literária - às vezes - é previsível ou imprevisível. Depende da condução do capitão e marujos da embarcação. Como escrever sem colocar palavras ovais e frases triangulares? Aqui é América do Sul. O Caribe fica lá em cima! Se existem léguas ou milhas marítimas é uma questão de história? Qual é a praia ou litoral? Eles são de fora... “Eu não sou daqui (Marinheiro só)... Eu não tenho amor (Marinheiro só)... Eu sou da Bahia (Marinheiro só)... De São Salvador (Marinheiro só)...” (Adaptação de Caetano Veloso).


Entende-se que o objetivo é a meta necessária. O subjetivo lembra a arte. Chocar um ovo pode ser arte? Depende da ave! Ave César! Ave de rapina! Ave-da-avenida! Ave Maria! Quebram-se as formas! Rompem-se os conceitos e preconceitos! Talvez, aconteçam mudanças! As formações culturais das elites brasileiras soam como afronta ao simples, verdadeiro e genuíno. Será que os povos do Brasil sabem o que é cultura? Monteiro Lobato e Amacio Mazzaropi fazem falta!


Onde estão os artistas independentes? Será que não se afogaram nos patrocínios estatais do país? As MTV's diárias concorrem com as linguagens das TV’s digitais abertas! E haja amor, chavões, carrões e algumas bundas com silicone! É cultura “cult”, curtida, malhada, de melodias fáceis, harmonias baratas e letras esculachadas. Os brasileiros e brasileiras sentem tesão por bumba! É normal! São formas de mídia, comunicação, música, literatura e sacanagem - sobrevivendo - no mercado do MP4! As gravadoras tornaram-se gravadores caseiros e que computam prejuízos. Os novos direitos autorais dos que criam, já não são garantidos. A internet mutilou a criação do autor? “É a vida, é bonita e é bonita...” (Gonzaguinha).

Abraços.

Lailton Araújo


LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 30/11/2007 23:03
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Noelio Mello
 

Lailton, amigo e parceiro.
Justo e oportuno teu protesto. Só quem precisa bater nas prtas douradas do governo para conseguir um incentivo, para qualquer tipo de arte, sabe das dificuldades e do desprezo que é tratada a cultura nesse país sem memória.
Estou com você. Só resta ouvir festa no Apê. E o pior- sem os vinhos de boa safra- que estão sendo abertos em outros lugares.
Que Deus abençõe nossos aflitos protestos.
Abraços
Noélio

Noelio Mello · Belém, PA 31/7/2008 19:04
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Naeno
 

O Brasil nunca ligou para a sua arte. Não existe uma igreja, cujos altares são montados com peças antigas, de vários estilos, estão sendo saqueadas, de forma impune. Essas imagens roubadas são mandadas para o exterior, comercializadas por verdadeiras fortunas.
O governo, também é bom que se diga, os artistas consagrados da mpb, não estão nem aí com a avalanche de garranchos podres, como qualifico esta música de mau gosto executadas em todas as rádios, e tvs do brasil. O Faustão ganha com isso. O Ecad apresenta uma lista dos que mais arrecadam, e os nomes são os mesmos. Dos inatingíveis melhores de todos. Roberto Carlos, compositor de porcarias também, Caetano Veloso, não tem mais o que tirar de sua cabeça dissecada, brinca com a rapaziada da Bahia de bater tambor e vender a beça, querendo, por exemplo nos empurrar o seu primogênito como sendo um compositor. Compositor coisíssima nenhuma.
E porque não deixam de regravarem só sucessos antigos, quando existe uma gana de compositores de perfeita qualidade, melhores que eles, que não obtém desse o favor de ser mostrado.
Concordo com o teu manifesto e juntos chinguemos o governo e seus batedores de frente. Abaixo a bossa nova de pouco mais de quarenta músicos e de um só divulgador.
Viva as bundas das mulatas. Mas temos cabeça e voz, também, para mostrarmos. Dá-lhe Ilha de Cabo Verde, insignificante província cuja música se faz marcar no mundo inteiro. Viva a Jamaica.
Tenho querido falar.

Naeno · Teresina, PI 9/10/2008 16:50
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