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A (des) graça de um poeta

Francisco Lobo da Costa
1
Lúcio Xavier · Curitiba, PR
20/10/2008 · 255 · 36
 

Rodolpho: Há muito tempo que eu não via um temporal tão forte assim! Acho que a última vez foi no dia da morte do poeta Lobo da Costa. Lembro-me como se fosse hoje! Eu estava saindo da Bibliotheca Pública Pelotense, quando se deu aquele tremendo alarido...Era um tipo popular que entrava aos berros no prédio, chamando pelo Bibliotecário, o Sr. Francisco de Paula Pires.

João: Hei! Sr. Francisco! Venha rápido! O poeta Lobo da Costa foi visto caído nas mediações da Santa Cruz. Parece ter fugido do hospital. Vamos logo! Precisamos avisar alguém!


Francisco: Meu caro, neste momento não poderei ausentar-me da Bibliotheca, mas vá chamar Luis, o irmão do poeta, faça-o vir agora mesmo! Rápido! Vá!

No dia 12 de julho de 1853, nascia em Pelotas o poeta, jornalista e prosador Francisco Lobo da Costa. Considerado um dos principais escritores do século XIX, era filho do catarinense Antônio Cardoso da Costa e da baiana Júlia Lobo da Costa. Durante a adolescência trabalhou no estabelecimento comercial do pai, em um cartório da cidade e na agência de telégrafo. No entanto, todas essas ocupações mostraram-se entediantes e desestimulantes ao jovem rapaz. Em 1869, aos 16 anos, Lobo da Costa passou a dedicar-se às letras, fundou o jornal Castália e publicava poemas em periódicos de Pelotas. Nos anos seguintes, teve sua iniciação na imprensa noticiosa, trabalhando no Jornal do Comércio e atuando na redação do Diário de Pelotas.

Rodolpho: Na verdade, já pela manhã, algumas pessoas que passavam pela rua do hospital lembram de ter visto o poeta ganhar a rua e sair sem destino certo, enquanto que outras, insinuavam se tivera ele procurado uma taberna para beber.

Francisco: Acalme-se meu caro! Também compreendo que com este tempo, se não encontrarmos o poeta, apenas lhe caberá a morte certa. Resta-nos agora esperar! Já mandei que Luis procurasse a delegacia de Polícia e falasse com o delegado, major Joaquim Alves de Macedo, e contasse-lhe o ocorrido. Acalme-se! Ele deve estar chegando com...Veja! Aí vem ele!.

Luis: Senhores! Falei com o major! Ele prometeu mandar alguns praças no desempenho de nosso pedido. Mas com este tempo, temo que não o encontrem, antes do rigor da noite!


Em 1871, Lobo da Costa sofre a morte da mãe, fato que reflete fortemente em sua obra, onde, freqüentemente, passou a abordar temas de solidão e orfandade.
No ano seguinte, transferiu-se para Rio Grande, trabalhou no jornal Eco do Sul e publicou o livro de poemas Rosas Pálidas e o romance Espinhos d`alma, além de escrever para o teatro e colaborar com diversos jornais. Por volta de 1874, mudou-se para São Paulo no intuito de cursar a Faculdade de Direito. Passou um ano na capital paulista; durante esse tempo publicou o livro Lucubrações. Depois de deixar São Paulo e passar um período no Estado de Santa Catarina, onde manteve sua produção literária, publicando e participando, regularmente, das atividades culturais, regressou a Pelotas e reiniciou suas diligências na imprensa. Nesse retorno, atuou no Jornal do Comércio e no O Despertador e fundou os jornais A Lanterna e O Trovador.

Rodolpho: O que terá passado pela mente do poeta naquela noite? Que tipo de balanço da própria vida o impeliu ao infortúnio? Terá sido o amor platônico por Elvira, o casamento frustrado com a jovem Carolina Augusta Carnal ou o desespero por ver sua saúde se esvaindo?

Nos últimos anos de vida, Lobo da Costa mudou freqüentemente de cidade e de emprego. Nesse período, passou pelos jornais Onze de Julho, Progresso Literário, Gazeta Mercantil, de Rio Grande, O Cabrion, A Ventarola e O Mosquito e A Tribuna, ambos de Porto Alegre, além de manter sua produção teatral. Enquanto sua atividade artística se desenvolvia produtivamente, sua saúde arruinava-se. Lobo da Costa vinha, há algum tempo, entregando-se ao alcoolismo e, com isso, destruindo a maior parte de suas perspectivas futuras. Exceto a poesia, nada o prendia por muito tempo. Marcado pela desventura e a fatalidade, Lobo encaminhava-se para se transformar no modelo vivo do poeta romântico, em conflito com a sociedade e consigo mesmo; sua sensibilidade exacerbada tornou-se melancolia; a coragem da denúncia e da crítica facilmente transformaram-se em amargura.

Francisco: Bom dia delegado! Fiz questão de vir assim que pude, não desejo tomar-lhe o tempo, mas o temporal de ontem a noite deixou-me apreensivo. O Sr. tem notícias de nosso Lobo da Costa?

Delegado: Veja na rua Sr. Francisco! Ali vem o poeta, naquela carroça. E vem morto!

Após uma estada de dois anos em Dom Pedrito, Lobo da Costa percorreu as cidades de Bagé, Pelotas, Porto Alegre e, ao final, voltou para a terra natal, muito doente, sem poder trabalhar, sendo recolhido à Santa Casa de Misericórdia para tratar-se. Depois de diversas hospitalizações a enfermidade se agravara e o poeta permaneceu no hospital entre fins de 1887 e a metade do ano seguinte.
Na manhã do dia 18 de junho de 1888, Lobo da Costa, furtando-se à vigilância dos enfermeiros, ganhou a rua e saiu sem destino certo. Durante à tarde, foi visto nas mediações da Santa Cruz. Algumas pessoas o reconheceram e o delegado foi avisado daquele estranho aparecimento do poeta. A polícia alegou tê-lo procurado, mas não o encontrou. O frio e as intempéries da noite, cumulados com vândalos que saquearam Lobo da Costa, selaram o seu destino. Na manhã seguinte, um carroceiro encontrou seu corpo rijo e inerte na sarjeta, bem próximo à Santa Cruz.

Rodolpho: Durante minha trajetória como cronista e sindicalista, venho lutando contra os mais diversos tipos de preconceito. Hoje, passados mais de 100 anos da morte de Lobo da Costa, vejo-o tão injustiçado e sua memória tão inferiorizada quanto a raça e a classe a que tenho ombreado. Mesmo que ainda hoje seu gênio criativo seja reverenciado e reconhecido, a grande parcela da opinião pública quando menciona sua figura faz questão de reforçar a visão do ébrio, do artista arruinado pela bebida, deixando de lado a obra daquele que certamente foi o poeta mais popular do Rio Grande do Sul. Nessas décadas todas, vejo a facilidade de crerem em sua morte por embriaguez, furtando-se de vasculharem mais a fundo o desinteresse e o descaso que reinaram, desde os responsáveis pelo hospital até a delegacia, e assim perceberem que a civilizada Pelotas, de centro populoso e europeizado, tão ufanada pela caridade e pela filantropia, deixara morrer à mingua de assistência, de frio e desumanamente desamparado, um de seus filhos mais ilustres, digno pelos seus talentos, pelas suas obras, mas mais digno ainda pelas suas infelicidades!

Nota: Este roteiro é parte do Projeto Patrimônio-Pé-De-Ouvido

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Andre Pessego
 

Olha ai - à juventude, os mais moços que começam a escrever. Devemos, os mais velhos, nos adaptar às exigências de tempo espaço requerido pela Internet. Este é um bom exexplo de se fazer o retrato, uma biografia. Mistura-la (a biografia) com um trecho oupequenos trechos literários.
Gostei da forma da apresentação,.
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 19/10/2008 21:02
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Marcos Pontes
 

Um belo trabalho de pesquisa e uma maneira bem original de nos apresentar este poeta que, confesso, não conhecia. Boa sorte e sucesso!

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 19/10/2008 21:04
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Juliaura
 

Supimpa!

Juliaura · Porto Alegre, RS 19/10/2008 23:21
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Bruno Resende Ramos
 

Lúcio,
Essa matéria merece menção honrosa. Quantos destas páginas virtuais se acham na facilidade do ser poeta, criam, encenam ufanizam a forma de expressão literária mais ìntima, pessoal e transcendente das artes; no entanto ignoram as lutas de quem, por aqueles tempos, se enveredava pelos caminhos do ideal literário. Quantas prisões interiores num tempo em que as sensibilidades não eram depósito do crédito popular e ser artista era ser louco? Entre outras coisas, publicar era uma aventura ainda maior e o viver de livros uma impossibilidade. Em memória deste, porque também me acho muito sensibilizado pelo que narrou o seu texto, faço do meu voto um manifesto de pleno apoio a sua iniciativa e peço que sempre nos brinde com texto de tamanha magnitude, porque serviu-me de encorajamento, de fé na luta por um ideal literário, porque vi que na solidão daquele poeta havia um pedido de "escuta-me, ó mundo!". E, saibamos nós leitores desta grande homenagem, que a maior injustiça que se pode praticar num mundo mergulhado no acentuado gosto pelo materialismo é não ouvir a voz dos poetas, essas espíritos emprestados à carne, que nos emprestam de sua loucura-transe maior lucidez à vida.
Tenho dito!
T

Bruno Resende Ramos · Viçosa, MG 19/10/2008 23:47
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Felipe Gesteira
 

Excelente!

Felipe Gesteira · João Pessoa, PB 20/10/2008 01:08
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Lúcio Xavier
 

Bruno! Sem palavras para suas palavras. Obrigado! Podes ficar certo que depois desse comentário também estou mais encorajado para postar novos textos. Um grande abraço!

Lúcio Xavier · Curitiba, PR 20/10/2008 01:10
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Lola...
 

Fez-me pensar lúcio, se realmente escrevo. Diante do seu texto tão bem articulado e diante do próprio poeta apresentado mais o texto do Bruno fiquei com sérias dúvidas.
Parabéns.

Lola... · Curitiba, PR 20/10/2008 01:28
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Aglacy
 

Que bom convite. Não connhecia o valor do Lobo, não conhecia o valor do Lúcio.

Aglacy · Aracaju, SE 20/10/2008 01:37
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Doroni Hilgenberg
 

Lucio,
Gostei do seu modo de escrever
intercalando biografia e comentários.
Apesar da triste vida do poeta,
o texto ficou leve e gostosos de ler.
O poeta é um ser sensível e todas as coisas
que acontecem no mundo, atinge-o de uma
maneira mais brutal e muitos deles procuram
o esquecimento apelando para a bebida,
outros se suicidam. É triste, mas verdadeiro.

" O poeta acende uma luz e vai embora,
mas a luz permanece... ( Senun)
Bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 20/10/2008 02:06
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Doroni Hilgenberg
 

Editando-o
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 20/10/2008 02:07
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Compulsão Diária
 

Excelente matéria. dinâmica e com informações do poeta que também não conhecia a qualidade.
Gostei

Compulsão Diária · São Paulo, SP 20/10/2008 02:14
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Pepê Mattos
 

Muitos autores, por razões diversas, permanecem inéditos mesmo tempos depois de terem morrido... O enfoque dado por Lúcio a esse ilustre poeta leva-nos a pensar o quanto vale nossa lida... Muitos de nós deixaremos nosso legado aqui na rede mundial e nossa comunidade ignorará nossa obra... Pode ser que o simples fato de publicarmos aqui nossas percepções já nos satisfaça... E pensar que em outras modalidades de produtos culturais gasta-se a rodo na execução, edição, divulgação de eventos, patrocínio e apoio... Literatura não agrega valor, dizem os editores... Poesia, então, nem se fala... Belo texto, Lúcio... Votado!... Abraços...

Pepê Mattos · Macapá, AP 20/10/2008 08:56
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danlima
 

bom texto de pesquisa e de informação. Votado.

danlima · Brasília, DF 20/10/2008 09:17
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joe_brazuca
 

Belo texto elucidativo. Acabei de conhecer mais uma grande mente brasileira : Chico Lobo da Costa !
Muito bom, parabéns, votado !
abs
Joe

joe_brazuca · São Paulo, SP 20/10/2008 09:18
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Langinha
 

Parabéns: belo texto de pesquisa. Votado ! Abrs. Langinha
convido vc a visitar m/ novo trabalho em edição Chama -se "Ritinha". penso que irá gostar. Apareça lá...Abrs. Langinha...

Langinha · São Paulo, SP 20/10/2008 09:38
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Ivan Cezar
 

Voce fala de lugares que fazem parte de minha vida .
Votado !

Ivan Cezar · São Sepé, RS 20/10/2008 09:44
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

texto divinamente bem feito.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 20/10/2008 10:10
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celina vasques
 

celina vasques · Manaus, AM 20/10/2008 10:20
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Ademir Pascale
 

Excelente matéria! Vejo que muita coisa não mudou em 120 anos, pois muitos bons escritores até hoje não são reconhecidos e muito menos apoiados. Parabéns, Lúcio.

Ademir Pascale · São Paulo, SP 20/10/2008 10:28
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Omar Costa de Umbro
 

Belo resgate você conseguiu fazer num texto muito bem elaborado. Parabéns. Votado


Omar Costa de Umbro · São Paulo, SP 20/10/2008 10:46
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Fernando Kuki
 

Parabéns, Lúcio! Uma forma de apresentar o poeta que mexe muito com a gente!
abraços,
Kuki

Fernando Kuki · São Paulo, SP 20/10/2008 11:29
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Saramar
 

Meus parabéns pelo lúcido e emocionante texto.
Além de conhecer este poeta tão importante, tive o prazer de desfrutar de seu estilo com estes flashes pessoais em meio à história da vida de Francisco Lobo da Costa.
Obrigada.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 20/10/2008 11:49
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Cintia Thome
 

Parabens
Modo bem gostoso de falar sobre um Poeta desconhecido por mim ...
Traga mais.ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 20/10/2008 13:08
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marcio rufino
 

Caro lúcio,

è infelizmente uma pena que eventos como estes aconteçam. Aqui em Belford Roxo temos a figura de Cid Ramos Filho, grande dramaturgo - de quem ainda terei a oportunidade de esacrever a respeito - que morreu sem que o país se desse conta de sua existência. Cabe a nós que ainda estamos por aqui de mantermos viva a memória desses verdadeiros heróis. Belíssima crônica. Votado. Abrçs!!!

marcio rufino · Belford Roxo, RJ 20/10/2008 13:49
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su angelote
 

Muito interessante o texto. Parabéns

su angelote · Jaboatão dos Guararapes, PE 20/10/2008 15:59
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Nivaldo Lemos
 

Lúcio,
excelente texto sobre a vida do poeta Lobo da Costa, que, a exemplo de Solano Trindade e Da Costa e Silva - para citar apenas dois - são pouco lembrados pela historiografia oficial. E quando o são - como você diz - nem sempre são retratados da forma Sorte a nossa que pessoas como você insistem em trazê-los à baila para nosso conhecimento e deleite.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 20/10/2008 19:23
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Nivaldo Lemos
 

Desculpe-me, Lúcio, enviei sem querer o comentário a truncado. Por isso o Repito:

Lúcio,
excelente texto sobre a vida do poeta Lobo da Costa, que, a exemplo de Solano Trindade e Da Costa e Silva - para citar apenas dois - são pouco lembrados pela historiografia oficial. E quando o são - como você diz - nem sempre são retratados da forma que merecem. Sorte a nossa que pessoas como você insistem em trazê-los à baila para nosso conhecimento e deleite. Parabéns. Abraços.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 20/10/2008 19:26
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azuirfilho
 

Lúcio Xavier · Curitiba (PR) ·
A (des) graça de um poeta.

Um texto admiravel, com uma sequéncia Histórica perfeita nos permitindo uma viagem, pela vida do Nobre Poeta Lobo da Costa, que cheio de amor e de sonhos estava disposto e ofertando a sua própria vida pela expressáo do AMOR, este que era a sua razáo da Vida.
Um pouco triste mas é a realidade da Vida.
Parabéns .
Um Trabalho de muito valor.
Abracáo Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 20/10/2008 20:27
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Jean Narciso
 

Olá, Lúcio Xavier,

Muito obrigado pelo comentário vou também ler o seu texto!

www.poetajean.zip.net
Jean Narciso

Jean Narciso · Itaquaquecetuba, SP 21/10/2008 11:02
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Edu Cezimbra
 

--------------------------------------------------------------------------------
Lúcio e overmanos
Fui conhecer a poesia do Lobo da Costa e não posso deixar de compartilhar com todos este Fragmentos de Adeus, pois ilustram bem o teu texto inspirado.
Ah, os românticos, predizendo a própria morte e vivenciando cada palavra poética!
Parabéns pela colaboração preciosa,
ABC (Abraço e Beijo do Cezimbra)

Lobo da Costa

Adeus

À sombra do Salgueiro

(Fragmentos)



Adeus! eu vou partir. Por que soluças?

Não brilha o pranto, a dor, à luz da festa,

Nem a rosa, por pálida e modesta,

Deve pender a fronte ainda em botão...

Que eu te diga este adeus — manda o destino!

Eu sou náufrago vil, sem norte ou guia,

Açoitado por ventos de agonia

Nas cavernas fatais do coração.





Chorarás no momento em que eu te deixe,

Ou, quando perto eu for da tua herdade,

Passarás uma noite com saudade;

Mas a aurora trará mimos a flux...

E desperta de um sonho que te aflige,

Os passos sulcarás d'almo folguedo,

Esquecida daquele que tão cedo,

Sem amparo caiu vergado à cruz.



Trará o esquecimento alívio às dores;

Muitos dias talvez virão por este,

E das bagas do pranto que verteste

Brotarão os jasmins de um novo amor...

Cantarão no teu lar os passarinhos,

Muitas flores virão com a primavera,

E de mim ficará de uma outra era

Agudo espinho de saudosa dor.




Bem sei... há de custar-te a minha ausência,

Enquanto a ela tu não te acostumas.

Mas, ah! que nunca choram as espumas,

Quando soltas das vagas vão além!

É fatal, bem eu sinto, este momento!

Lisonjeia-me a dor do que não valho...

Olha: o manso gatinho no borralho,

Parece que a me olhar chora também.



Teu cãozinho de neve que tu amas,

No latido gentil, como que implora

Que eu não faça chorar sua senhora,

Ou pedindo-me em prantos, que eu não vá...

Mas quem sabe, se um dia, quando os tempos

De novo me trouxerem a estas plagas,

Não serás, ó cãozinho que me afagas,

O primeiro que então me morderá!



De lágrimas se funde o esquecimento

Com que algema o sentido mais dileto,

Não há, por mais gentil que seja o afeto,

Quem se possa eximir àquela essência.

É gelo que entibia as flores da alma,

É fogo que consome alto destino.

E já vês, ó meu anjo peregrino,

Que não deves chorar a minha ausência.



Irei por sobre as ondas desfolhando

As flores da saudade, uma por uma;

Como elas, que fogem sobre a espuma,

Quem me diz onde irei? onde pairar?

E tu ficas à sombra de teus lares,

Sorrindo de ventura, anjo celeste,

E eu, quem sabe! se à sombra de um cipreste

Num profundo dormir — sem despertar



O tempo que corrói a pedra bruta,

Também destrói os frutos da memória.

Mal fora se, na vida transitória,

Não sucedesse ao golpe a cicatriz.

— Tudo arrasta da vida a vaga irosa,

O Sol que amanheceu baixa ao poente...

Só há uma saudade permanente,

— A saudade da mãe e a do infeliz.





Nunca viste a donzela lacrimosa

Curvada no ladrilho mortuário,

Beijando o esquife negro e solitário

Em que dorme o despojo maternal?

E dois anos após... nem tanto ainda!

Da festa no esplendor vir, orgulhosa,

Passando muitas vezes junto à lousa,

Sem lembrar-se do anjo do casal?



Já viste a triste mãe que um berço embala,

Velando uma criança adormecida,

Consagrando-lhe esperança, amor e vida,

Capaz de se finar se ela morrer;

E após, se a idade veste-a de esplendores,

Tornar-se seu algoz, ser seu patíbulo,

E ir vendê-la nas portas do prostíbulo,

Como rês inocente — a quem mais der?!



Nunca viste o mendigo esfarrapado

Beijar a mão bondosa que o ampara,

E depois, se a fortuna se lhe aclara,

Como Pedro negar ao próprio Cristo?

Nunca viste o impudor — calcando o pejo,

A dor desafiando — gargalhadas,

Em troca de carícias — punhaladas!

Nunca viste? Pois eu já tenho visto.



Só guarda uma saudade quem por fado

Teve a dor do proscrito, a do abandono.

Assim, se eu não morrer, se o eterno sono

Não for além dormir, pomba adorada,

Lembrarei teus encantos e meiguices,

Chorarei de saudade — embora rias,

Cobrindo com meu manto de agonias

Os espinhos da cruz que me foi dada.

E se um dia nas praias do futuro

Rolar o meu cadáver de descrente,

Sepulta-o junto à margem onde a corrente

Só muda quando em fluxo recresce...

Onde os salgueiros têm as mesmas folhas

E é sempre a mesma viração sombria

Onde só muda o Sol quando anoitece.




Edu Cezimbra · Porto Alegre, RS 21/10/2008 11:08
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Lúcio Xavier
 

Obrigado pelo comentário Edu! Fiquei bastante feliz com a colocação desse poema, pois no original desse texto, escrito para um projeto de rádio, eu coloquei trechos de poemas no início e no final, os quais retirei para postar aqui no Overmundo, por entender que funcionaram bem para a linguagem do rádio e que aqui não dariam a mesma condução. Pois justamente um desses trechos foi retirado desse poema que tu postou, uma feliz coincidência pr aminha grata surpresa! Um grande abraço!

Lúcio Xavier · Curitiba, PR 21/10/2008 14:29
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Edu Cezimbra
 

Eu que agradeço Lúcio!
A propósito, será que não daria para postar o áudio destes poemas aqui no overmundo?
ABC

Edu Cezimbra · Porto Alegre, RS 21/10/2008 16:00
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Lúcio Xavier
 

Eu acho que sim. Seria um trabalho bastante interessante. No entanto, não conheço nenhum áudio dos poemas dele. Ou então teria de haver um trabalho aí de gravação de difusão disso. Sabes que isso é uma ótima idéia a se pensar!

Lúcio Xavier · Curitiba, PR 21/10/2008 16:23
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Langinha
 

Parabéns. Votado !!! convido vc a conhedcer m/ "Ritinha", em votação Creio que irá gostar. Abraços. Langinh.

Langinha · São Paulo, SP 22/10/2008 09:39
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Mazi Faria
 

Olá! Adorei a matéria!! Parabéns... ;)

Mazi Faria · São Paulo, SP 23/10/2008 12:01
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Marlene Bastos
 

Colaboração preciosíssima!!
Parabéns!

Marlene Bastos · Goiânia, GO 26/10/2008 12:13
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